Arquivo para Junho, 2008



Notas do ego

Parada nova na área
Placa na Cueca é um blog sobre mulheres, sexo e amor, ou seja, tudo o que é mais importante na vida. Uma visão machista do mundo, mas pelos olhos de machos modernos, aqueles que fingem aceitar e até convivem bem com tudo isso que está aí. A equipe de estelionatários responsáveis pelo endereço é formada por Marcelo Damaso, Rafael Guedes, Tylon Maués e eu mesmo. Não repare nas instalações ainda rústicas, o blog está em soft opening e durante os próximos dias deve ganhar sensíveis melhorias.

Coisas que não consigo ler porque não saio da frente do computador ou porque estou jogando videogame
- Umidade – Reinaldo Moraes
- Garotos da Fuzarca – Ivan Lessa
- Praticamente Inofensiva – Douglas Adams
- Matéria com o Gabeira na Rolling Stone de maio

Não parei de ouvir essa semana
- American Boy – Estelle ft. Kanye West
- My Drive Thru – Julian Casablancas, Santogold e Pharrell (produzida para ação publicitária da Converse)
- Weezer (o novo red album) – Weezer (ainda formando uma opinião, mas por enquanto não é das mais positivas)

Cuecas Samba-Canção que não ganhei no Dia dos Namorados, mas que ficaria muito feliz de receber em qualquer outra data

AC/DC

Stones

Gamer

Pacman

Lua na casa 12

“Porque você sabe, eu sou de escorpião com ascendente em áries, aí já viu, né?”

São doze os signos na configuração zodiacal mais popular no ocidente, não é isso? Então são também doze conjuntos de características que alguém precisa assimilar para entender uma frase como a das aspas mais ali em cima e, como se isso não fosse o suficiente, ainda tem a invenção do tal ascendente, ou seja, além de conhecer doze personalidades, ainda é necessário entender alguma coisa do tipo de barafunda que pode sair das centenas de combinações possíveis entre toda essa patacoada.

Aí o papo do ascendente vira combustível para os ardorosos defensores da astrologia justificarem suas crenças.

O sujeito fala “ó, eu sou de peixes, mas pelo que já me disseram, não tenho nada a ver com a descrição do signo, então nem ligo muito pra isso” e o astrólogo amador logo retruca, “ah, mas deve ser por causa do seu ascendente, por isso você não se reconhece como de peixes, você sabe a hora do seu nascimento?”.

Porra, se o ascendente muda toda a configuração da parada, pra que diabos serve o tal do primeiro signo que lhe é dado conforme o dia que você nasceu? O amante da astrologia provavelmente tem uma masturbação teórica para refutar esse questionamento, mas a resposta é simples.

A conversa sobre influências da lua, do sol, do ascendente, do mapa, dos planetas e das tais casas em que os signos costumam se meter foram picaretagens acrescentadas com o tempo, conforme alguém fazia uma pergunta melhor embasada a respeito de qualquer coisa.

Foi mais ou menos o mesmo processo criativo que levou a igreja católica a subdividir o inferno em círculos ou os muçulmanos a calcular o número exato de virgens à espera dos enfezadinhos-bomba lá em cima.

Só peço que não me amolem.

A boutique deles

As sanfonas eram itens de consumo de primeira necessidade no local. Tão importante para a população que os grandes varejistas de sanfona começavam a se questionar sobre a necessidade de fazer propaganda para vender sanfona em certos veículos como A Gazeta do Urubu Amigo, jornal que só era lido nas manhãs de domingo por avôs de classe média alta. Todo mundo compraria do mesmo jeito, por que anunciar lá?

Com verbas de comunicação minguando, o cancelamento do contrato de publicidade da rede sanfoneira Tamanduá Arretado foi a gota d’água para A Gazeta do Urubu Amigo.

O jornal decidiu então publicar uma pesquisa sobre o preço da sanfona nos principais estabelecimentos comerciais da cidade.

Colocou a rede Tamanduá Arretado como a mais cara, a Super Abricó Doce como a segunda mais cara e a Mercearia do Boró Trocadinho como terceira.

Só quem ficou feliz com a situação foi o Armazém Giárdia Afetada, apontado pela pesquisa como vendedor das sanfonas mais baratas da cidade.

Mas na verdade ninguém leu a pesquisa, nem os avôs de classe média alta, pois a matéria nem publicada no domingo foi.

Mesmo assim, os donos da rede Tamanduá Arretado, da Super Abricó Doce e da Mercearia do Boró Trocadinho entraram em desespero e foram procurar a turma do Urubu.

“Poxa, gente, não é bem assim, eu dou desconto e aceito cartão”, dizia o velho Tamanduá, do alto dos seus 45 anos à frente do bem sucedido negócio de venda de sanfonas.

Após algumas gentilezas e um pouco de cu doce, A Gazeta prometeu não publicar mais nenhuma pesquisa comparativa de preços de sanfona, desde que as redes provassem sua boa vontade de vender barato para a população, publicando suas ofertas em coloridos anúncios de página inteira, aos domingos.

Tipinho doido

Eles adoram dizer “só tenho amigo maluco” ou se considerar os próprios “doidos”, mas enquanto um deles não invadir a Polônia e provocar uma guerra planetária ou compor uma sinfonia de número 9 em ré menor mudando a história da música ocidental, não é possível acreditar em qualquer maluquice lúcida de esquina.

A história de autoproclamar-se “maluco” é uma compensação psicológica involuntária que objetiva disfarçar para o próprio sujeito o quanto sua vida é comum.

Também é uma forma do indivíduo se sentir mais próximo de uma sonhada “vida de artista”, aquele mundinho em que o pseudomaluco acredita não existir beijo de cumprimento no rosto – somente o “dá um selinho, vai” e imagina todas as conversas de bar girando entre sexo, cinema, música e literatura (mas com muito cuidado, porque quase ninguém mais lê porra nenhuma hoje em dia).

A verdadeira maluquice não precisa de calça xadrez para acontecer. E sim, um banho é bem-vindo.

Ai, amiga

Todo mundo a conhece, ela é a sofredora do escritório.

Sua vida é um livro aberto. A Cleide, da faxina, até conheceu os pais dela quando foi à sua casa no sábado, vender esmalte.

Todos sabem o nome do namorado da moça. Ela não tem vergonha de ir às lagrimas em público. Também, se tivesse seria complicado, pois o cara a faz chorar uma, duas, às vezes três vezes na semana, ali mesmo na firma, entre um telefonema e outro.

Invariavelmente ele é daqueles que não vale nada. Não chega nem a ser o tipo cafajeste divertido que tanto as cabrochas gostam. Faz mais a linha do fracassado-machista-cervejeiro-de-churrasco comum na classe média brasileira.

“Não, ele agora tá bem, sabe? Tá trabalhando lá na transportadora, acordando cedo, nem tá mais indo na bola de terça”.

Apostando sua vida em um relacionamento morno de cinco anos, o maior objetivo dela é casar com o rapaz. “Acho que no final do ano que vem, assim que ele formar”.

Enquanto o relógio não marca 18 horas, ela comenta com as colegas sobre o novo cabelo liso da Thaís Araújo, contando que pretende fazer o mesmo para assistir a apresentação da banda do primo – Contato Imediato – este final de semana, no bar do Murilo.

Pessoas

Era jovem, mas do tipo que achava um absurdo aquele bar ao lado do prédio passar das onze da noite com o som ligado. Em um dos primeiros dias de faculdade, ensaiou esbravejar contra o colega que ofereceu o cigarrinho pouco inocente, mas engoliu a raiva quando percebeu que todos ali fumariam a parada. “Viciados!”, pensou, no fundo desejando que uma autoridade policial esbofeteasse a cara de um daqueles vagabundos, “só pra aprender”. Seu filme preferido era Moulin Rouge.

O maior vôo intelectual da turma foi quando o Barba publicou uma crônica no jornal – “Rapaz, era um troço praticamente erótico”. A grande sacada do texto era versar sobre o que seria um ato sexual perfeito, mas como se estivesse descrevendo uma receita culinária. “A parte do ‘salpique com beijos no cangote’ foi matadora, muito bom mesmo, Barba!”, disse Carlos na mesa, antes que fosse iniciada a contenda entre aqueles que consideravam Zeca Baleiro um compositor superior ao Chico.

O álbum dele no Orkut era todo baseado em trocadilhos com nomes de filme. Foto com a chefe? A legenda era “A Poderosa Chefinha”. A imagem da galera no casamento do Jaime logo foi chamada de “O casamento do meu melhor amigo” e a da turma na praia ganhou como título “Curtindo a vida adoidado”. Seu namoro acabou quando ele inventou de postar uma da namorada, sozinha, com a legenda “Uma linda mulher”.

Tonight is the night

E aí o cara ganha respeito, grana, fama e uma ninfeta cataclísmica para chamar de sua em noites bregas regadas a Sinatra com fondue e frias manhãs de domingo com edredon e Padre Marcelo.

Mas ele decide que isso era pouco. O mundo precisava ouvir sua voz. Achou ele.

E quando alguém quer ser escutado pelo planeta qual a melhor solução? Chamar o Paulo Ricardo, é claro.

Escute lá, Justus feat. PR.

A Ana foi embora

Não deu pra se despedir direito e nem pra fazer um último trocadilho. Não deu.

Ela não ficou pra saideira e não deixou a parte dela na conta.

Ela foi embora. Só isso. Simples e triste assim.

A Ana foi embora.

Beijo, amiga.

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