Arquivo para Dezembro, 2008

E também é

- Usar o shampoo do sobrinho de 4 anos. Aquele Johnson amarelo da embalagem transparente.

- Tomar canseira desse mesmo cara de 4 anos, já iniciado na nobre arte do jogo por meio de telas.

- Passar em frente ao boteco Ratatouile cujo logotipo é o mesmo do filme.

- Ver um Bond do Brosnan na TV e ter a certeza que os únicos Bonds que realmente funcionaram para alguma coisa foram os do Sean Connery e agora os do Daniel Craig.

- Chegar de madrugada sem cigarros, entrar na cozinha e roubar um do pai pra fumar na calçada, escondido, como se os 16 anos ainda fossem a idade corrente.

- Reclamar do atendimento. Ouvir os amigos reclamando do atendimento. Ouvir desconhecidos reclamando do atendimento. Ouvir um garçom reclamando que foi mal atendido.

- Pensar estar vivendo o enredo da Acadêmicos do Mau Gosto, “Apogeu e Glória de Staccato e Comic Sans no Zombeteiro Reino dos Outdoors Horripilantes”.

Bel é

Abrir o jornal e ler uma nota em uma famosa coluna de negócios que dizia o seguinte:

“A Prefeitura da UFPA promoveu o recolhimento de dois cachorros que passarão por um procedimento de esterilização, como parte de um experimento piloto que pretende contribuir para o controle de cães e gatos no campus.”

Entendendo o contexto, ou seja, somando fato, notícia, coluna, jornalista, jornal e cidade, a simples leitura de uma nota como essa diz mais a respeito da sociedade local do que as milhares de teses de temática regional arquivadas na biblioteca da própria universidade.

Filmes de ação

- E tinha também aquele Michael Dudikoff, do American Ninja, lembra?

- Pode crer, claro que lembro, saíram uns 5 desses, mas ele só fez os dois primeiros, né?

- Eu acho, eram aqueles filmes da Golan Globus, eu alugava na hora quando eu via o nome na caixinha.

- Isso, a caixinha de Golan Globus, eu lembro da piada…

- Qual piada?

- Da caixinha de Golan Globus, não é disso que estamos falando? Da caixinha que descia na água e fazia…

- Globs?

- É…

Gordo social

O Gordo é um ex-colega do colégio que você gostaria de saber notícias. Tá lá o Orkut pra isso. Bacana, ele hoje em dia mora na Bahia, casou e tem uma filhota que é feia pra diabo, mas claro, o seu scrap elogiando a pirralha é o mais fofo do mundo.

Aí beleza, o Gordo se empolgou com esse papo de internet e resolveu fazer perfil em tudo quanto é lugar e, onde achou a sua foto, adicionou.

Passou a seguir no twitter, facebook e blip.fm. Acha interessante compartilhar que na segunda ele está “passando mal com a feijoada de ontem, kkk” ou como descobriu os Strokes. “É a melhor das novas bandas de música internacional”. Sabe como é, tudo naquele clima de eterna festa que só o brasileiro sabe promover na web.

E se a internet é uma reprodução da vida, então tem lugares ali que você não vai querer que o Gordo esteja ou saiba que você está. Como aconteceu quando você foi obrigado a levar o primo bocó pra viagem de carnaval ou teve de fazer sala pra amiga do escritório que apareceu sozinha no seu aniversário sem conhecer ninguém.

Não é nada pessoal, apenas não eram boas companhias para aquelas ocasiões.

Nisso o Gordo acaba se frustrando e fica puto quando não recebe a sua contrapartida social em algum dos ambientes que vocês compartilham. É o desespero brasileiro em ocupar e se reproduzir.

Gordo, leva na boa. As redes sociais funcionam como a vida noturna da internet. Se você é playba, provavelmente não vai gostar do bar metido a antenadinho que o seu brother frequenta, deixe pra falar com ele em território neutro.

Mas se mesmo com as minguadas respostas você quiser insistir, tudo bem, você é apenas um chato.

Bodas e berços

Opa, só pra marcar a data: hoje esta versão do blog faz 3 anos, que bonitinho.

Antes, como poetas de rua que desperdiçam oxigênio que seria mais útil em outros pulmões, duas encarnações do bloda já haviam ocupado precioso espaço na internet.

O primeiro bloda surgiu mais ou menos no final de 2003 (isso explica porque o nome do blog é esse trocadilho ridículo, pois hoje em dia eu não teria essa coragem). O formato lembrava o de uma revista eletrônica e o site era hospedado no tenebroso Kit.net, uma espécie de hotel de rodoviária da internet daqueles tempos. Meus textos eram vergonhosos. O legal dessa época foram as colaborações, muito melhores que qualquer uma das minhas porcarias. Não lembro de todos os que deram uma força naquele tempo, mas teve coisa do Vlad, Rafa, (acho que) do Paulo, Bina e Pedrox.

Lá por outubro ou novembro de 2004 montei um bloda no Blogger Brasil, mas era outro lugar que você não desejaria visitar nem que fosse obrigado a observar uma turma de senhoras com mais de 60 anos peladas após a hidroginástica. Ficou ativo apenas alguns meses e quando o Ressaca Moral ganhou vida, em março de 2005, aquele bloda morreu.

E finalmente, em dezembro do mesmo ano, surgiu essa versão que pacientemente você está lendo.

Nesses 5 anos de atividade espaçada e 3 anos de postagens seguidas, consegui boas oportunidades profissionais, fiz um grande número de amigos e colecionei algumas antipatias, mas ninguém que eu possa chamar de inimigo. O saldo geral, ainda bem, é bastante positivo.

Então seja você um visitante diário, semanal, semestral ou de primeiro acesso, muito obrigado por encaixar esse endereço nos cafundós da sua atenção. A graça toda, claro, é saber que tem gente aí do outro lado acompanhando essa bodega.

E lembre-se, para qualquer conversa, furada ou não, estão sempre disponíveis a caixa de comentários de cada post e o meu e-mail pessoal (estrategicamente posicionado ali no canto superior direito).

Use o blog da maneira que preferir e, mais uma vez, obrigado pela companhia.

(o DJ começa a tocar Strangers In The Night, os garçons servem cidra Cereser e uma senhora gorda sobe no palco para anuciar que o jantar está servido: filé ao molho madeira, creme de camarão e estrogonofe de frango)

Não há lugar como lá

Dentre as milhares de invenções da igreja católica, a melhor de todas foi sem dúvida o inferno.

Sem essa alegoria não teríamos toda a cultura ocidental derivada do tão gostoso jeitinho luciferiano de ser.

Os malditos do blues não poderiam ser acusados dos seus vantajosos pactos com o tinhoso, a sociedade americana não teria se escandalizado com Elvis rebolando como uma siriema no cio, não existiriam os Rolling Stones e, santo deus, não haveria AC/DC!

Tudo bem que por causa desse mesmo império do enxofre fomos obrigados a suportar o Zeca Baleiro dando uma de que é íntimo do underground, sem falar em toda a corja gospel que se coloca como inimiga do brother da barbicha de bode, mas é um preço baixo a se pagar por tantas coisas batutas que esse infernão véio e sem porteira já nos deu.

Valeu, Pedro, isso tudo foi idéia tua?

Do you remember

Nota pessoal do momento: “Kayleigh” do Marillion é um dos motivos para que eu acredite que a extinção dos dinossauros foi uma puta sacanagem. O planeta não merecia suportar como dominante uma espécie capaz de provocar o tipo de sofrimento que essa música vem causando na bolsa escrotal do homem comum por tantos anos.

Deixa chover

Da bandinha de quarto ao ex-ministro, do escritor de blog ao Veríssimo, manifestações artísticas têm um objetivo em comum: causar algum tipo de emoção em quem se dispõe a dedicar um tempo que seja à sua apreciação.

Claro que o dono da idéia prefere ser entendido como um gênio ou, pelo menos, um cara bacana que pensou numa parada legal.

Mas já que está expondo a bunda na janela, tem de estar preparado para eventuais passadas de mão, tapas ou carícias.

Daí eu nunca entender maluco que fica putinho com crítica negativa. Pô, é uma opinião formada, é o objetivo sendo cumprido.

Se acharam uma porcaria, orgulhe-se. Em um mundo estropiado por tanta informação e ainda concorrendo com a vida pessoal de cada receptor você conseguiu fazer com que um sujeito estabelecesse conexões cerebrais suficientes para chegar à conclusão de que o seu trabalho é uma merda. Isso é um feito digno de nota, mesmo que de rodapé.

Olhando por esse lado, Paulo Ricardo e as mil voltas do RPM são um tremendo case de sucesso, Regina Casé é o maior expoente da vitoriosa escola pé-no-saquista nacional e Romero Britto não é um mero designer de latas de panetone, mas sim a reencarnação de Cândido Portinari.

O negócio é abandonar o colete e deixar as balas passarem livremente. Tudo seria mais divertido.

Nada mesmo

Quando eu ainda não tinha altura para puxar a cordinha do ônibus, achava que a expressão correta era “por guia das dúvidas” e não o depois conhecido “por via das”.

A lógica era a seguinte: para solucionar a situação indefinida que se apresenta, provavelmente será necessário um possuidor de prévia experiência no assunto, um guia.

Mas e se esse guia estiver cheio de incertezas, dúvidas? Ora, melhor então optar por uma alternativa mais segura e independente de alguém que talvez atrapalhe a resolução do caso.

Portanto, “por guia das dúvidas”, façamos do jeito xis.

É claro que não havia nada para ser dito hoje e precisei de alguma ladainha para informar que sim, o Ressaca Moral tenta uma nova ereção, inclusive quebrando um recorde para este segundo semestre de 2008: dois textos novos em dois dias seguidos!

De ontem, meu, temos os Personagens de fim de ano que você não conseguirá passar sem.

E hoje, o Rafael apareceu com Tipos que você encontra na web 2.0.

Ah, e em seu mais novo retorno triunfal, o Ressaca deu as caras no Twitter. Ainda não sabemos o que será feito com isso, mas você pode seguir o negócio pra ver no que vai dar.

A título de implicância gratuita e discussão infantil, gostaria de ver tops de 2008 dos comparsas Damaso, Martinha, Renmero, Sarah e Emanuel.

E seguem as cenas noventas.

Lá se foi mais um

- Almocei ontem aí, acho que esqueci meus óculos escuros ao lado da mesa…

- Foi que horas que o senhor almoçou?

- Na hora do almoço.

- Pera que vou falar com o gerente…

(15 a 20 segundos de espera)

- Olha, ele disse que não acharam nada que esqueceram não.

- Poxa, beleza então.

- Era escuro, de grau ou escuro de grau?

- Só escuro.

- É, não acharam mesmo então.

- Tudo bem, vou estrowjkverghsh.

- O que?

- Foda-se! Rá, rá, rá!

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