5 motivos para andar fantasiado de galinha

1 - Você escapa de vários dos entreveros urbanos, pois não se tem notícia de galinhas que já foram assaltadas ou tomaram multas de trânsito injustas.

2 - A mulherada vai pirar, pois a maioria delas jamais beijou ou fez sexo com uma galinha, mas boa parte já deu pra um mané feio só porque ele tocava em alguma banda, daí pra pegar um sujeito em trajes galináceos é um pulo.

3 - Galinhas nascem sob um signo, mas segundo a lógica social dominante na astrologia, elas não têm direito a ele, então nunca mais você precisará responder a irritante pergunta “qual o seu signo?”.

4 - A economia de sabão em pó no seu lar será significativa, pois dentro de uma fantasia de galinha é dispensável o uso de peças de roupa, inclusive cuecas, o que gera ainda a impagável sensação de poder criar o djavan em liberdade, soltinho, soltinho.

5 - Caso você dê um vexame após tomar uns gorós, alguém pode filmar a presepada e “o vídeo da galinha bêbada” será um sucesso na internet. Quando o vídeo atingir dois milhões de views você entra com um processo em cima do google, dos blogs que republicaram a filmagem e dos sites que fizeram camisetas com estampas alusivas ao episódio.

O cristal é líquido e o plasma é um bocó

Televisão, notebook, desktop, celular, iPod, câmera digital, caixa eletrônico, mídia do metrô, PSP.

São muitas telas por dia e quanto mais dinheiro se ganha, mais telas entram na conta.

Os que possuem rendimentos de menor musculatura tem quantidade inferior de telas à disposição, então estão menos expostos às radiações e luminosidades que as mesmas emitem e teriam menor possibilidade de desenvolver problemas de vista e coisas mais graves que ainda não foram comprovadas, como o câncer de retina e as lágrimas de crocodilo.

Porém, caso o organismo dos muito expostos esteja criando uma resistência aos efeitos nocivos da exposição excessiva, estariam os pouco expostos perdendo o bonde da evolução?

E mesmo com as dezenas de pontos obscuros a respeito do seu consumo, as telas seguem desejadas. Todos querem mais telas.

Muitos parcelam telas gigantes em trinta e duas ou mais absurdas prestações e, no total, poderiam ter comprado até mais que uma dessas telonas, quem sabe um monte de telinhas e isso tudo foi baseado em especulações absolutamente carentes de fundamento.

Mirosmar

Esse posto de gasolina fica na esquina da minha casa :-)

Velha nova

Em 40 anos quantas inovações ocorreram nas telenovelas? Eu só lembro de três: cores, botox e casais gays.

Aí tropeço nessa entrevista do Aguinaldo Silva na Folha. Entre um monte de outras irrelevâncias, um último questionamento da reportagem:

“Folha Online- Faça um balanço final dessa sua trama e suas muitas repercussões.”

E trecho da resposta do autor:

“…Mas foi sem dúvida a mais radical de todas as novelas. Por isso, no começo, ela causou tanta estranheza no telespectador e tanta indignação na mídia. Ela desmontou, um a um, os conceitos tradicionais do folhetim televisivo, e assim deixou clara a possibilidade de se achar outros caminhos para o gênero. Eu podia ter feito mais uma das minhas novelas habituais, e isso seria garantia de sucesso. Mas preferi correr o risco. Foi difícil.”

Radical? Indignação? Desmontou conceitos tradicionais? Mas em que mundo vive esse cara? A novela é praticamente idêntica a qualquer outra, trocou só umas polêmicas e inseriu novas abobrinhas. O fato de não ter “caído no gosto popular” logo de início é porque simplesmente o povo cansou do formato, mas ainda não se deu conta disso, tanto que esse problema vem ocorrendo em quase todas as novelas do horário. Lembre aí quantas vezes você já leu manchetes do tipo “Laços de Macarrão estréia com X pontos a menos” ou “Meu Cupuaçu, minha vida patina no Ibope”.

O diabo é que por falta de outras opções e inércia contemplativa, a maior parte do público não muda de canal, começa a assistir meio que sem querer e aí, quando se dá conta, já foi pescado pela mesmíssima história de novo.

Isso está mudando. Aos poucos, mas está. Nos fins de 85, começo de 86, os últimos capítulos de Roque Santeiro (do próprio Aguinaldo Silva) registravam coisa de 90 pontos de audiência. Pouco mais de 20 anos depois, a média das 8 é de 45 pontos. Claro, o número de opções de entretenimento doméstico ao alcance do brasileiro hoje é muito maior do que na época da Viúva Porcina, mas toda essa queda não é apenas reflexo disso, mas também um sinal de que o formato já estufou o saco, basta notar a perda de influência cultural que a novela deixou de ter.

As roupas da protagonista ainda ditam moda na periferia, mas as mulheres das classes mais abastadas preferem se espelhar numa Angelina ou Gisele da vida.

Há 20 anos todo homem sabia o nome de uma das atrizes que estava na novela porque ela saía na capa da Playboy e a edição parava o país. Hoje a revista talvez movimente a oficina da esquina, mas os engravatados dos andares mais altos estão mesmo é interessados na sex tape de uma atriz famosa que vazou na web ou no e-mail com as fotos que a universitária gostosinha fez com o namorado traído.

Voltando à Folha e ao seu Aguinaldo, hoje ele ainda se sai com essa:

“Aguinaldo Silva diz que terremoto prejudicou “Duas Caras”

“”No exato instante em que a novela começou, a terra tremeu e fez todo mundo sair de casa correndo, depois de desligar a TV, é claro”, escreveu Silva.”

Não, eu não li isso. Sério, você mora em São Paulo? Sentiu o tremor? Eu senti, mas mal percebi, voltei à tela do computador 15 segundos depois.

Desde que o ser unicelular evoluiu para esse hominídeo bípede de hoje que o maior problema humano é se levar a sério demais.

Plus 1: 11 dicas para se virar em uma novela

Plus 2: Você vê na novela, mas não no vizinho

Pop drops

Meu grande amigo Marcelo Damaso fez um negócio que muita gente tem vontade: chutou um monte de rabos pra cima e se mandou pra um lugar nada a ver com o objetivo de escrever um livro. Agora ele se vira em Montevidéu, naquele pequeno país que é uma mistura de Argentina com Rio Grande do Sul, o Uruguai. O blog da aventura é o Cartas Uruguaias e já está favoritado aí ao lado. Ah, se você gostar do cabeçalho, foi feito por mim. Se não gostar, foda-se.

E você não deve ter dado a mínima, mas ontem foi 22 de abril e o homônimo do Cabral, o Pedro “Loser” Ivo resumiu toda a história do país em uma palavra de duas letras: cu. Vai lá.

Falando em textos bons de ontem, o Gustavo Mini forneceu argumentos para que eu mantenha minhas tranqueiras tecnológicas bem guardadas além da questão afetiva em si. Meu Game Boy cinza gorducho ainda tá inteiro e com Tetris.

O Rapidshare só pode estar de piada. Já viu esse sistema de código necessário para baixar os bagulhos?

Não é a Cláudia Leitte pelada

Fala sério, digitar todas as letras que tenham o gato? O que houve com o reconhecimento de caracteres? Daqui a pouco será preciso alimentar um ganso e resolver palavras cruzadas ao mesmo tempo pra conseguir um arquivo.

Perder mais de 5 minutos com um vídeo na web de hoje em dia? Eu não perco, invisto. Eis aí An Engineer’s Guide to Cats. Se você estiver sem tempo, pule para mais ou menos 4:34.

Corporativos, comerciais ou pessoais 1

Ontem o Ian comentou em seu Twitter a respeito de um blog comercial da Triton (prefiro do que chamar de “corporativo”, muito careta).

As críticas dele eram a respeito do blog estar hospedado no Blogspot - e não em um domínio próprio – e também sobre o autor dos posts ser anônimo, identificado como “The Blackcatwalk”.

Não vejo grande problema em uma marca escolher um serviço gratuito de hospedagem abrindo mão da “oficialidade” de um domínio próprio. Acho que é uma opção prática e que facilita a vida do cliente - que na imensa maioria dos casos não tem prática em lidar com um WordPress pago ou um Movable Type, além de criar uma proximidade (involuntária ou não) com o usuário comum, aquele mesmo que também possui um blog em serviço gratuito e está acostumado a acessar esse tipo de site.

Mas justamente essa proximidade com o consumidor é perdida – e aqui eu concordo com o Ian - quando o autor do blog é um anônimo. Pô, eu não quero ler uma dica do The Blackcatwalk, eu quero saber o que a Maria da Graça tem a dizer, o ponto de vista do Jeremias, a palavra da Gislaine. Se eu comentar lá o Blackcatwalk vai me responder? Ele pode virar meu ‘broder’ de web e quem sabe de vida real? Posso xingá-lo e ele ficar puto?

Difícil saber e também eu ter esse interesse em saber. Ele é um anônimo. Ninguém gosta de falar com anônimos. A não ser que seja uma anônima que esconde o rosto, mas mostra a bunda. Como diz o lema do blog do Reverendo Ibrahim César: blogs iniciam conversações, quem envia mensagens é a mídia tradicional. Se a intenção era essa, melhor fazer uma newsletter ou um site de notícias.

Ilustrando: uns meses atrás a Fiat teve uma iniciativa bem legal para cobrir o SPFW. Hospedou, lá mesmo no Blogspot, esse blog. O editor era o Terron, auxiliado por mais dois blogueiros, a Biti e o Vitor. Essas informações estavam todas lá. O blog tinha uma cara, autores e personalidade.

Corporativos, comerciais ou pessoais 2

Superada a questão “que cara o nosso blog vai ter”, o grande desafio de um blog comercial é o seu conteúdo.
A grande maioria das iniciativas, principalmente no Brasil, ainda resultam em conteúdo desinteressante e muitas vezes equivocado, comunicando irrelevâncias para o povo errado.

Voltando ao próprio blog da Triton comentado anteriormente, olha só o título do post que estava publicado na hora em que acessei a primeira vez: “Você conhece a Mallu Magalhães?”. Pô, claro que conheço! Eu, a torcida do Botafogo, do Bangu e acho até que a do Liverpool. A menina é o hype da semana passada, ou melhor, do mês passado, aliás, já é quase do ano passado. Em outro post, logo acima da Mallu (ei, sem trocadilhos, ela é menor), o The Blackcatwalk fala da “Moda de Camisetas”, mostrando o legal, mas batidíssimo clipe do Justice e zzzzz…opa, continuando, então, é mais um blog de “tendências” e “coisas pop-cool”? Putz, o problema é que qualquer jovem de 20-30 anos que passe as suas 2 horas diárias na web (e estou chutando baixo, o público-alvo [argh!] da marca navega muito mais tempo que isso por dia) pode citar de cabeça pelo menos três blogs “independentes” nos quais lê esse tipo de informação muito antes que a mídia tradicional as noticie, sem falar nas redes sociais das quais esse jovem faz parte que não param de bombardeá-lo com links e referências.

A verdade é que nem todo mundo precisa de um blog e não é qualquer um que tem algo interessante pra falar, mas se mesmo assim a marca deseja abrir esse canal com o público, é importante buscar alguma coisa diferente e útil para comunicar.

Saca a Mahindra, fabricante de tratores? Claro que não. Pois é, mas eles fizeram um blog e nele não falam sobre as últimas do mundo rural ou sobre a nova colheitadeira AutoFarmer X120. Entregaram a bagaça na mão do Joel Combs, um típico funcionário de fazendas altamente mecanizadas do interior dos EUA. Ele tem 32 anos e três filhos (constantemente citados no blog). Em seus textos, conta o seu dia-a-dia como operador de máquinas (ele dirige um trator Mahindra), relatando situações e problemas comuns que enfrenta. A marca patrocinadora do blog aparece sutilmente, praticamente uma coadjuvante da vida no campo, posicionando-se como uma parceira sempre a postos para facilitar as tarefas para as quais é chamada, mas sem cagar-regra ou filtrar conteúdo (ao menos aparentemente).

É uma idéia simples e fala direto com o consumidor, na mesma língua, praticamente uma conversa de bar. Se tem audiência ou é um sucesso eu não sei, mas os posts tem em média mais de 20 comentários, atestando que existe uma comunidade ativa girando em torno do blog.

Mas não é apenas a relevância do discurso que importa no blog comercial. A liberdade (pelo menos aparente) em poder falar o que quiser nesse mesmo discurso também é fundamental.

Eu já editei um “blog corporativo” (inclusive parte do parágrafo aí de cima sobre o blog da Mahindra foi tirado de lá) e o processo todo de pesquisa, redação, aprovação e postagem era bem burocrático. É comum nesses casos haver dois, três ou até quatro níveis de aprovação para um simples post.

Não se pode tocar em certos assuntos, deve-se evitar palavras, digamos, mais fortes e, em alguns casos, até mesmo respostas de comentários precisam de aprovação (e os próprios comentários, claro, são moderados). Perde-se muito em agilidade, informação, opinião e identidade.

Se é pra amarrar tanto, melhor desistir do blog ou colocar o próprio presidente da empresa escrevendo (e isso pode ser bem legal).

Ficção de amor

Wagner não gostava de música.

Tão estranho quanto não gostar de comer ou fazer sexo é não gostar de música.

Mas Wagner realmente não gostava de música.

Ele tentou, muitas vezes, escutar diversos gêneros com atenção redobrada.

Queria gostar de qualquer coisa. Rock, bolero, música clássica, polca, samba, eletrônico, canto militar soviético, Carlinhos Brown.

Pense em qualquer coisa que possa ser chamada de ritmo musical: Wagner escutou.

E não gostou.

Esboçou apenas um leve sorriso quando resvalou na versão de Bruno & Marrone para a melô da punheta, gravada ao vivo.

Não foi pela música, que odiou, mas sim por um grito abafado de “viado!” que ouviu da platéia, revelado somente por um equipamento de reprodução perfeito como o que possuía.

Paciência - Ativismo político on-line

Forma de protesto mais confortável já criada pelo Homem, o ativismo político on-line exige apenas alguns encaminhamentos de e-mail para livrar sua consciência (e seu corpo) de pesadas, desgastantes e (algumas vezes) constrangedoras ações de rua que exigem garganta, cara-de-pau, coragem para enfrentar o batalhão de choque ou falta de vergonha na cara (caso o protesto seja solitário e envolva tirar a roupa). A variante mais hypada dessa descolada forma de protesto é a publicação de posts em blogs, devidamente decorados com selinho da campanha em questão, claro. Os resultados destas manifestações de indignação já podem ser vistos por todo mundo nas ruas, basta apenas um caminhão de boa vontade e uma vela para São Sebastião da Sagrada Perseverança.

A e O

Tem essas pessoas que falam ou escrevem “a Google” ao invés de “o Google”.

Essa irritação lingüística substituiu minha antiga implicância com quem falava “A personagem”.

Foda-se se para justificar essa excrescência o cara diz “ah, mas é Google - A empresa, portanto é A Google”. Você conheceu a bagaça como O site de buscas e foi assim que o bicho caiu na boca do populacho, portanto vire essa pedância pra lá e vá catar milho.

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