Arquivo para Dezembro, 2007

Indo bem ali

Caso eu não sofra uma atrofia muscular devido ao exíguo espaço do interior da aeronave, chego hoje à noite em Belém.

Novos posts por aqui só devem aparecer em janeiro, quando eu voltar à terra de Borba Gato. Caso algum fato seja digno de nota, quem sabe pinta alguma coisa antes.

Por enquanto, para o seu deleite, deixo algumas curiosidades a respeito da minha cidade e que podem ser úteis em caso de visita.

- O silêncio é um sinal de desrespeito em Belém. Para se comunicar, opte por berros e gargalhadas estridentes.

- Não pense que os bares e restaurantes da cidade têm atendimento ruim. O conceito, uma invenção paraense datada de muito antes dessa tal Web 2.0, é o do Serviço Romântico Interativo: para chamar a atenção do garçom você deve conquistá-lo. Para isso, faça gestos, acene, dance, escreva um livro, plante meia-dúzia de árvores, encene o terceiro ato de O Fantasma da Ópera ou convoque legiões romanas para executar evoluções militares em frente ao boteco.

- Paraenses fãs de futebol ficam extremamente ofendidos quando você declara que jamais ouviu falar de um dos dois grandes clubes da capital. Caso seja perguntado a respeito disso, diga que você conhece sim, Remo e Paysandu. Entre torcedores azulinos (Remo), comente algo como “ah, aquela época do tabu, heim?”. Com bicolores (Paysandu), um bom “quem afundou o papão foi esse Tourinho, né?” já resolve.

- Ao caminhar pelas ruas, tome cuidado com os jacarés. Pisar no rabo deles não é bem visto.

- Se uma flecha perdida atingi-lo, dê um sorriso e diga “égua, do caralho!”. As garotas irão amar.


Pra fechar o post, cinco camisetas que vi por aí e gostei. Outro dia posto os links das lojas e mais modelos engraçadinhos.

camisa_blog_1.jpg

“What would MacGyver do?” – Meias, quem sabe?

Touro Toureiro

Que divertido.

Guitar Hero. Essa é pro Léo.

Essa é pro Léo.

Batman

Justice Can`t Wait.

Gangbang

Me too.

Dodão Redondo

Isso aqui é uma das coisas inúteis menos divertidas que eu já vi na internet. Mesmo assim, eu fiz. Entre e construa seu cafofo.

Tinha feito uma versão francesa disso, mas hoje o Wandeko me mostrou a cidade dele e vi que tinha versão em inglês.

Kinshasa Live

E este final de semana os colunistas sociais de Belém estavam mais inspirados que o normal.

Como estarei de volta à minha terra estes dias para os festejos natalinos e ano-novolinos, já começo a entrar no clima da cidade desde hoje.

Então, sem mais enrolações, seguem as notas, transcritas exatamente da maneira como foram publicadas ontem (16/12), nos sites dos dois maiores jornais da cidade.


- Acontece na noite de hoje (16) a confraternização da Clínica Oral Class Center no Boteco Computer, com direito a troca de presentes e cover do Elvis Presley.

Eu não vou perguntar que tipo de coluna é capaz de considerar relevante, como fato jornalístico, a confraternização de uma clínica odontológica. Também não vou questionar a escolha do nome da clínica e nem discorrer sobre a breguice de nomear um negócio deste segmento no idioma das Spice Girls. Sobre a tal festa ser realizada em um bar anexo a uma loja de informática, também nada falarei. O que realmente me pergunto é se o cara que fez o cover seria o Arthur, um amigo meu que faz o Elvis e que, caso tenha mesmo arrumado esse bico, poderia muito bem pagar uma cerveja pros amigos no próximo final de semana.


 - Você sabia que o iTunes, loja virtual de músicas da Apple lançada em 2003, vende para o mundo todo exceto para o Brasil? Especula-se que seja pela fragilidade da proteção aos direitos autorais no nosso País.

Essa nota foi publicada na mesma coluna que noticiou a confraternização da clínica odontológica. O que assuntos tão díspares fazem em um mesmo espaço? Não sei, mas você mora em um país livre e tem direito a opinar sobre qualquer coisa, assim como eu também tenho o direito de rir da sua cara caso você fale bobagens como a dessa nota acima. Quem diabos especula que a Apple não lança uma loja por aqui por causa da fragilidade das leis de direito autoral? Não tem porra nenhuma de especulação. A Apple não montou a loja por aqui porque o iPod – player MP3 da Apple – vendido oficialmente no Brasil é o mais caro do mundo e, como a colunista certamente não sabe, as músicas da loja iTunes só podem ser reproduzidas em iPods, ou seja, o número de compradores certamente seria ridículo e não compensaria os investimentos de instalação e manutenção do negócio, ao menos enquanto os preços dos aparelhos não caírem. Ah, mas se você deseja comprar músicas legalmente pela web no Brasil, pode fazer isso pelas lojas do Terra, do Uol, da TIM, etc. Opa, e o autor do texto não sabia disso? Pois é, será que era falta de informação pura e simples ou o autor também está involuntariamente impregnado pela cultura nacional do “pra que pagar se eu posso baixar”?


- Uma curiosidade: o caos que Evo Morales está causando na Bolívia é tão grande que semana passada, durante manifestações, uma dezena de presos que aproveitaram a confusão para fugir da cadeia voltaram voluntariamente a suas celas.

Onde? Como? Cadê a fonte? Quais manifestações? Era pra ser engraçado? Ei, gente, vamos rir! Observação: a coluna ainda é a mesma da confraternização da clínica odontológica e da fragilidade dos direitos autorais em nosso país.


- Falta pouco mais de duas semanas para darmos tchauzinho para 2007. E você, já refletiu sobre o que fez para ajudar o mundo em 2007? O aquecimento global tá acabando com a calota polar. Pensa que é brincadeira é?

Qual calota? É só uma? Essa merda toda só começou em 2007? Quem escreveu esse texto possui automóvel movido por combustível fóssil? Faz coleta seletiva de lixo em casa? Abriu mão de embalagens plásticas? Ora bolas, pior do que ambientalista radical é neo-ambientalista de Veja. Ah, e a nota está naquela mesma coluna, sim, a da confraternização da clínica odontológica, da fragilidade dos direitos autorais em nosso país e da preocupação com a política carcerária boliviana.


Missa
Dom Orani celebrará missa de Natal, no dia 24, às 7h30, no Iguatemi.

Eu não entendo a igreja católica. Do ponto de vista da ética eclesiástica, é legal celebrar o principal ritual da religião em um shopping? Não foi o tal Jesus Ô Ô Ô Ô Ô my brother de Nazaré que deu chilique no templo porque tava rolando um comércio ambulante ishperto dentro da bagaça? Sim, os vendilhões do templo (e ainda acho que isso pode ser nome de banda-piada de publicitário) e todo aquele blá, blá, blá. Enfim, deixando pra lá esse comentário, vamos esquecer o assunto, afinal, é natal, open your mouth, Jesus is coming.


Doca
Sílvio Sá lidera a criação da Alodoca (Associação dos Lojistas da Doca).

Siglas toscas, vocês estão em meu coração.


Aspas
O principal foco da festa de confraternização da Aspas serão os homenageados. Facepa, Mariza, Ronald Máquinas e Schincariol receberão o título de Fornecedor Destaque 2007. A governadora, o título de Supermercadista Honorário.

- Ei, João, vou montar uma revendedora de máquinas!

- Sério? Que bacana, Ronald! Qual vai ser o nome da empresa?

- Ah, tava pensando em Ulysses Máquinas, sou fã do James Joyce, sabe?

- Que mané Joyce, rapá! Quem tu acha que é o teu público? Tu precisa de uma logomarca feia e um nome tosco!

- Er…então o que você sugere?

- Ronald Máquinas, porra! E a marca tu faz um R com umas rodinhas…

- E a governadora?

- O que tem a governadora?

- Ela foi citada nessa notinha aí de cima, precisamos fazer alguma referência a ela nesse diálogo…

- Deixa eu ver…hmmm, ela foi escolhida Supermercadista Honorária, é? Vamos ligar dando os parabéns? Como será o troféu, um carrinho de supermercado de prata?

- Melhor, pode ser uma sacola dourada.


Sem-teto
Clamor do povo no bairro do Reduto ao pessoal do Shopping Boulevard: que não derrubem a frondosa amendoeira que fica na Aristides Lobo, entre Quintino e Doca. É o refúgio de passarinhos e periquitos nos finais de tarde. Uma campanha tá vindo por aí.

É, seus capitalistas malvados! Deixem a amendoeira em paz, será que vocês não ouviram falar que o aquecimento global está derretendo a calota polar?!


Ganhadora duma promoção nacional, a cantora Katarina Ávila voltou de SP com visual novo depois de dias de princesa em hotel 5 estrelas e jantar com Zezé di Camargo.

Vamos lá, vote no que você acha pior:

a) Inscrever-se em uma promoção “dia de princesa” para ganhar um banho de loja e jantar com o Zezé di Camargo.

b) Ter essa vergonha divulgada em um jornal.

c) Como jornalista, noticiar um fato dessa magnitude.

Notícias belenenses anteriormente comentadas aqui:

- Camboja Times

- Bombaim News

- Bangladesh Connections

The Oracle of Bacon

A teoria dos seis graus de separação tem uma variação que pode render uns bons minutos de diversão na web. O Oráculo de Bacon é um jogo que mede o Número Bacon de atores e celebridades. O conceito é simples: quantos graus de relacionamento separam um ator qualquer de Kevin Bacon?

A base de dados do experimento é baseada no arquivo do IMDB, ou seja, qualquer ator que já tenha interpretado um arbusto em filme ucraniano de 1991 está presente nos arquivos.

A maioria dos nomes que você inserir por lá terão Número Bacon de 1, 2 ou 3, o desafio é passar disso.  Ontem, eu e a namorada chegamos ao número 4, utilizando Fausto Silva, o Faustão, que atuou em O Inspetor Faustão e o Mallandro com Cláudio Mamberti, que estava em Dona Flor e Seus Dois Maridos com Mercedes Ruehl, que por sua vez participou de What`s Cooking ao lado de Maury Chaykin, que esteve presente em Where The Truth Lies com Kevin Bacon.

Narjara Turetta, como outro exemplo, tem um Número Bacon infinito, pois ela conseguiu a façanha de ter seu nome na base de dados, mas não obter nenhuma conexão rastreável com Kevin Bacon. Isso não foi nada divertido da parte de Narjara, pois a graça não é não possuir ligação com Bacon, mas sim ter o maior Número Bacon possível. Turetta, sua bobona.

turetta_shuterland.jpg

Mas nem tudo está perdido, lembremos que Narjara já tirou uma foto ao lado de Kiefer Bauer, que possui Número Bacon 1! Isso mesmo, Jack Sutherland fez a A Few Good Men ao lado de Master Bacon em 1992.

Conan, Corsa e Coruja

Fui um fã mediano de quadrinhos. Sempre li os blockbusters. Na passagem para a maturidade, não fiz a transição para os tais quadrinhos adultos.

Comecei com as Mônicas e Cebolinhas da minha irmã. Eu gostava principalmente do Louco e da dupla Rolo & Tina.

Como era gata a Tina, uma das minhas primeiras musas.

Lá por 1986, não tenho certeza, as revistas do Maurício de Souza mudaram da Abril pra Globo, adotaram a postura politicamente chata e conseguiram, realmente, ficar um saco.

Os amigos já falavam de Homem-Aranha e Super-Homem. Então comecei a ler Marvel e DC.

Dessa última desisti logo, rapidamente formei meu conceito sobre os heróis da DC: um monte de bundas-moles, menos o Batman, desde que não seja interpretado pelo Val Kilmer ou dirigido pelo Joel Schumacher.

Em anos como leitor, comprei centenas de revistas – na época ainda chamadas de revistinhas, pois a Abril, para economizar papel e diminuir o preço final do produto, publicava no Brasil exclusivamente aquele formato brotinho.

Acompanhei muitos heróis, mas meus preferidos eram Hulk, Motoqueiro Fantasma e Conan. Inclusive, as únicas revistas que ainda guardo são justamente as do bárbaro.

Até hoje piro nos desenhos do Jhon Buscema e nas histórias escritas por Roy Thomas, sem falar nas famosas ilustrações de capa do cafonão Boris Vallejo. As mulheres desenhadas por ele eram de outro mundo, tanto que até hoje não cruzei com nenhuma delas na vida real (essa frase foi redigida com trocadilho proposital).

Com recém-adquiridos 18 anos, enquanto cantarolava Tempo Rei, do acústico de Gilberto Gil, sempre presente no toca-fitas do antigo Corsa 95 meio verde, meio azul, realizei a proeza de ignorar um sinal vermelho e atingir a lateral traseira de um Tipo que gostaria apenas de cruzar a rua, mas, graças à minha perícia, terminou beijando calorosamente a bunda de um Chevette estacionado (história a ser contada futuramente).

Com uma deliciosa despesa de três carros amassados para cobrir, as torneiras financeiras paternas que sustentavam este então vagabundo foram fechadas. Antes de apelar para uma solução drástica, que poderia envolver a comercialização de recantos íntimos do meu corpo, preferi buscar soluções alternativas.

A venda de revistas em quadrinhos para um sebo poderia auxiliar o orçamento. Eu possuía centenas delas, quem sabe embolsaria alguns caraminguás.

Reuni o maior número possível de edições sem valor sentimental, o que deve ter resultado em mais de dois terços de todas as minhas revistas. Chutando um valor, digamos que eu esperava ganhar uns 200 reais. Segui para um sebo.

Quando cheguei com minhas pesadas sacolas abarrotadas de heróis, fui recebido por um rapaz com cara de nerd, daqueles que nunca viram uma mulher sem roupa de forma gratuita.  Aparentava ser um pouco mais velho que eu. Expliquei que gostaria de negociar aquelas revistas.

Com um ar que beirava a pedância, ou melhor, pedante mesmo, ele revirou rapidamente minha coleção e decretou:

- Esse material é bem fraco, pago 30 por tudo ou podemos trocar, cinco suas por uma da loja, mas só daquela seção ali, das nacionais comuns.

Lembrando: em valores chutados de hoje, eu imaginava conseguir 200 e recebi uma proposta de 30 ou de 5 pra 1 na troca.

Como 30 reais não mudariam minha vida e aquele monte de revistas não me interessavam mais de qualquer maneira, troquei quase tudo por números do Conan que faltavam na minha coleção, mas não sem antes xingar mentalmente aquele funcionário com todos os adjetivos negativos já inventados na língua portuguesa.

O episódio foi superado, esqueci o pedantismo do rapaz nerd e não guardo mágoa, até mesmo porque os 170 reais a menos que ele me ofereceu devem ter feito grande falta em sua vida.

Ele se tornou dono de uma loja de gibis que foi assaltada, organizou um show de rock que foi um fiasco antes mesmo de ser realizado, ficou devendo deus, meio mundo e mais duas divindades à sua escolha, deu calote na cidade e sumiu.

Mas voltou. Voltou e se meteu novamente na produção roqueira, onde até conseguiu realizar alguns eventos. Quando todos achavam que seus negócios iam bem, iniciou na cidade a divulgação de um show dos chatos do Ludov. Dias antes da apresentação da banda paulistana, sufocado por dívidas, deu no pé com os trocados até então conseguidos com a venda de ingressos antecipados, caloteou a torcida do XV de Pequim e tomou outro chá de sumiço. Recentemente, reencarnou como funcionário de uma franquia de fast food e, provavelmente, aguarda uma nova chance de despontar para o anonimato.

Moral 1: investir em quadrinhos depois dos 15 anos pode lhe render um emprego no McDonald`s.

Moral 2: não conte pra namorada nenhuma que você gosta do Conan.

Moral 3: se escutar Gilberto Gil, não dirija.


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Ó as tuítada aê

  • discordo, a vibe é sincera e a emoção está na pele RT: @vcunha: Isso não é cool: http://www.flickr.com/photos/rockworkbelem/4195746047/ 1 day ago
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