Arquivo para Novembro, 2008

Dois mil e oito’s bost of – Parte 2

Continuando, hoje é dia das internets e de toda a cultura que me afastei nesse ano de filmes e feeds.

Escutei mesmo
- Mercy – Duffy

- American Boy – Estelle & Kanye West

- Pork and Beans – Wee na fita

Torrou os colhões só ouvir falar
- Vanguart

- Os projetos novos de Camelo e Amarante

- Camelo namorando você sabe quem

- Ai, gente, o Caetano tem um blog!

- Amy

Mantive o pé no chão, mas mexi o quadril
- Iron Maiden no Parque Antartica

- Gogol Bordello no Ibirapuera

- Curumin no Sesc Vila Mariana

Precisaram ser lidos em 2008
- Lucas

- Impedimento

- Linha do Trem

- Pau No Cool Hunter

Tesouros da terra de Danny DeVito
- Holy Taco

- Cracked

- Manofest

Marcelo Tas que se cuide
- VQV (até o final por causa da dancinha)

Entraram na mitologia H&R
- Também Sou Hype no Jornal Jornal

- Cozinha do Awey

Melhor We’re no Strangers to Love
- Real Life Rick Roll

Justificaram o twitter
- Adnaldo

- Vitor

Pirate Bay Personal Chart
- Entourage

- Generation Kill

- The Office

- It’s Always Sunny in Philadelphia

Tecnologices que encheram os colhões como se não houvesse amanhã
- Twitter

- Smartphones

- iPhone

- Wii

Mal joguei, mas comandaram
- GTA IV (deus)

- Call of Duty 4 (Ridley Scott)

- Castle Crashers (Adult Swim)

- Soul Calibur IV (Mocidade Independente de Padre Miguel)

- God of War [do PSP] (pra macho)

Livros pela metade
- A Vingança do Bastardo – Eleonora V. Vorsky

- Umidade – Reinaldo Moraes

- O Livro Negro de André Dahmer

- Pocketbooks do Laerte na banca do metrô

Grande Honra de 2009
- O indiscutivelmente mais querido vai inaugurar a quarta divisão do futebol nacional

Nome próprio mais legal
- Protógenes

Dois mil e oito’s bost of – Parte 1

Começando hoje uma clássica lista de melhores do ano dessas coisas pop. Sem ordem definida de preferência e sem obrigação de um número certo de coisas por categoria. Atraco no porto da pretensão primeiro com o cinema.

Bróquibuster
- Latão

- Morcega Neurótica

- O Louva-Deus Nervosinho

- Latinha

Com orçamento mais modesto
- Rock’n'Rolla (welcome back, Guy)

- Be Kind Rewind (em português ficou até simpático, mas assim é melhor)

- 21 (Quebrando a Banca [jesus])

- Onde os Fracos Não Têm Vez (tu sabe qual é)

- O Gângster (American Gangster)

- O Nevoeiro (The Mist)

- Meu nome não é Johnny (Selton interpretando Selton, ficou bom)

- The Counterfeiters (realmente não sei como traduziram)

Nem fudendo (odeio quem escreve “fodendo”)
- 10.000 BC (Independence Day nas cavernas)

- Hancock (filme de blogueiro)

- Speed Racer (nem as crianças conseguiram)

- Rambo (tem uma cena de ação [e ruim])

- Indiana Jones (só vi 20 minutos, foi suficiente)

Famosos

Tom Zé, Caetano, Romário, Pedro Cardoso, D2, todo viveiro de periquitos famosos hospedados naquele interney para celebridades da globo.com e mais uma centena de outros.

A cambada inteira tem blog. O ponto em comum entre todos é que quando são “descobertos” pela web “formadora de opinião”, ganham links e comentários. E só.

“Sabem quem é o mais novo blogueiro do mundo aos 138 anos de idade? Isso mesmo, José Saramago.” (e a maioria nunca leu uma linha do cara, no máximo viu o filme do Meirelles)

2 dias depois da chuvinha de links, os endereços de qualquer um deles já estão esquecidos em meio à correnteza das micro-audiências volúveis que formam a internet.

Escrevendo para 3 ou 10 mil leitores diários, o cara vira mais um correndo o risco de cair na mesmice do dia-a-dia profundo como pires da internet.

Ilustrando, agorinha mesmo a Carol (valeu, mano :-) me chamou atenção para esse post de ontem do já citado Saramago. Eis trecho:

“Surpreende-me que vários jornalistas me tenham perguntado pela minha condição de blogueiro quando tínhamos atrás o anúncio de uma exposição estupenda, a que é organizada pela Fundação César Manrique no Instituto Tomie Ohtake, com os máximos representantes e patrocinadores, e com a apresentação de um novo livro à vista.”

É isso.

Frases para usar na mesa

Quando o assunto esgotar, o mala encher, o garçom errar. Sem sentido algum, com trelelê ou só para pensar.

O acaso é o melhor amigo da sensibilidade.

A simpatia é o refúgio da obsolescência.

Razão não rima com necessidade.

Para continuar, siga em frente. Para resetar, aperte o botão.

República é apenas um nome de praça.

Em São Paulo Getúlio não é avenida.

Sozinho, retalhos são apenas pedaços de pano. Juntos, formam um tapete de fuxico.

No circo da vida o palhaço é aquele de nariz vermelho.

E na lanchonete do mundo quem sofre terremoto vira milk shake?

A bunda resume tudo.

Mas Poundcake do Van Halen não é uma puta música mesmo com essa pentelha Olsen no clipe?

Farofafá.

Insãnu

Corria 1997 e o Chevette era SL/E 89/90. No toca-fita de gaveta, cassetes Basf e TDK guardavam estranhas seleções desprovidas de sentido.

Chão de Giz na versão do primeiro Grande Encontro conseguia dividir rolos com Titãs de Cabeças Dinossauros a Acústicos.

Perdidos, Angus Young e Bon Scott não faziam a mínima idéia do que faziam ao lado de Song 2.

E no caminho para o inferninho da Alcindo Cacela quase na esquina com a José Malcher, os alto-falantes do prateado sedã de entrada cuspiam a única coisa divertida – mas não necessariamente boa – produzida por Maria do Relento.

Notas do ego

Trampo que foi bem divertido de fazer está no ar: O Rei do Elogio para Sprite, proudly brought to you by RMG Connect.

Os caras consertaram o telhado do prédio e não tem mais goteira no meu apartamento.

Há meses não escuto nada novo, meu saco encheu de procurar novidades, mas ao mesmo tempo continuo sempre firme na disposição de achar uma merda um monte de coisas que nunca nem escutei.

Estressado no trabalho? No fundo do poço por causa de desilusão amorosa? Se vazando todo por culpa da cachaça? Ora, então nada como 24 horas de filhotinhos ao vivo para você esquecer dos problemas. Vamos lá, faça junto comigo: nhommm!

Shake that ass, trooper.

Give me a line

Talvez o mais admirável da cultura anglo-saxônica seja a sua retórica (aliás, é saxã ou saxônica? vê aí no google e me fala).

Ingleses e americanos do norte sabem conquistar no discurso, sabem motivar (tanto que inventaram e são os gênios desse troço que chamamos de publicidade e todas as suas vertentes, teorias e subjetivismos).

E eles não temem o ridículo. Não se importam em errar – desde que seja tentando. Não enxergam maiores problemas em simplesmente não se levar a sério quando a necessidade ou a vontade assim exige.

A vantagem deles na oratória começou lá nos tempos em que trocaram padres que ditavam regras e imputavam culpa em qualquer minúcia por pastores que discutiam, debatiam e competiam publicamente pela sua atenção.

Nós ficamos com o medo de agredir – é feio – e nos calamos, consentindo sempre que alguém decida por nós, venha em nosso socorro salvar a pátria ou asfaltar uma rua.

Eles escolheram discutir, debater e ofender. De maneira necessária ou não. E cada sociedade arca então com o lado bom e ruim dos dois caminhos.

The Final Days, vídeo exibido em 1999 na última coletiva de imprensa do então presidente Bill Clinton diz mais sobre essa cultura do que qualquer explanação de meia pataca que eu faça aqui.

O Matias dissecou esse mesmo assunto em um post bem melhor que esse e focando tudo na disputa eleitoral desse ano.

E hoje o Pedro Dória postou vídeo da entrevista do derrotado McCainn no Jay Leno. É uma aula de elegância irônica (e olha que o cara acabou de perder a eleição pro cargo mais poderoso do mundo).

Soltas como arroz de microondas

Ítalo Rossi encaixaria muito bem como atração de parque em Luzilândia.

Vem chegando o verão e junto com o calor no coração e a magia colorida surgirá também uma matéria do Jornal Hoje contando qual é a moda das academias. No Fantástico serão mostradas as novas danças soteropolitanas da estação. Em ambas as reportagens, um professor bombadinho com pinta de bicha ensinará, sorridente, qual é o passo para se dar bem na história.

Foto no centrão de sampa? A música do Caetano já foi usada como legenda. Porto Alegre com Guaíba no fundo? Kleiton e Kledir sabem que você quer o trecho do baixo astral que deu pra ti. Ah, e se o céu do planalto saiu azul na imagem, nós sabemos que é a porra do traço do arquiteto, guarde a observação, por favor.

Café do fim da manhã: mamão, maçã e ameixa, tudo cortado em pedaços pequenos e com mel por cima. Dois tostex de presunto e queijo branco. Café, leite e a vitrola amarela rodando o sorriso que mais interessa. É bom assim, manda mais pra sempre disso aí.

Num rabo de foguete

Lá na época do barzinho com voz e violão, sempre que o colega do banquinho iniciava os primeiros versos de “O Bêbado e o Equilibrista”, um amigo meu tirava uma verdade do bolso e lembrava a todos os presentes que “essa música foi eleita a terceira mais bonita da MPB em todos os tempos”.

A sentença geralmente provocava um silêncio de admiração na mesa. “É, mas é bonita mesmo, viu”.

Era pronunciada com tanta propriedade que ninguém tinha coragem de perguntar detalhes da eleição. Quem realizou, quem votou e, principalmente, quais outras duas músicas teriam alcançado os primeiros lugares da disputa.

Isso tem mais de 10 anos. Estávamos às vésperas do começo do orgasmo informativo dos dias de hoje.

Não era difícil ler sei lá onde uma listinha qualquer dos melhores de alguma coisa e propalar a informação pelas mesas da vida anos a fio, sem maiores questionamentos ou discordâncias, ainda mais quando o assunto não fazia parte da tríade sagrada das paixões que os pobres diabos consideram indiscutíveis: política, religião e futebol.

Hoje os tempos românticos do conhecimento meia-boca ficaram para trás.

O maior obstáculo sem dúvida é o Google – esse sacana que desmente ou ao menos ajuda a confundir certezas etílicas até então inabaláveis.

Mas a grande inimiga vem chegando aos poucos, dominando mentes e modificando culturas: a discussão.

Agora qualquer abobrinha que se solta parece ter uma caixa de comentários. A vida finalmente virou um fórum. Algumas vezes com a densidade de uma lista de discussão interna de doutores da USP, mas na maioria dos casos na profundidade dos comentários do youtube.

Todos se acostumaram, estão se acostumando ou se acostumarão a opinar, discutir, questionar e falar merda.

Estão perdidas as certezas calhordas, ao menos as desacompanhadas de fundamentos canalhas. No geral isso é bom, mas deve ter muita gente se comendo menos por aí.

Sempre um sucesso

Não confio em ninguém que maximiza, otimiza ou tangibiliza qualquer coisa.

Também não gosto de quem alavanca, dá feedback, start ou deixa em stand by.

Outra chatice é o cara explicar algo morto de bobo e arrematar com aquele final pretensamente desafiador e instigante. “Quando pensa em oficina mecânica você imagina um monte de homens sujos de graxa? Então está na hora de rever seus conceitos porque as mulheres também estão invadindo esse ambiente de trabalho, você duvida? Então conheça esta incrível oficina no interior de…”

Meu bode fica sem comer latas uma semana quando ouve como são as coisas “lá na gringa”.

E o universo mata um coelhinho fofinho cada vez que uma paulistana fala que “vai de baladinha”.


Você está muito ofendido por algo escrito aqui ou gostaria de depositar qualquer quantia em minha conta bancária? Escreva já: doda.doda@gmail.com

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