Essa notícia confirma o que está sendo percebido há coisa de um ano, ano e meio por qualquer navegador mais atento.
Basta ficar ligado nos comentários de blog e seu novo português, nos perfis menos elaborados (ou elaborados demais, dependendo do ponto de observação) dominando o Orkut ou – um pouco dos dois – observar a estética texto-visual dos flogões da vida.
Sem preconceitos bobos nessa hora, pro lixo os comentários afetadinhos e pretensamente bem humorados a respeito da “maldita inclusão digital” ou sobre como “a internet não devia ser para todos”. Vale rir da tosqueira do mundo? Claro, sempre. Mas reclamar de um processo inevitável é por demais inútil.
O filho da diarista está no Orkut e acompanha Lost (pela gatonet ou comprando DVD pirata com torrents gravados, mas acompanha). Ele pode ainda não ter computador em casa e uma banda larga relativamente barata à sua disposição, mas a situação será bem diferente em – no máximo – dois anos.
Já consumindo conteúdo (ás vezes o mesmo conteúdo) da mesma maneira que os “playboys” da sua idade, pergunto: quando for um pouco mais velho, o filho da diarista vai acompanhar uma novela das 8? Ainda aceitará um comercial de 30” interrompendo seu entretenimento? Vai dar alguma atenção pro Jack Bauer dublado, duas temporadas atrasado e exibido naquele horário ingrato?
Mais ou menos sabemos as respostas para perguntas desse tipo quando aplicadas às classes A e B, mas parece que as empresas grandalhonas a quem essas mesmas respostas mais interessam, em sua maioria, ainda não estão preparadas para a realidade de que o modo como os mais pobres consomem entretenimento, informação e propaganda está à beira da mesma mudança drástica que já afetou, ainda afeta e vai continuar afetando as classes mais abastadas.
A pergunta em voga agora é como se adaptar a um novo Brasil em que as classes C, D e E já respondem por metade do consumo do país. A Natura, por exemplo, perdeu a liderança pra Avon por não ter uma estratégia de marketing para as classes C e D. O filho da diarista lá de casa acessa sim a internet, tem orkut, está criando o seu blog e fala em fazer um video da banda da sua igreja pra colocar no you tube…