Arquivo para Janeiro, 2008

Ivete X Ivete

Ora, e hoje recebo com um grande sorriso a notícia de que ganhei uma camiseta no concurso promovido pelo Blog de Guerrilha para encontrar as semelhanças entre os comerciais da TV Ivete e da Cerveja Ivete. Muito obrigado ao pessoal da Espalhe pelo presentinho. Abaixo reproduzo o texto que enviei pra lá.

Ivete X Ivete

1 – Os dois comerciais não exibem as pernas descobertas de Ivetão. Se a intenção era apelar “pro popular” e “nivelar por baixo”, era melhor aplicar a Política É o Tchan de Entretenimento®: a música é ruim, mas a mulher é boa.

2 – Em ambos os reclames, podemos notar a exagerada presença do planejamento cri-cri, essa simpatia que agora reina na propaganda nacional. A presença cri-cri planner se caracteriza na compulsão de enfiar na idéia criativa todos os resultados de pesquisa, conceitos, estudos e observações que na teoria são lindos e cheirosos, mas que na prática são tão inócuos e enjoativos quanto perfume exagerado de atendimento. “O Focus Group disse que cerveja no verão lembra alegria, praia e amigos, um clima leve, pega leve, sacou, hã? É forte, tem pegada, heim?”.

3 – O histórico de não fazer diferença das duas marcas também foi respeitado, assim como a cabeça do consumidor. “Se tecnologia é sinônimo de Sony, não é justo embaralhar a cabeça do consumidor nos posicionando como trendsetters. Vamos homens, convoquem Ivete, façam um jingle!”. Já no QG Schin, o papo não foi muito diferente: “ei, eles descem redondo há anos e ninguém gosta da nossa cerveja mesmo, não é agora que isso vai mudar, não é mesmo? Vamos homens, me tragam Ivete, quero um jingle na minha mesa em 5 minutos!”.

4 – Os dois clipes, digo, comerciais, também se mostram antenados com uma das grandes expressões em moda nos dias de hoje: information overload. “Uau, o filme ficou ótimo! Vai contribuir bastante na absurda quantidade de informação que o consumidor médio recebe diariamente e esquece assim que muda de canal ou vai fazer xixi! Vamos, me tragam esse mapa de mídia aqui, quero inserções, muitas inserções, entenderam? Uháháháhá, vamos levantar poeira!” (risada maquiavélica com intervencionismo ivetesco detected).

5 – O realismo é outro traço marcante dos filmes. O clima geral de otimismo, felicidade e bundalelê diz muito sobre a natureza do nosso povo, que nunca antes na história deste país viu tanta alegria junta em comerciais que não dizem nada.

6 – Outra qualidade das duas produções é a sua capacidade em alegrar os publicitários argentinos que, ao tomarem conhecimento de tais campanhas, têm cada vez mais certeza de ter nos ultrapassado como liderança criativa regional e mundial.

7 – Mostrando inovação e ousadia, os dois comerciais possuem em comum uma última característica: o elemento clichê-étnico-descolado mais utilizado na publicidade brasileira dos últimos 10 anos. Ele, o homem, a lenda: o afro-descendente de cabelo black power dançante e sorridente (no da Schin é mais difícil de encontrar, mas ele está lá, procure).

Beach Boy

Quatro anos sem pisar em uma praia me fizeram esquecer o cheiro do mar e o caminhar na areia. Foi bom reencontrar as duas sensações.

A agonia que o calor me causa eu ainda lembrava, assim como o terrível atrito da areia com meus pés devido ao movimento das tiras de borracha das havaianas. Não, eu não ando de sandálias na areia, mas calço as mesmas quando saio da praia, ué.

Já conhecendo a fragilidade da minha coloração de pele, me entupi de filtro solar, conseguindo boa cobertura, apesar da odiosa oleosidade adquirida no rosto. Esqueci apenas de proteger do joelho pra baixo e a parte de cima dos calejados pés. Obviamente – mas não tão óbvio pra mim, amador que sou no assunto praia, saí com essas partes do meu corpo devidamente tostadas, queimadas e flambadas após as horas de exposição solar, mesmo parcialmente abrigado sob a sombra de um providencial guarda-sol.

Sem nenhuma intimidade com a água salgada, os esportes de verão e outras diversões típicas deste local chamado praia, optei por encher a cara de cerveja, atividade na qual tenho relativa desenvoltura.

Conforme tornava a AMBEV uma empresa mais rica, fui obrigado a fazer algo que todo mundo faz, mas que eu não lembrava mais que todo mundo fazia: o xixi no mar. Em minha inocência, achei que encontraria fileiras intermináveis de banheiros químicos à disposição dos bêbados que não pretendiam entrar em contato com o sal aquático, mas não: a única opção disponível para realizar meu download urinológico eram os domínios de Poseidon.

Apesar dos avisos dos amigos, insisti em entrar na água de óculos escuros. “Não vou mergulhar”, repeti algumas vezes. E lá fui.

Andei até que a água cobrisse minha cintura. Estava tudo tranqüilo, mesmo considerando aquele ambulante que vendia apitos que reproduziam os sons de um gato apanhando. Comecei a aliviar a bexiga com facilidade e a me divertir na água. Sei lá quantos anos eu não pulava ondas e isso estava voltando a me parecer algo legal. Até que me distraí um pouco e notei um volume de água consideravelmente maior se aproximando.

“Oba, essa é de mergulhar!”, comemorou um garoto de uns doze anos ao meu lado. Rapidamente percebi que um humilde salto meu não resolveria a questão com a onda de tamanho avantajado que chegava perto e, tomado por um espírito menino-do-Rio-calor-que-provoca-arrepio, pensei: “ah, é fácil, é só mergulhar no meio dessa merd…GLUB! GLEUBS! GALUB!”.

Tal qual uma Preta Gil pós-água sanitária, fui ao fundo, ralei o joelho, tive as pernas reviradas para o alto, mas levantei com graça e desenvoltura, antes mesmo que minha namorada, da areia, capturasse o vexatório momento e o guardasse para sempre em sua memória cômica.

Ao voltar à superfície, notei que o mundo estava mais claro e o sol exibia grande brilho e esplendor. “Puta merda, perdi os óculos”. Tentando disfarçar a perda, ainda olhei ao redor como quem não quer nada, mas o mar, esse trombadinha filho da mãe, levou meu belo par de lentes escuras, o par cuja compra foi testemunhada por Mussa, o brevis.

Mesmo com contratempos como esses, o feriadão foi divertido. Beaches, be prepared, i`m back (estou ótimo de trocadilhos).

Monstros japoneses destruindo cidades

Essa glamourização da comida japonesa me irrita profundamente.Quem curte vira uma pessoa legal. Já aqueles que tiverem a pretensão de não gostar estão condenados ao inferno das pessoas difíceis, mal humoradas, estraga-prazeres, verdadeiras bestas desinformadas e de gosto duvidoso.

Preferir uma pizza de pepperoni ao invés de um sushi? Heresia! Traçar uma picanha gordurosa ao invés de um peixinho de aquário com roupagem descolada? Quem você pensa que é, heim?!

Semelhante ao Chico Buarque, a culinária oriental alcançou as massas de maneira relativamente recente, hoje sendo encontrada até em restaurantes por quilo pouco confiáveis (que inclusive podem apresentar como fundo musical alguma canção chiconiana). Esse fenômeno trouxe à tona um tipo de tópico cotidiano que não existia em um passado recente: as conversas sobre culinária japa protagonizadas por pessoas que não entendem patavinas do assunto.

Aí você, que acha que temaki é um sorvete de peixe com arroz, se vê no meio de uma acalorada conversa em que todos parecem ter uma necessidade bíblica em explicar como preferem seu sashimi ou relembrar em detalhes a primeira vez que provaram uma dessas porcarias com nome de pokemon.

Comum em muitos relatos é o fato da pessoa não ter gostado da gororoba nipônica na sua primeira vez. Duvido que o mesmo tenha ocorrido com a primeira feijoada ou lasanha, mas tudo bem, não falarei do quanto a pressão social pode influenciar nas suas escolhas gastronômicas porque escolha gastronômica é que nem culinária, cada um tem a sua preferida (aqui eu tentei fazer uma piada com aquela expressão “gosto é quem nem cu, cada um tem seu”, mas ficou péssimo, eu sei).


Cerca de um ano atrás, aqui mesmo neste blog:
“Sem nada decente para comer, resta ao japonês passar a vida inteira concentrado inventando maravilhas como o Playstation e a mais bizarra programação de TV do mundo (mas os efeitos da comida ruim também se manifestam em outra parte da população, vide os quadrinhos e desenhos animados).”

Blá, blá, blá

Janeiro é o mês de opinar sobre o BBB. Ninguém admite que gosta do programa ou já gostou de ao menos uma edição. É muito mais seguro vociferar contra e repetir aqueles discursos prontos que a inteligência média definiu como a “posição correta” a ser adotada nessa questão.

O que me intriga é porque essas pessoas que odeiam o programa se importam tanto em opinar a respeito e parecem ignorar que quase toda a programação da Globo e da TV aberta é uma imensa porcaria. Várias das atrações globais, inclusive, são conceitualmente muito mais nocivas que o BBB.

O Fantástico veste sensacionalismo barato de “jornalismo”, “denúncia”, “opinião” ou “defesa do consumidor” e o cara que se preocupa em dizer que não assiste o BBB “porque é coisa de gente sem cérebro” parece nem reparar.

Renato Aragão, há anos, diz às crianças que é legal enganar os outros pra conseguir uma grana ou que pode ser muito divertido apontar o dedo na cara do amiguinho e chamá-lo de viado, mas e aí, é o BBB que torna alguém idiota? Aliás, pela idade de muitos dos participantes do programa, eles provavelmente já assistiram ao Didi solitário, sem a alma chamada Mussum ao seu lado e pior, também viram bastante Xuxa na vida. Não surpreende então que tenham essa consistência de manteiga.

Não, isso não é uma defesa do BBB. O programa, do modo como a Globo leva, realmente é horrível, mas isso não quer dizer que não possa ser divertido (Chaves sempre foi uma droga e muita gente [eu não] se divertiu ou se diverte com aquilo). Só não tenho acompanhado a edição atual porque a emissora, sempre medrosa e conservadora, conseguiu acabar de vez com uma fórmula que poderia ser muito interessante desde que a intenção fosse não levar aquelas pessoas a sério. O problema é a obsessão global em criar uma novelinha com heróis e vilões. Quer dizer, problema pra quem ainda acredita que uma rede de TV aberta consegue produzir algum conteúdo que preste.

No fundo, quem se importa demais em expressar tanta indignação contra o BBB – esquecendo o oceano de cocô pop que nos cerca, tem um prazer culpado em perder uns minutos assistindo uma participante pagar peitinho ou torcendo para que termine em pancadaria aquele barraco iniciado quando alguém esqueceu de lavar a louça.

Ei, indignado do BBB, relaxe. Falta de conteúdo é o que mais abunda no mundo, não crie cabelos brancos por causa de um único programa de TV.

Snif, eu só queria jogar

(e este blog continua em nerd mode on)

Esse é um Mega Drive Portátil.

Mega_Drive_Portátil_e_defeituoso
Ele é pequeno, muito pequeno. É leve, bastante leve. Vem com 20 jogos na memória e só. Não tem cartucho e nenhum tipo de conexão que permita a inclusão de outras coisinhas. Isso não chega a ser um problema, afinal, na época em que ele era um videogame grande alimentado por cartuchos, a imensa maioria dos usuários não chegou a ter 20 jogos próprios mesmo e, nos tempos atuais, em que qualquer joguinho em flash na web é muito superior a esses antigos sucessos, você compra um Mega Drive desses mais por nostalgia do que por diversão.

Ele funciona com apenas 3 pilhas palito, o que parece ser uma roubada à primeira vista, mas não, as 3 pilhas até que respondem bem e, pelo menos na minha mão, agüentaram umas duas horas jogando e, desde sábado, ainda não pararam (mas joguei pouco devido ao defeito que relatarei a seguir).

A grande bola fora do pequeno console comigo é que ele não completou nem 24 horas funcionando corretamente.

Não, ele não caiu no chão, não foi mergulhado em ácido sulfúrico e tampouco foi utilizado como calço de porta.

Sem nenhuma explicação aparente, os botões simplesmente começaram a funcionar por conta própria, no meio dos jogos, sem que o jogador – no caso eu – os pressionasse.

Comprei na Americanas.com, avisei o site do defeito no produto com menos de uma semana (o prazo máximo para que eles efetuem uma troca ou devolvam meu dinheiro). Caso eles não se manifestem, o que acho muito provável – vide a cultura de respeito ao consumidor reinante no Brasil, apelarei para a garantia da TecToy, o que não me satisfaz, já que após o defeito não quero outro console e sim a grana de volta, pois o Mega Drive Portátil acabou de ser laçado e esse defeito, provavelmente, deve atingir boa parte desses primeiros aparelhos.

Enfim, se você, como eu, gosta de uma jogatina tosca, não compre esse Mega Drive Portátil. Aguarde mais um pouco. A TecToy deve corrigir esses primeiros problemas e quem sabe lançar outras versões com mais jogos ou funcionalidades (aceitar um cartão de memória pra tocar MP3 e funcionar como Pendrive, por exemplo, seria uma boa).

Portátil nostálgico por portátil nostálgico, esse aqui deixa qualquer outro comendo poeira.

Prefiro bermudas

Comprar roupas é legal, desde que não sejam calças.

Sapato é coisa bem simples. Gostei desse, tem 42? Vou levar. Não, não preciso experimentar.

Camiseta é legal ver como fica. Às vezes o G de uma marca é o M de outra. As mais moderninhas fazem um G que parece um PP, mas dessas eu fujo. Independente do tamanho, também é um processo rápido: gostei, serviu, embrulha.

Mas e o diabo das calças? Quantas pessoas no mundo conseguem comprar e sair da loja com essa peça de roupa pronta para ser usada?

Cintura apertada, barra comprida, apertada na bunda, folgada demais no vale das diversões pubianas, caimento geral esquisito, tecido mole demais, material confortável, mas feio. As calças possuem detalhes demais a serem observados para que a experiência de uso seja realmente satisfatória.

Só um tipo de pessoa não possui problemas com calças: os não muito magros, não muito gordos, não muito baixos e não muito altos, ou seja, os indivíduos que poderiam ser classificados como “normais”. Mas responda, você conhece alguém normal?

Eu sou baixo, não posso ser considerado magro e o único exercício físico que pratico com alguma regularidade é subir as escadas do meu prédio (não tem elevador e moro no terceiro andar – sim, já ouvi 384 vezes comentários do tipo “pô, e subir isso aí bêbado, heim?”), ou seja, sou gordo. E gordo tampinha.

Essas condições físicas tornam o ato de comprar calças um suplício pra mim. Jamais posso adquirir umazinha que seja sem experimentar antes, já que o excessivo arredondamento da minha cintura exige tamanhos que provocarão sobras de barra consideráveis nas pernas.

Juntando as sobras de tecido das barras de todas as calças que já tive na vida, poderíamos construir um Cristo Redentor Jeans ou abastecer a Vila Madalena com retalhos durante 2 anos.

Ah, o ato de experimentar, que tal? Os cubículos não-refrigerados que as lojas chamam de provadores são um exercício de tolerância para qualquer gordo e, do lado de fora, ainda temos de aturar a obrigatória voz do vendedor corroendo os últimos fiapos de qualquer paciência: “Argenor, que tal uma pólo pra combinar? Asdrúbal, chegou uma coleção nova de pochetes, quer ver? E aí Astrolábio, ficou boa a 56?” (e o cara, que mal conseguiu passar as calças do joelho, ainda vai ter que clamar constrangido pelo número 58).

E pode ser impressão minha, mas penso que nos últimos anos o tamanho das calças está diminuindo. Entre períodos de engorda-emagrece, mantenho mais ou menos o mesmo corpo há uns 15 anos e lembro que, em uma distante década de 90, já consegui vestir 42 e, acredite, até mesmo 40. Hoje abro um efusivo sorriso quando consigo entrar em uma  44, mas como privilegio o conforto da granja, logo peço o 46.

Piadinha geek

Adaptei para a língua pátria (e deixei graficamente mais bonitinha) essa piadinha que o Wandeko viu no Freeko e me passou por MSN.

PC, Wii, Xbox, PS3?

(clica que amplia, rapaz!)

[Amor, não me deixe por causa disso, eu posso ser mais adulto. Juro que não trocarei a viagem de carnaval pela compra de um Wii.]

Vintepoucos, quasetrinta

Beirar os 30, como qualquer outra faixa etária, tem suas preocupações típicas: estou ficando velho, ainda não estou rico, sou um fracasso, tenho apenas mais alguns anos até que realmente não me enxerguem mais como “jovem”, etc e etc.

Estar casado e/ou com filhos minimiza um pouco essas reflexões desesperadas dos 30. Nessas condições, geralmente a vida já cobra do sujeito alguns sinais exteriores que o mundo esperaria de alguém com maiores responsabilidades: diversão somente nos finais de semana, cada vez mais o cara larga as noitadas por churrascos no sábado, idas ao supermercado ou compras em uma dessas lojas que vendem torneiras e sofás.

Outra mudança possível para o quasetrinta casado e/ou com filhos é no vestuário. Saem as camisetas de banda e tênis mal lavados. Entram golas pólo e botões em profusão. Os calçados esportivos pulam fora do armário apenas aos sábados e domingos e são aqueles modelos de corrida, muito utilizados por tiozões e por, ora bolas, corredores.

Apesar de habitar a fronteira trintona, ser chato, ranzinza, estúpido e possuir amargo retrogosto, procuro manter aceso meu espírito vintepoucos e isso vem ocasionando algumas situações curiosas.

Por exemplo, neste começo de ano, como todo adulto que ainda não ficou rico, minha conta bancária anda meio desanimada, triste, tristinha, tadinha. Mesmo assim, alguns itens de consumo exibem seus atributos mais primitivos, exigindo de mim decisões enérgicas sobre o que realmente precisa ser comprado e o que é supérfluo.

A questão do momento é que meu lado quasetrinta (e os dias de calor em São Paulo) exigem a compra de um circulador de ar novo. O ventilador que adquiri em 2006 no momento descansa em paz no céu dos eletrodomésticos vagabundos, em parte por culpa minha, pois o aparelho veio desmontado e eu mesmo tive de montá-lo, com resultados obviamente sofríveis, pois parei de ler o livro “faça você mesmo” após concluir o capítulo da pipoca de microondas. Ah, o circulador custa algo entre 100 e 200 contos, dependendo do modelo. Beleza, cabe no orçamento do mês.

O problema é que meu lado vintepoucos agora deseja uma pistola para jogos de tiro no Playstation. A oficial custa de 100 a 150 mangos, relativamente fáceis de encaixar na conta de outros meses, menos nesse apertado janeiro. “Pô, então deixa isso pra depois ”, você pode dizer. “Pra depois é o cacete!”, digo eu, quer dizer, o eu moleque, o eu-arte, o garoto, gordo e travesso, não o responsável adulto quasetrinta que não consegue mais acordar cedo e trabalhar normalmente em uma sexta após farra homérica na quinta.

O também auto-prometido – mas nunca comprado – aspirador de pó é outra necessidade trintona adiada mensalmente em favor das prioridades irresponsáveis, assim como a revisão do encanamento do banheiro, a compra de um colchão novo e os meus geniais projetos para resolver os conflitos do oriente-médio, acabar com concentração de renda na sociedade brasileira e fazer o trânsito paulistano andar para algum lugar que não seja o nenhum. Assim que eu crescer volto a falar desses assuntos.

Dos que imploram por atenção

Cá reflito com minha fivela: alguém ainda cai em um e-mail spam? Até entendo os motivos de empresas picaretas e estelionatários em geral insistirem nessa forma de comunicação, pois a mesma é praticamente gratuita.

Digo praticamente, porque seja lá qual for a tranqueira a ser divulgada, existe algum custo para enviá-la: energia elétrica, mensalidade do provedor, hora na lan house, 5 reais pelo cd piratão com 450 mil endereços de e-mail, etc. Mas nada disso vem ao caso no momento.

Infelizmente, o spam já está tão incorporado ao nosso cotidiano que as pessoas nem se irritam mais quando recebem, apenas apagam as mensagens de maneira automática, independente do meio em que a mesma foi recebida: e-mail, orkut, blog ou qualquer outra ferramenta virtual em que um pilantrucho do papai ache conveniente divulgar um novo método de emagrecimento.

Procurando por um e-mail importante que achei ter deletado junto com toda a porcaria virtual, hoje acabei por reparar nos nomes de remetentes spamaníacos que estavam no limbo da lixeira de uma das minhas contas de e-mail.

Descobri então que em 12 de dezembro de 2007, Fofana Lamine, uma americana, pede que eu “veja os detalhes de sua mensagem”. Preferi não abrir, mas imaginei uma obscura branquela anglo-saxã com o corpo em formato de melancia. Imagino que Fofana buscava um amante à moda antiga, um cabra para chamar de seu, a salsicha viena que daria mais sabor à sua baguete. Educadamente, me incluí fora dessa.

Dias antes, a Central do Gado me enviou seu informativo mensal. Resolvi abrir. Soube então que havia novilhas girolando em Mococa, 30 éguas manga larga e 40 burros estavam em BH (seria uma espécie de turnê nacional?) além de 170, isso mesmo, cento e setenta vacas também girolando em Araxá. Não cliquei em nenhum link do e-mail da Central do Gado, mas prometi me informar sobre a história das giroladas. Se tiver zoofilia no meio vou descer a porrada nesse pessoal, quem eles pensam que são para me enviar esse tipo de imoralidade?!

Outro que adora me mandar coisas das quais não tenho interesse em saber é Valfredo Guida, sempre teimando em divulgar os shows de um tal Marcos Sacramento. Jamais ouvi coisa alguma de Sacramento, mas como posso confiar na produção musical de alguém que só conheço através de e-mails indesejados enviados a mim por um desconhecido com nome de artista plástico que utiliza garrafas PET em suas obras? Aposto que ele calça sandálias baixas de couro e só lava o cabelo no dia de Iemanjá.

Mas não são apenas Valfredo, Central do Gado e Fofana Lamine que gostariam de estabelecer algum tipo de contato comigo. Também recebo com frequência mensagens de Rhea Fitzgerald (parente da Ella?), Suleika Z. Machado (que no título do seu e-mail misteriosamente diz “será aprovado”), Blake Blair (ótimo nome artístico para ilusionista brega que faz show em Las Vegas) e Célia H. Gezeler (uma dessas pessoas ligadas à área de RH e ao mundo das palestras motivacionais – aposto que anda com aquele livrinho dos minutos de estupidez na bolsa).

Aliás, o mundo das pessoas envolvidas com motivação pessoal/profissional me fascina. Outro dia volto ao assunto, após tomar um ou dois comprimidos de Imosec.

8 jogos em flash para as massas (e para a sua demissão)

Espantando a preguiça de postar nesses primeiros dias do ano, começo 2008 justamente fazendo uma ode à vagabundagem corporativa.

Com vocês, 8 joguinhos on-line para momentos de pouca produtividade (cuidado com quem passa perto do monitor).

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Space Invaders
Não tive Atari (meu primeiro videogame foi o Odyssey) e também não sou do tempo dessa velharia chamada Space Invaders nos fliperamas, mas devo admitir que esse negócio quebra um bom galho em momentos de tédio.

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Desktop Defense
Um dos meus preferidos de todos os tempos e simplesmente viciante. A mesa do escritório está sendo invadida por bactérias, moléculas, vírus ou coisinhas orgânicas microscópicas que ameaçam a paz corporativa! Monte sua rede de torres de defesa e impeça que essas criaturas nojentas cheguem até…o outro lado da mesa!


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Genius
Lembra do Genius? Então, ta aí uma das inúmeras versões on-line que ele possui. Escolhi uma de visual bem tosco só pra fazer um charme e deixar claro que fiz essa lista na maior preguiça.

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Be Jeweled
Clássico puzzle para fãs de Tetris e afins. Perdi horas da minha vida jogando isso no Palm. Aliás, a vida é uma eterna perda de tempo, não é mesmo? Você perde tempo no Orkut, no trânsito, dando em cima de uma gostosa que nunca vai dar papo pra você, perde tempo discutindo assuntos sobre os quais sua opinião não tem a mínima importância, sem falar em todo o tempo que já perdemos cortando unhas lendo informações de embalagens no supermercado.

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Line Rider
Se você é nerd de web como eu, já conhece esse jogo/experimento desde que Moisés treinava a abertura do mar vermelho em uma banheira, mas, caso nunca tenha ouvido falar, cuidado. O negócio tem aquele nível de vício masoquista: você nunca consegue construir uma pista que preste, mas a vontade em continuar tentando é praticamente involuntária. Caso se vicie, faça uma busca no You Tube por Line Rider e veja o que algumas mentes insanas já conseguiram fazer com a parada.

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Cannon Fodder
Esse joguinho já teve zilhões de variações, adaptações e interpretações desde o advento do rebolado feminino como estimulante sexual. Essa versão é bem feitinha e vai agradar em cheio quem se sente mal com jogos de pixelagem tosca ou foi criado com vó em apartamento acarpetado.

jogo_aqua.jpg

Aqua Slug
Quem foi gamer nos 90 com certeza lembra da série Metal Slug, jogos sem frescura da SNK para machos que não estavam muito a fim de decorar golpes ou fazer malabarismos para desviar de coisas inofensivas como balas e granadas. Eis que algum doido fez essa versão comercial de cerveja do jogo, retirando o uniforme militar do protagonista e colocando-o em uma esfuziante sunga. Ah, e claro, a arma de fogo foi substituída por uma pistola de água.

- –

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Mario Bros
Sempre achei o Mario meio maricas e nunca fui com a cara da Nintendo, mas claro, às escondidas, eu sempre arrumava um modo de jogar os videogames da Big N, pois gamer xiita é gamer infeliz. E buscando alguma novidade para incluir nessa lista, achei essa outra velharia clássica convertida para o formato flash.


Você está muito ofendido por algo escrito aqui ou gostaria de depositar qualquer quantia em minha conta bancária? Escreva já: doda.doda@gmail.com

RSS Ressaca Moral – As últimas

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Ó as tuítada aê

  • discordo, a vibe é sincera e a emoção está na pele RT: @vcunha: Isso não é cool: http://www.flickr.com/photos/rockworkbelem/4195746047/ 1 day ago
  • Mas rapaz, tem gente que ainda acha legal fazer em formato "você sabia...?", então é claro que tem maluco que curte aquele blog. 2 days ago
  • Profânio e Petúnio foram os nomes de hoje, a data de nascimento continua 6 de junho de 1944. 2 days ago
  • Vou levar a Paola (Oliveira, minha namorada) hoje lá nos churrasquinhos da Aclimação, apareçam. 2 days ago
  • Alinhar & Dividir. Pronto, você já pode ser atendimento publicitário. 2 days ago
  • Ah, as festinhas de publicitários. 2 days ago
  • É oficial: Paola Oliveira veio buscar o prêmio ontem quase no final do prazo. Estamos namorando. 2 days ago
  • Atenção: Paola Oliveira ainda não veio buscar o prêmio que ganhou na Promoção Namore Comigo. O prazo encerra às 18h. 4 days ago

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