Em 2027, nas escavações para a construção do estádio olímpico de Mossoró (sede dos jogos de 2032) serão encontrados vestígios de um casebre humilde que abrigava o quartel general da organização que secretamente fornecia à imprensa variações da expressão “crise que assola a indústria fonográfica mundial devido ao crescimento da distribuição de música via internet”. Ainda no ambiente, a corroída capa de um vinil da Maria Alcina esconderá um bilhete contendo uma revelação: “qualquer gelatina é uma merda, generalize quem generaliza você”.
—
Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, São Paulo, circa 2009.
As opções de filme são Step Brothers (Quase Irmãos), The Punisher – War Zone (O Justiceiro – Cagada Geral) e o clássico supremo das multidões Conan – O Bárbaro. Opine, participe, comente.
Somente um deles será exibido e você talvez possa ter algum tipo de influência no resultado.
Na parte de bebes e comes, Bohemia Confraria com amendoim meia-boca. Marlboro Light será consumido com moderação porque estou me livrando dessa merda.
Para você que nunca ouviu falar da Quarta sem Cérebro, trata-se de uma celebração que ocorre às quartas-feiras entre o meu sofá, a precária TV da sala e o grande Acer Prateado, o note voador da Vila Mariana. Ah, eu sou o único convidado.
Declarar “não dar a mínima para” ou genuíno desinteresse por política não atesta apenas alienação disfarçada de coragem (visando atrair admiração ["é isso aí, ele é que tá certo, é tudo ladrão mesmo"]), mas dá certeza de que o sujeito não é dotado de mínimo senso de observação.
Política não difere de família ou ambiente de trabalho. Tudo que se precisa saber é que na maior parte das vezes o que as pessoas estão dizendo não é bem o que elas querem dizer e a minoria sincera só consegue fazer uso seguro da sua sinceridade quando consegue cooptar os falsos que falam mais alto.
Aplique em qualquer contexto e pronto. Entendeu um, entendeu todos.
Pensando durante a maior parte do dia concluo parvas asneiras que até penso em anotar para posteriormente desenvolver e esparramar por aqui, mas então chega uma pulga gigante com a boca da Angelina fazendo uma imitação de Roberto Carlos cantando aquela do “como é grande o meu amor por você” e isso tira tudo dos trilhos (a vocação católica para o sofrimento também se reflete na música, mas antes ao menos sofria-se com Bach e não covers do Padre Marcelo).
—
Nunca regularizei minha situação junto às Forças Armadas Brasileiras. Me processe.
A melhor maneira de aplacar as angústias pessoais provocadas pelos desafios da vida enquanto obstáculos que impossibilitam a felicidade plena seria, sem dúvida, habitar um mundo em que toda a água foi substituída pela cerveja de trigo. Mas é muito importante que seja de trigo.
—
Havia receio de proclamar a opinião perante o círculo de convívio devido ao patrulhamento político-correto que cerca a causa, mas agora falando sério, esse MGMT é uma releitura descolê 00’s do baitolismo 70’s do Village People, não? Sei que sim.
—
Pra fechar, duas dúvidas.
Ninguém consegue comentar Watchmen sem citar ou fazer piada com a blue jeba from hell do Dr.?
A tradução mais correta para o termo Open Bar seria Ambiente Cheio de Babacas?
Não ter maiores problemas em mudar de opinião é um dos artifícios que utilizo para, mesmo com 30 na cara, aparentar ainda vinte e alguma coisa (usar bermudas como se o amanhã não houvesse também ajuda). Aqui mesmo na bodega, textos de 2006 ou 2007 conflitam diretamente com opiniões expressas em 2008 ou nesse 2009.
Minha mais recente mudança de peito aberto foi sobre Watchmen. Tinha saído do cinema meio sem conclusão, mas ontem percebi que achei do caralho, mesmo com a presença (oportuna, diga-se) de Bob Dylan na sequência de abertura.
E, como se o mundo estivesse prestes a ganhar três rugas e meia de preocupação por causa disso, ainda digo mais: por mim os três da bancada do CQC permaneceriam presos durante dois anos no antigo viveiro de periquitos do vovô José e uns bons 80% do rock nacional independente são claros atentados aos hábitos de higiene conquistados pela humanidade após a revolução industrial.
Estapeando a face da sociedade com um robalo adulto, o Amigão provou que o orkut ainda é capaz de emocionar as multidões. Ontem, plantou no meu perfil um cavalar depoimento que só não me arrancou uma lágrima porque choro causado por testemunhal de orkut é coisa de coró.
Desceram do carro meio que a contragosto; o que dirigia queria ouvir ainda o solo de Angus. Olharam a fachada do lugar e deram de ombros, sabiam que ali vendia cerveja gelada. Viram um casal saindo, perguntaram como é que estava lá dentro e o rapaz respondeu: “Tá bacana, pouca gente, mas tá valendo”.
Entraram, viram um grupo de meninas em que duas delas (não as mais belas, óbvio) viraram o pescoço em direção à porta. Sentaram no balcão, pediram dois chops, um cinzeiro e perguntaram pelo dono. “Ô, rapaz, manda um abraço pro Waltinho”, disse um deles.
Depois do quarto chopp os assuntos seguiam a ordem ilógica: mulheres, filmes, bandas, mulheres, filmes, Rafael, filmes, mulheres, livros, Vlad, aparelhagem, filmes, Tylon, quadrinhos, mulheres, Randy, viagens, bandas…
Até que duas gostosas passaram, e então excluíram todos os outros assuntos e se dedicaram a arte da amizade regada a cerveja e mulher.
Pitacos recentes