Lazarento espaço mal ajambrado na improvisada esquina da Apinagés com Tupinambás, o Pancho, aquele que esqueceu de ser boteco, tal qual um destemido revolucionário chicano, enfrentava a concorrência armado com a vanguarda da cerveja quente e a fina seleção das fritas murchas.
As noites eram equatoriais no Pancho, marcadas pelo tom avermelhado que essa classe de estabelecimento invariavelmente adquire em Belém, resultado da mistura da iluminação amarela das lâmpadas incandescentes com o marrom das garrafas de Cerpa e a suada pele morena da clientela.
Entre mesas de aço com pontas enferrujadas e cantores capazes de trincar em 23 ramificações as bases da música contemporânea, reinava Selma. Ela mesma, a despirocada musa do supletivo, princesa do reboco aparente, senhora dos móveis tubulares.
Quando o amendoim vinha passado, bastava uma piscada para conferir a parte ao vivo do cardápio, indigesto como todo o resto. Sério, to avisando…xi, fudeu.


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