Novo conceito

Lá em terra natal minha, lá em cima, tem um bar temático cujo tema é Banco. Não o móvel, mas a instituição bancária mesmo, saca?

A entrada é uma porta giratória e no cardápio você encontra o Filé CPMF e o também Filé Conta Corrente. É sério.

Como ainda não estive lá, não sei se a iluminação do ambiente é a mesma de uma agência. É o toque que falta para a experiência ter um grau de diversão inimaginável.

Em intrépido trabalho de pesquisa, este site teve exclusivo acesso aos boatos secretos acerca de alguns dos próximos empreendimentos noturnos da cidade, confira.

EndosCopo – Bar dedicado ao culto da endoscopia. Serão mais de 25 sabores para satisfazer as gargantas mais exigentes.

Delegacia’s – Garçons vestidos de policiais estapeiam clientes que reclamam do colarinho no chope. Na cozinha, a grande atração é a barata no escondidinho de gororoba.

Fila Lounge – Quer uma caipirinha? Entre na fila. Uma porção de provolone? Fila. Um xaveco na morena da terceira mesa? Tem 12 na sua frente. Nas paredes, fotos antigas relembram algumas das maiores filas da humanidade.

Barnheiro – Vasos no lugar das cadeiras e azulejos brancos até o forro marcam a decoração deste estabelecimento. Fique longe do chope, meio morno.

Contabilibar – Antes de pedir sua bebida, o garçom exige que você apresente um cálculo detalhando o valor do seu pedido: impostos embutidos; preço de custo e margem de lucro do estabelecimento. O momento mágico da noite é a conta, feita pelo próprio cliente, mas revisada por uma comissão de 2 contadores e um advogado especializado em direito financeiro.


batman_fino

De novo na firma

Repare que não importa o endereço ou a finalidade da empresa. A cada vez que há reclamação generalizada sobre a velocidade da internet do escritório, surge a tirada humorística, com algumas variações para nome da série ou tipo de arquivo.

- Pessoal fica baixando temporada inteira de Lost, aí não dá, hehehe.

Visivelmente incomodado por ter perdido a chance de ser o primeiro a elaborar o comentário, um segundo elemento certamente tentará complementar a gracinha adicionando o que considera ser um plus picante ao tópico.

- Ow, galera fica vendo filme de sacanagem na hora do trampo, aí fode a conexão, hehehe.

E o último petardo.

- Fode literalmente, HAHAHA!

Riso generalizado.

Infinita crise

A alforria dos intestinos. A revolta de Humberto Martins. O crescimento de Rosana enquanto Jatobá.

Personagens cafonas de tatuagem: Betty Boop, Bettie Page, Beth Gofman.

Como economia, a substituição de astros do pop de países ricos pelos de nações emergentes: Dave Grohl pula fora, entra Bel, do Chiclete (falar “com Banana” mostra que você não manja do assunto).

Intestinos são livres no pensar, agir, esculpir. Humbertos são brutos, robustos, vincados. Jatobá foi um personagem de Marcos Frota.

E mais, eles fecham o braço…[ler imaginando trilha sonora que indica que uma grande revelação está prestes a ser feita]…mas não abrem a cabeça!

Cara, caramba, cara, caraô.

E lá no Holy Junk do brother Sanchez, uns biscoitos meus sobre o filme dos robozões.

Ligaram

- Alô.

- Alô, bom dia, com quem eu falo?

- Edoardo. [pronuncia-se Eduardo]

- Tudo bem, senhor Eduardo?

- Sim, tudo ótimo, comi três tipos de fruta no café.

- Ah, que bom então! Olhe, eu sou da Lotérica Jaguaré e nós estamos com um novo serviço que se chama Super Bolão Jaguaré em que nós entregamos a sua aposta em casa com toda a conveniência, as suas chances de ganhar são muito maiores porque são centenas de pessoas apostando juntas e o senhor paga com toda a comodidade quando o nosso motoboy levar o seu comprovante até o local de sua preferência e…

- Não, não quero.

- Mas veja bem…

- Não quero dividir o prêmio com centenas de pessoas, obrigado.

- Ah, tudo bem, obrigada.

blog_gato

Vai ver os robôs no cinema, cara.

Sábado, 20

Antes das 10:30 a lâmpada de alerta se acendeu na ponte de comando do meu cérebro. “Quero mijar”. A grande placa amarela piscava na intenção de acordar o centro de comando para que eu despertasse do sono profundo e finalmente descarregasse no compartimento de louça que transmite mensagens ao rio Tietê parte do resultado das especiarias alcoólicas consumidas sem parcimônia na noite anterior.

Um monumental erro de artilharia ocorreu e fui obrigado a incluir “limpar o vaso com Veja” na lista mental de tarefas daquele resto de manhã.

Após constatar a ausência de documentários militares sendo transmitidos por History, National e Discovery, decidi seguir sem pano de fundo sonoro no manuseio do aspirador, permitindo assim que os distantes bordões comerciais vindos da feira – sete andares abaixo – preenchessem o apartamento com um agradável burburinho.

Por sua vez, a lavadora entregou como limpos uma série de trajes úmidos. Percebi que o varal de teto não seria capaz de abrigar tantas peças de uma só vez e, com extrema perspicácia, concluí ser urgente a sempre adiada compra de um varal desmontável de chão.

Passando pouco do meio-dia, saí em monótona carreira até a loja de ferragens mais próxima para a escolha do acessório doméstico. Após confundir o entregador da quitanda com um balconista, decidi pelo modelo Verona com exclusivo acabamento em verde Kiwi nas extremidades. Por um momento pensei na variedade de produtos, cores de automóvel e edifícios residenciais que se utilizam de localidades européias para definir seus nomes em busca de pretenso requinte. Lembrei ainda do Edifício Surprise, próximo ao meu local de trabalho. “Haveria mesmo alguma surpresa no prédio e, caso houvesse, qual seria? Pés de bagulho plantados no jardim? Um trio de mariachis executando uma versão de Sá Marina dentro do elevador ao lado do antigo grupo You Can Dance auxiliando na coreografia?”. Mistério.

Carregando o varal, rumei célere à barraca de pastel da mesma feira que hora antes eu escutava apenas ao longe. Solicitei um de calabresa com queijo, sabor dos campeões. Finalizei com um fraquíssimo de frango (”sem catupiry” – coisa de perdedores), não recomendo.

Mas nada que vivi anteriormente poderia ter me preparado para o que ocorreu na volta ao meu acarpetado covil.

A embalagem plástica que envolvia o varal de chão (muito provavelmente projetada na folga de um físico pós-doutorado pelo MIT) exigiu pelo menos 30 minutos do meu tempo para ser descascada. Por mais criativas que fossem minhas estocadas com a faca de pão no plástico, elas basicamente o furavam, sem conseguir tira-lo de combate. Somente após a convocação de uma tesoura de costura é que a vitória começou a ser desenhada, lentamente, a meu favor.

Obstáculo removido, era o momento de estender as roupas por sobre o varal. O problema era o tempo que as mesmas esperavam por solução de secamento. Pelo menos duas horas se passaram entre a saída delas da máquina à chegada e libertação do varal. O nada aprazível perfume de roupa mal secada já havia tomado conta de cada fio de algodão que por ali havia.

Foi necessário um novo ciclo de lavagem.

blog_lebowski_fest

Ismouque

É preciso deixar de hipocrisia e assumir: fumar é bom pra caralho. Isso mostra que um dia, quem sabe antes da inauguração da primeira venda de açaí em marte, chegaremos na maquininha portátil de limpeza de pulmão ou nas pastilhas efervescentes Câncerend.

Preocupante é constatar que a estrutura que chamamos de civilização dificilmente resistirá até esse futuro sonhado, já que os níveis de emissões de opiniões não especializadas sobre qualquer coisa não param de se elevar, nos conduzindo aceleradamente ao round final de um Mortal Kombat cujo grande fatality será aplicado sem erros de comando na própria…(leia com efeito de eco tenebroso) existência da humanidade.

Hobby.

Espero acontecimentos

Claro, as engrenagens do mundo dedicam um tempo especial somente para ferrar você, pois é mastodôntica a sua importância pessoal para o funcionamento da coisa toda.

Então como Ásia, Europa e mais uns 8 continentes à sua escolha giram em torno do seu umbigo, você pode se sentir especial e declarar, daquele jeito espalhafatoso e bem humorado: “eu só me fodo, hahaha”; “tem umas que só acontecem comigo, hehehe” ou “eu atraio esse tipo de coisa, hihihi”.

Melhore ainda mais suas manifestações de carência egocêntrica acrescentando referências indiretas à Lei de Murphy, exibindo aos ouvintes/leitores seu amplos conhecimentos gerais e complexo humor sofisticado.


fuck_yeah

O papel social do joinha

Tiradas Consolidadas têm como objetivo dotar de sarcasmo e senso de observação pessoas com menor capacidade de processamento.

Ilustrando, temos as variações em cima de:

- Ei, pessoal, olhem essa da Mariana! Ela pede um big mac com batata frita, mas o refrigerante é light! Hahaha, assim não dá, Mari!

Para esses casos, recomenda-se compreensão e carinho para com o usuário da sacada, pois as Tiradas Consolidadas estão aí para abastecer carentes de repertório e servir também como importante gerador de interações entre pessoas obrigadas a conviver com outras por motivos profissionais, familiares ou de divisão de espaços exíguos (como elevadores e camas).


cavalo

Para o alto

Antes dos anos possuírem nomes acompanhados de 2 na frente, certa vez entrei em uma loja de quadrinhos objetivando completar minha coleção Conan Rei.

Arrumei duas ou três edições das que me faltavam e prossegui nos trâmites de pagamento junto à boca do caixa.

Próximo do balcão, um grupinho jazia em torno de uma távola ricamente adornada por cartas, dados esquisitos e miniaturas de dragões em chumbo. Como de costume, pesquei parte do diálogo* e arquivei em um antigo móvel em MDF, já carcomido pelo tempo, posicionado nos fundos do almoxarifado das minhas memórias.

Era meu primeiro contato com o chamado RPG (e não estamos falando de Reeducação Postural Global).

- …a Chave de Golendorf?

- Sim, estás próximo dela agora…

- Ah, fudeu-se então! Eu quero essa chave, agora eu vou atrás dela, vamo jogar esses dados aí é já, vamo que eu quero essa chave!

O entusiasmo daquele futuro adulto sexualmente frustrado ganhou três centavos da minha admiração. Era minha provável primeira reflexão, ainda involuntária, a respeito da relatividade das importâncias.

Uma conclusão fácil de alcançar diz que não importa o que você escolhe fazer, o importante mesmo é saber vender o que você faz. Isso explica boa parte das suas insatisfações financeiras, reclamações profissionais e invejas cultivadas (e disfarçadas) com tanto afinco.

A lição é que devo evitar encontrar aquele artrópode do RPG aos meus 40 anos. Caso eu descubra que ele ficou mais rico do que eu caçando chaves de Golendorf a coisa pode acabar em homicídio doloso.

*Transcrição quase toda real, menos o nome Golendorf, tranquilamente passível de ser acusado como falso na falta do que fazer de um observador mais atento.

blog_tampinha_bandeira

Um belo set no Flickr.

Two thumbs up

O pior dessa tal safra de comédia stand up nacional ainda está por vir.

Em alguns anos, quando um deles morrer, ocorrerá o primeiro bombardeio massivo de homenagens póstumas a um comediante stand up brasileiro revelado nos anos 00.

Tentando levantar o astral da nação, é provável que um dos colegas de profissão do falecido faça gracinhas em seu velório, em uma fracassada pretensão de referência a John Cleese na cerimônia bate-botas de Graham Chapman (aqui).

Os milhares de seguidores do cara no tuínter escreverão replies emocionados de despedida para a arroba morta, tal qual urubus circenses scrapeiam falecidos amigos no orkut.

E na Alta Câmara de Decisões sobre o Descolamento da População, será definido que as camisetas irônicas estampando o rosto do morto serão responsáveis pela elevação de status do mesmo. De engraçadinho esforçado para gênio em rápidos fios 30 de algodão penteado.

Agora é definir a torcida por um evento.

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Você está muito ofendido por algo escrito aqui ou gostaria de depositar qualquer quantia em minha conta bancária? Escreva já: doda.doda@gmail.com

Tamo lá

Ó as tuítada aê

  • A noite requer enchente de cara homérica ou porre monumental? Cervejas baratas ou frescurizadas? Decisões, decisões. 1 day ago
  • Cara, se eu fosse tu e estivesse sem fazer nada, dava play nesse e em todos os relacionados ali do lado. http://tinyurl.com/lmm39h 1 day ago
  • Véio, mas os fuzil tava tudo sem pente, cumé que faiz pra reprendê? 1 day ago
  • olha @clalispector "Colombina, hey / Seja minha menina, só minha / Quero ser seu rei / Um rei momo,sem dono, sem trono /Abram alas pro amor" 2 days ago
  • sério, @clalispector, "Eu só peço a Deus / Um pouco de malandragem / Mudo uma planta de lugar ou troco um cheque, foda-se". 2 days ago
  • E mais @clalispector "Zabelê, Zumbi, Besouro / Vespa fabricando mel / Guardo teu tesouro / Jóia marrom / Raça como nossa cor". 2 days ago
  • vai aí @clalispector: "Chega de plantar loucura no campo do meu sentimento". 2 days ago
  • Avisem a torcida do Grêmio que gritar todo tempo não adianta porra nenhuma, só torna o o grito parte da paisagem. 2 days ago

a

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