Como estragar um festival de música muito aguardado em alguns passos.
- Na entrada, proíba objetos potencialmente perigosos como câmeras digitais. Cause um belo incômodo ao seu público forçando quem levou sua máquina a ensacar a mesma e deixá-la sob a responsabilidade do evento em uma tenda muito pouco confiável. Aliás, por que deixar as pessoas fotografarem/filmarem o show, não é mesmo? Ainda bem que difusão de conteúdo produzido por usuário é algo que ninguém liga, não tem a mínima força como mídia e, convenhamos, qual o problema em deixar uma câmera de mil reais em um saco ao lado de outras duas mil câmeras em um festival com público de 20 mil pessoas? Ora, pessoal mimado dos diabos, vou te contar.
- Iniciar o evento às 6h da tarde de Domingo e encerra-lo às 5h da manhã da Segunda é uma ótima idéia, pois a imensa maioria do público não se importa em passar 10, 11 horas esperando apresentações musicais. Ah, você tem que trabalhar, é? Deixe de ser maricas, num guenta? Bebe leite!
- A infraestrutura da arena não precisa ser das melhores, afinal, é sempre muito divertido passar 45 minutos em uma fila para comprar qualquer coisa. Água não é um artigo essencial, então não compre em grande quantidade. E lembre-se: cerveja quente é tendência.
- Se estão programados 6 shows, não planeje construir dois palcos. O ideal é socar todo mundo no mesmo tablado, assim o processo de montagem/desmontagem do cenário e instrumentos de cada banda demorará cerca de uma hora ou mais, atrasando toda a programação e fazendo a felicidade do seu público que, como já concluímos, não liga para tempo de espera e nem para o trabalho no dia seguinte.
- Ainda falando dos shows, qualidade do som é frescura. Mande as bandas subirem no palco e deixe para fazer a equalização durante a apresentação, assim todos os shows serão surpreendentes. “Uau, agora ouvi a guitarra!”, “Nossa, o vocalista tem voz!”, “Quando aumentarem a bateria essa galera vai sair do chão, espera só”.
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[ 'vamos focar apenas nos shows' mode on]
- Spank Rock. Ninguém liga pra primeira banda, nesse momento ainda estávamos nos aclimatando ao ambiente e fazendo piadas infames sobre o figurino de algumas pessoas presentes.
- Hot Chip. Do caralho, mas não me mexi porque me sinto ridículo dançando. Falha técnica de 20 minutos broxou todo mundo, apesar disso, eles voltaram e conseguiram reanimar o povo.
- Bjork. Dentre os motivos que me fizeram encarar o evento, essa moça não estava nem entre os 400 principais. Eu já sabia que acharia chato, o que não esperava é que ela despertasse em mim até mesmo um improvável sentimento de religiosidade, pois com 15 minutos de apresentação eu já pedia pelo amor de Deus que aquilo acabasse.
- Juliette & The Licks. Showzaço prejudicado, mas muito prejudicado, pela péssima qualidade do som. Funcionaria melhor em espaço fechado para umas mil pessoas. É aquela apresentação pra quebrar garrafa, arremessar cadeira, arrebentar o banheiro, levar uma bifa da namorada por mau comportamento e, depois, invadir o palco, dar um tapa na bunda da vocalista e mergulhar de cabeça na platéia.
- Arctic Monkeys. Aqui o motivo que me levou até o local. O relógio marcava pouco mais de duas da manhã, os telões estavam apagados (e possuo apenas 1.69 de altura, ou seja, sem um telão é impossível enxergar qualquer coisa), o som continuava uma bosta, mas foda-se, agora era O Momento, mas…é que…bem, eles fizeram o show que se esperava deles: “oi, boa noite, vamos tocar algumas músicas exatamente do jeito que elas foram executadas no disco e, assim que acabarmos, vamos embora, ok?” E assim foi, curtinho, 40 minutos, tchau.
- The Killers. Seria facilmente o melhor show do festival, talvez até tenha sido, mas eles entraram no palco às 4 da manhã, eu estava em pé desde às 6 da tarde, com fome, com sono e, além de tudo isso, não sou fã do grupo, então qualquer avaliação seria mal feita. Fui embora na metade.
[ 'vamos focar apenas nos shows' mode off]
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Rápido Ps1: a empresa organizadora do TIM Festival 2007 foi a Dueto Produções (só achei esse site aqui e em manutenção, não sei nem se é o deles mesmo). No próximo grande evento que você for, fique ligado em quem está organizando, sendo a Dueto, tô fora.
Rápido Ps2: esse final de semana refleti sobre uma questão até então jamais abordada em minhas filosofadas comigo mesmo. Bolinho, sim, um bolinho de bacalhau, por exemplo, nada mais é que o feminino de bolinha. Sim, uma bolinha de gude, de feltro, de lã, avelã, zum de besouro um imã? Alguém comeu sua irmã? Sim, aquela anã. Filosofia meio vã? Sim, maçã.



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