Arquivo para Maio, 2008



Desculpas modernas para o envio de links

Todos sabemos que é humanamente impossível ler, ouvir ou ver tudo que o ócio corporativo consome na internet e chega até nós em formato de link.

Nessas, empolgado com aquele vídeo que fez você passar vergonha no escritório de tanto rir, você o enviou para o seu amigo espertão (muito mais desocupado do que qualquer outro) e recebeu uma típica resposta sabichona-arrogante do tipo “ah, isso é velho” ou “já vi”.

Essa relativamente nova situação social anda exigindo o emprego de frases de justificativa prévia, utilizadas como escudo anti-sensação de “pô, tô por fora mesmo”.

É só escolher de acordo com a sua intenção/estado de espírito:

- Não sei se você já viu, mas segue aí [link]
(estou na dúvida se você já viu, acho que provavelmente não, mas com essa frase já desarmo você de uma resposta torta que poderia cristalizar na sua cabeça a idéia de que eu sou um analfabeto digital)

- Gente, só eu ainda não tinha visto o jeremias / menina pastora / tapa na pantera / vanucci bêbado / caralho a quatro? [link]
(eu sou descolado e bem informado, vocês sabem, mas dessa vez confesso que perdi o bonde, gente! Hahaha!)

- Deve ser velho, mas tá valendo [link]
(caso seja realmente algo manjado, não to a fim de ouvir o que você tem a dizer e nem de me explicar a respeito de porque só vi isso agora)

- Já viu, né? [link]
(eu assumo a derrota, você já viu, eu sei, nem me animo mais a enviar alguma coisa, snif)

- Eu sei que deve ser velho, mas ó aí [link]
(desculpa incomodar com a minha falta de informação, mas de repente você ainda não viu e sabe…já viu? Ah, tudo bem então)

- Foda-se se alguém já tiver visto [link]
(cansei de mandar coisas e sempre ser rechaçado, experimenta falar que é velho pra você ver! Vai, experimenta!)

- Você com certeza já viu, mas eu ri tanto, sabe? [link]
(antes de responder de um jeito estúpido que sempre me deixa pra baixo, já deixo no ar que possuo a certeza de você ter visto e que também estou no clubinho dos que gostaram, ok?)

- Por que eu sempre sou o último a ver essas coisas? [link]
(que divertido, consigo passar o link e ao mesmo tempo dou a impressão que estou tirando um sarro de mim mesmo, pois sou conhecido por nunca saber de nada, hahaha!)

- O que vocês acharam do [link]?
(a maioria já deve ter visto, mas como alguns ainda devem estar por fora, dessa maneira consigo três coisas: passar o link, dar uma de descolado com os que ainda não viram e elevo a moral do grupo, pois dou a impressão de que considero todos muito bem informados e antenados com o que rola na web, já que subentendi que todos sabem do que estou falando e estou até pedindo opinião)

Comecei a escrever essa droga pra cá, mas achei que ficou dentro dos padrões Ressaca Moral de inutilidade. Então tá lá também, mas com o clique de Messias Jardan.

Dia médio

Damaso em São Paulo nunca é uma boa notícia para o meu fígado, mas os donos dos botecos augustolinos adoram. Como sempre, em algum momento da conversa, entre os comentários de baixo calão usuais, acabamos falando das nossas cidades, essas entre as quais vivemos (ele com bem mais cidades do que eu, já que adora se embrenhar em buracos tão distintos quanto Montevideo e Rio Branco [capital daquele estado que não existe]).

E hoje, com leve gostinho de corrimão de repartição pública na boca, acordei bem mais cedo que o normal a fim de buscar a minha nova Carteira Nacional de Habilitação no (sempre horroroso em qualquer estado) Detran.

Ao contrário do que o meu pessimismo público imaginava, o documento já estava lá prontinho, com a foto escrota impressa e tudo. Como resolvi a bobagem muito cedo, decidi ir pra agência a pé. O Detran fica ali na fronteira da Vila Mariana com o Ibirapuera e eu trabalho no vizinho Paraíso. A caminhada não exigiria habilidade (fora saber andar), apenas disposição.

Então foram 40 amenos minutos com as próprias pernas para tirar a ressaca. Teve o sobe e desce tradicional do relevo paulistano, uma parada em padoca genérica para o café e dois encontros com a 23 de maio pelo caminho.

A cidade não foi pensada para quem anda com os pés, foi feita para pneus apressados viverem parados. Isso explica muita coisa e um dia ainda passarei horas filosofando sobre as entrelinhas que pretensamente acredito que essa frase possui, mas por enquanto me conformo em concluir o quanto gosto daqui. E foi só um começo de dia ordinário e ainda agravado por uma ressaca. Tudo mais ou menos culpa do Damaso.

Conclusões

Me incomodo com pessoas que gostam de Tim Maia Racional. Os dois discos (um terceiro vem por aí nos próximos tempos com sobras de estúdio e picaretagens diversas) sofrem de um culto por vezes ignorante. Os pseudos qualquer coisa que dizem amar os álbuns o fazem muito mais para grudar na testa um selo de inteligência musical do que por ter entendido alguma coisa tocada ali – e nem falo das letras, que são uma porcaria a olhos vistos, mas da música mesmo. E não, não entendo patavinas de música, mas sei perceber uma pose quando vejo uma. Para ficar na moda em São Paulo basta um chapéu fedora e duas letras da fase racional decoradas.

E os homossexuais indies adoram enrolar um cachecol no pescoço e andar só de camiseta. Que frio estranho. Sendo bem machista: pano no pescoço é gay pra cacete.

Então vejo um novo trailer de Metal Gear Solid 4. Só eu acho chato? Os jogos da série pra mim são tipo filme nacional: todo mundo fala bem, mas quase ninguém se dá o trabalho de conferir pessoalmente e, quando confere, diz que é bacana só pra não olharem feio, já que a crítica definiu que opinar o contrário seria bobo da sua parte.

Desce mais uma

Quando ameaçam regular, moderar ou proibir qualquer forma ou modalidade de publicidade, a turma se une e entidades de classe (que só aparecem nessas ocasiões) saltam das tamancas com ladainhas de como a propaganda é boazinha e as ruas da cidade ficarão mais perigosas à noite sem outdoors com o sorriso do Gianechini iluminando a calçada.

Nessas ocasiões é melhor chamar alguém de fora pra defender o ganha-pão. A argumentação do Fiuza deixa no chinelo as bobagens reverberadas pelos engravatados líderes de siglas.

5 motivos para andar fantasiado de galinha

1 – Você escapa de vários dos entreveros urbanos, pois não se tem notícia de galinhas que já foram assaltadas ou tomaram multas de trânsito injustas.

2 – A mulherada vai pirar, pois a maioria delas jamais beijou ou fez sexo com uma galinha, mas boa parte já deu pra um mané feio só porque ele tocava em alguma banda, daí pra pegar um sujeito em trajes galináceos é um pulo.

3 – Galinhas nascem sob um signo, mas segundo a lógica social dominante na astrologia, elas não têm direito a ele, então nunca mais você precisará responder a irritante pergunta “qual o seu signo?”.

4 – A economia de sabão em pó no seu lar será significativa, pois dentro de uma fantasia de galinha é dispensável o uso de peças de roupa, inclusive cuecas, o que gera ainda a impagável sensação de poder criar o djavan em liberdade, soltinho, soltinho.

5 – Caso você dê um vexame após tomar uns gorós, alguém pode filmar a presepada e “o vídeo da galinha bêbada” será um sucesso na internet. Quando o vídeo atingir dois milhões de views você entra com um processo em cima do google, dos blogs que republicaram a filmagem e dos sites que fizeram camisetas com estampas alusivas ao episódio.

O cristal é líquido e o plasma é um bocó

Televisão, notebook, desktop, celular, iPod, câmera digital, caixa eletrônico, mídia do metrô, PSP.

São muitas telas por dia e quanto mais dinheiro se ganha, mais telas entram na conta.

Os que possuem rendimentos de menor musculatura tem quantidade inferior de telas à disposição, então estão menos expostos às radiações e luminosidades que as mesmas emitem e teriam menor possibilidade de desenvolver problemas de vista e coisas mais graves que ainda não foram comprovadas, como o câncer de retina e as lágrimas de crocodilo.

Porém, caso o organismo dos muito expostos esteja criando uma resistência aos efeitos nocivos da exposição excessiva, estariam os pouco expostos perdendo o bonde da evolução?

E mesmo com as dezenas de pontos obscuros a respeito do seu consumo, as telas seguem desejadas. Todos querem mais telas.

Muitos parcelam telas gigantes em trinta e duas ou mais absurdas prestações e, no total, poderiam ter comprado até mais que uma dessas telonas, quem sabe um monte de telinhas e isso tudo foi baseado em especulações absolutamente carentes de fundamento.

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