Saca esse filme da DM9 para o WWF.
Bom né? Idéia redonda, produção classe, trilha acertada. Forte concorrente a umas estatuetas internacionais.
O que me incomoda é isso. É um comercial de prêmio, feito para impressionar outros publicitários. Sim, a mensagem é de fácil entendimento para qualquer um, mas a exibição desse tipo de campanha depende da boa vontade dos veículos (que não cobram por eles), ou seja, o filme jamais terá, em uma grande rede, a veiculação de massa suficiente para fazer com que um sujeito comum passe a separar o lixo em casa ou que um publicitário de uma grande agência troque o seu gigantesco e poluidor utilitário esportivo por uma bicicleta.
Digamos então que a mensagem pretenda atingir somente formadores de opinião via canais a cabo, inserções na madrugada e viralização internética (pois é assim que a maioria assistirá). Ganhando esses caras, os formadores, é que começamos a mudar as coisas, certo? Mais ou menos, mas vamos considerar que sim. Nesse caso, será que um formador de opinião, a essa altura do campeonato, ainda não tem consciência (e uma opinião formada) a respeito de preservação ambiental? Eu acho que tem, ou seja, o filme em questão é somente uma chuva no molhado pra esse cara já convertido.
Além disso, a idéia tenta mostrar que todos temos alguma responsabilidade sobre o futuro do planeta, mas faz isso da maneira como sempre fizeram: por meio de um puxão de orelha genérico, sem dizer exatamente pro sujeito que assiste onde, quando e porque ele erra e como ele pode mudar alguma coisa efetivamente.
Desse jeito, a culpa continua sendo da maléfica entidade conhecida como Homem. É ele, e não eu ou você, quem destrói florestas em nome do caraminguá, mata baleias pela bufunfa e queima petróleo como um louco em troca do faz-me-rir.
Mas e o amigo que lava calçada com mangueira (fazer isso em Sampa é quase tão útil quanto enxugar um gelo na Islândia), aquele que pede um Big Mac embalado em caixinha de papel com vida útil de 5 segundos (pintada com tinta derivada de petróleo), esse mesmo que troca de veículo poluidor (de uso praticamente individual) a cada 2 anos?
Ele continua na poltrona, incentivado a consumir vorazmente por todos os lados. Seu governo e a empresa para a qual trabalha até já falam sobre frear a degradação ambiental, mas não é o bastante, assim como também não é suficiente apenas um belo comercial de TV como o citado.
Como ação de comunicação, o filme do WWF precisa de um complemento mínimo para que realmente atinja o objetivo que se propõe, “conscientizar a população quanto ao fato de que pequenas ações isoladas, tanto positivas como negativas, podem dar início a um efeito cascata de proporções planetárias”, nas palavras do próprio WWF, em seu perfil no youtube.
Seguindo este primeiro filme, poderiam vir outros mais práticos, acompanhados de uma ação on-line reunindo dicas práticas para o dia-a-dia em casa ou no escritório, como por exemplo desperdiçar menos água, energia elétrica, alimentos, utilizar menos o carro, separar o lixo, reciclar materiais, evitar certos produtos poluidores, etc. Claro, com esse conteúdo ecológico sendo transmitido de forma criativa, inusitada, impactante, pertinente ou qualquer outra das palavras batidas do jargão publicitário.
Da maneira como apareceu, esse ótimo comercial para ganhar prêmio é apenas isso, um ótimo comercial para ganhar prêmio. Já a salvação do planeta fica na próxima, virando à direita, depois do sinal.
link ecológico e edificante:
http://www.myfootprint.org/
antes de etc não tem vírgula. porque etc já vem com o “e” embutido.
mala, já anotei.
eu erro bem mais que isso, dá uma olhada e manda por e-mail.
beijo :-)