Dos lugares que não gosto em São Paulo, certamente aquele que mais vou é a Augusta.
Claro que minhas frequentes idas ao local não ocorrem por vontade própria. Ando por lá muito mais pelas combinações de noite da namorada e dos amigos do que por qualquer outra coisa.
Os lugares vivem lotados, é difícil transitar pela apertada calçada e tem posers deslumbrados demais pro meu gosto circulando na área. Não, não tenho absolutamente nada a ver com a escolha de pose que as pessoas fazem, mas tenho o direito de optar por não estar no mesmo local que essa gente.
Mas as razões do parágrafo anterior não são lá muito relevantes, do contrário seria melhor mudar de cidade, pois lotação máxima e deslumbramento não são exclusividades da Augusta.
O que mais me incomoda na área são os malas de bar. E a Augusta provavelmente possui a maior densidade demográfica de chatos de bar do mundo.
Não é apenas o pobre coitado morador de rua que pede um cigarro, esse não tem muito o que fazer além disso mesmo, não se pode culpá-lo.
O problema é o vendedor peruano de badulaques da Bolívia, o traveco distribuidor de flyer que acha engraçado repetir gírias gays que você escuta até no Zorra Total, a dupla de músicos bêbados vendendo CD a 5 reais “pra divulgar esse nosso trabalho”, o poeta alternativo que enche o saco até que você compre um poema que ele faz na hora, a vendedora de balas que jura querer apenas um prato de comida, o barbudo misterioso de visual ZZ Top que tenta se infiltrar em qualquer rodinha de conversa contando das suas loucas viagens pela América do Sul ou o drug dealer intimidador que julgou sua turma como potenciais clientes só porque alguém riu mais alto.
E esses são só alguns.
Dar papo pra esse tipo de chato pode ser divertido pra quem carrega doses de bom humor na carteira ou chega na rua pela primeira vez. Não é o meu caso.
E por toda a falta de apreço que tenho pela famosa via, lamento muito a mudança de endereço do Studio SP da Vila Madalena para a Augusta, mas como a minha opinião não vale nada, logo, logo estarei por lá como boa mulher de malandro que sou.
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