Ao lado das insígnias automotivas que objetivam tomar o espaço público dos nossos centros urbanos com carros divididos em duzentas milhões de vezes, um dos logotipos que mais se repetem, intervalo após intervalo, é o da Unilever.
É inegável que uma empresa que desengordura cozinhas, enche refrigeradores de sorvete e, entre muitas outras coisas, ainda tenta evitar que as axilas do mundo espalhem futum pelo planeta, precisa se comunicar de múltiplas maneiras com os mais variados consumidores.
Compreensível então que suas mensagens sejam bem diferentes entre si.
Aí a comunicação da linha Dove diz que beleza de photoshop é o escambau. A mulherada precisa mesmo é ser valorizada pelo que é, não importando se pesa o mesmo que um Escort XR3 ou se tem cabelo de sandra sarará de sá. Lindo, é isso aí mesmo, abaixo as fúteis exigências da capa da Nova.
O ruim é que no outro intervalo entra o comercial de Seda mostrando um cabelo feminino produzido pela Industrial Light & Magic ou a Adriane Galisteu em um pedestal, destacando camadas da própria peruca.
Logo depois vem um filme de Axe, engraçado, mas machista e exibindo a torto e a direito o ideal masculino de mulher (que nós sabemos não ter nada a ver com a Ângela Rô Rô).
E sempre lá, a marquinha que identifica a corporação do U patrocinando a mensagem, dizendo pra você “ei, somos nós, os mesmos que falam pra sua namorada que as pelancas dela são lindas como são, mas agora te dizendo que o bacana mesmo é passar isso aqui embaixo do braço e sair por aí comendo o casting da Ford Models, aquilo sim é que são mulheres, hehehe”.
Não sejamos ingênuos. Desde que mercadores persas empurravam tapetes para cruzados que a primeira coisa eliminada quando se quer vender algo é o escrúpulo, mas será que ao menos não dá pra tirar a marquinha lá do cantinho superior direito e deixar só o a marca do produto assinando?
Ah, o consumidor não liga essas pontas, não é mesmo?
É, não liga, mas com a política ninguém também conhece a fundo os detalhes de licitações ou negociatas em troca de apoio, mas mesmo assim o pensamento geral formou na cabeça o conceito de que todo político é safado.
A ficha cai lentamente, mas cai.
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