Arquivo para Fevereiro, 2009

Vai rolar onde?

A pior discussão é aquela que você provoca, mas ninguém se interessa em discutir.

O fracasso, por mais que você esconda, impregna na pele e, como sabemos, o pior nem é a derrota em si, mas a quantidade de pessoas que a perceberam.

Para que o seu quiprocó tenha algum futuro, não se preocupe tanto com o conteúdo, a importância deste geralmente é superestimada.

Antes da profundidade da discussão, a turma primeiro quer saber em qual ambiente ela será travada.

Polêmicas de mercearia são divertidas porque é possível pedir cerveja e petiscos para acompanhar, fora que você já conhece a frequência do muquifo ou pode levar uns amigos no bolso para garantir os festejos.

Já a picuinha de esquina não vai pra frente porque, além do barulho em excesso, os possíveis participantes estão só de passagem pelo local e é real a possibilidade de imbecis dominarem os debates.

blog_knight_ni1

Ah, vá

Sério que você vai concluir que o cara possuir um Moleskine não o transformará automaticamente em um Alex Ross ou Ernest Hemingway? E o que vem agora, seu perspicazinho danado do papai, heim?

Sou mais Augusto Xavier, circa 2006, Another Brick in The Wall AX.

Hey, teacheeer!

O Reload é mentiroso, o Revolutions é ruim e não tem mais a música do Rage Against The Machim

No último domigo, peguei na zapeada o SBT torturando a TV com o terceiro Matrix.

Não recordava de muitos detalhes da parada, até porque na época do lançamento eu já havia desenvolvido um ódio racional pela franquia após aquele segundo filme muito do seu cafajeste (Ok, temos Monica Bellucci). Mas cacete, a terceira parte consegue ser ruim em tantos níveis que jamais deixarei de classificar como protozoários sujeitos fantasiados de Neo ou Trinity em festejos carnavalescos (sujeitas vestidas de Monica Bellucci serão perdoadas).

(um grande parêntese: em 2003, quando do lançamento de Matrix Revolutions, tomei como missão estragar o prazer de quem estava genuinamente interessado em babar no cinema pela última parte daquele troço. Fui aos confins das internets e consegui achar, três dias antes da estréia, o suposto roteiro do filme em inglês. Traduzi o final e montei um textinho que resumia em pouco mais de um parágrafo tudo que era necessário para estragar o filme para um fã. Com perfis falsos, postei o negócio em fóruns [não existia Orkut e assemelhados]. Devo ter cortado o barato de pelo menos umas 100 pessoas. Se eu achei isso legal? Ué, claro que sim. Fãs só existem para duas coisas: enriquecer o seu objeto de culto e servir como massa de manobra para piadas.

Ver de perto

Consegui provar para o meu próprio enérgumeno interior que sou capaz de almoçar em um restaurante vegetariano sem fazer cara feia. Já consigo encarar com relativa tranquilidade um prato desprovido de bichos macroscópicos deliciosamente mortos sobre a louça. Não que eles não façam falta, mas preciso aliviar o estropiamento a que submeto minhas artérias ou em pouco tempo escutarei Highway to Hell pelo lado de dentro da madeira.

No mundo sem gordura de tais estabelecimentos, fiquei caipiramente maravilhado descobrindo a polivalência da soja enquanto alimento. Certo, o leite e a carne disfarçada de boi todo mundo conhece (delícia de pai!), mas não sabia que esse grão espertinho também era capaz de se transformar em brigadeiro e em peixe (atualmente, trabalho na criação de coragem para encarar as duas opções).

E pelas mesas, se por um lado vemos trintonas peruas sacrificando-se em nome do padrão de beleza vigente, por outro temos um completo desfile de cabelos saídos diretamente de alguma edição do Fórum Social Mundial, geralmente acompanhados por batas de algodão cru adornadas com arabescos florais nas extremidades. É um uniforme.

Mas sem dúvida o mais torturante no universo dos restaurantes naturóides é a música. Deve haver algum tipo de manual secreto do vegetarianismo que determina os tipos de artista autorizados a ecoar pelas caixas de som. “Às segundas Enya, às terças são de Kitaro, para acompanhar a feijoada de soja na quarta, Manu Chao…”.

Assim não dá pra largar o boi.

blog_scratchdog

Repare e confirme

- Em muito mais da metade dos casos, quando uma Renata possui irmã, o nome desta é Roberta.

- Por volta de 30% da duração de um curta-metragem é composta de créditos iniciais e finais.

- A maior contribuição de Alessandra Bigliomini (Leka, BBB1) para o país foi a introdução no idioma falado da expressão “Como assim, Bial?”, caso clássico de gíria da escola “Não é brinquedo, não” que determina que 99,97% dos empregadores de tais sentenças são idiotas.

Bares que me lembro – Parlamento

O negócio era ir às quartas, cantava a famosa Lucinnha Bastos (adicione um N a cada ida ao numerólogo). À época, a inocência dos meus 17 achava que escutar MPB em bar na Brás de Aguiar me tornaria mais adulto. Bom lembrar: preço do chope (Brahma) em 1996 (R$1,00 a R$1,30), furto de cinzeiro personalizado do estabelecimento, abdução de tulipas idem. Pro saco com: meu gosto musical (“cantza xchão de gizx, Lucinhaa, vai…”), lançamento de torpedos (fracassados) para mesas femininas cuja média de idade superava a da minha mesa em 4 ou 5 anos.


blog_iron_maiden_modernist_edition

Veio daqui.

Bonos

Artisticamente, a hora de uma banda acabar é quando o número de fãs imbecis que o grupo possui for maior que 50% do total de fãs.

É simples: se o número de idiotas que aguarda um disco seu for muito grande, suas soluções terão de ser necessariamente fáceis e bobas para que essa maioria de patetas compreenda o que você tem a dizer.

Esse tipo de resposta óbvia ao anseio do fã (usuário, consumidor, como preferir), por mais que resolva uma necessidade imediata, coloca a banda no patamar do mais ou menos que a maioria produz.

Gradualmente, os fãs mais espertos entendem a picaretagem e partem em busca de um melhor aproveitamento do seu próprio tempo.

Então a banda escolhe se continua o caminho rumo ao entupimento de artérias com o dinheiro da massa uniforme ou se dá um fim na história para começar outras.

Claro que tudo isso aí cai por terra se a banda (produto, cocô, como preferir) da qual estamos falando já vier de berço destinada à maioria imbecil.

Agora de verdade, alguém realmente ainda se interessa pelo “novo trabalho do U2”? Cara, é o Zeca Camargo apresentando o seu novo clipe, não há nada de errado nisso?

Lucas devidamente ressaqueado

lucas_ressaca

São três notícias bombásticas que mudarão a internet como a conhecemos:

- O Ressaca Moral está de volta em novo servidor (Valeu, Gardenal! Outra hora a gente se reencontra).

- O primeiro post do novo Ressaca é um entrevistão com Lucas Celebridade. Sim, o próprio e com fotos sensuais exclusivas feitas pra entrevista.

- E esse sensacional novo Ressaca tem também um novo feed, ASSINE JÁ!

E um esclarecimento:

- O novo Ressaca ainda está em reformas estilo casa de pobre: nunca sabemos quando vai terminar, então não repare na bagunça.

Update:Lucas também divulgou o link da entrevista em seu blog. Leia o que escreveu e responda como é que não dá pra amar esse cara.

(após reproduzir parte da introdução da entrevista)
…É assim que começa o texto do site ressaca moral, que enviou blusa com a logomarca da página para que a convergência do conteúdo ficasse ainda mais bem alusivo à entrevista feita pelos titãs:Rafael Guedes, Tylon Maués e Doda Vilhena que, sem papas na língua, subtraíram tudo sobre a vida do muso luzilandense e estamparam na web.

Retóricos

Tem aquele tipo que não chega a ser um amigo seu, mas que por algum motivo você mantém relações amistosas. Pode ser ex-colega de empresa trabalhada dezanatrás ou aquele primo de uma ex-amassante que deu carona pra você na volta do show da Ivete em 2002.

Você e esse quase brother tem a consciência tranquila como a de um senador quanto à superficialidade da relação. Ninguém pretende tomar cerveja e ver futebol um na casa do outro, certo?

Justamente por isso, me intriga o que essas pessoas pouco íntimas esperam ouvir como resposta ao formular perguntas como:

- E aí, tem falado com o pessoal?
(quase nunca, mas quando falo é basicamente para responder as mesmas perguntas que você vai fazer)

- Mas e a família, tudo beleza?
(sério que você quer saber do recém-descoberto problema de hemorróidas da tia Neide?)

- E lá, tudo bem?
(senta aí que vou te explicar a minha visão sobre a direção da empresa e o contexto de relacionamento profissional e social que esse perfil corporativo gera, assim você compreenderá corretamente a minha resposta resumida – sim ou não – ao seu questionamento, beleza?)

Só quero chocolate

A Imperiosa Sociedade Internacional Carlos Crustáceo dos Questionamentos Irrelevantes anda sedenta em saber quem é mais imbecil: o pretenso artista que se acha a última camiseta cool do Mussum da prateleira porque consegue “esconder” referências subliminares às drogas em suas composições OU fãs palermas que assumem tom professoral-arrogante para explicar aos pobres mortais que “Chico [se acha íntimo, por isso não completa com Science] queria mesmo era dizer que maconha – não cerveja – antes do almoço é que era bom pra ficar pensando melhor, hehe”?

Próxima Página »


Você está muito ofendido por algo escrito aqui ou gostaria de depositar qualquer quantia em minha conta bancária? Escreva já: doda.doda@gmail.com

RSS Ressaca Moral – As últimas

  • Ocorreu um erro. É provável que o feed esteja indisponível. Tente mais tarde.

Ó as tuítada aê

a

Também ocupo espaço em

 

Fevereiro 2009
S T Q Q S S D
« Jan   Mar »
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
232425262728