Arquivo para Abril, 2009
Com o poder nas mãos por ter feito sozinho a própria Declaração de Imposto de Renda pela primeira vez, Sílvio saiu às ruas naquela manhã com sangue nos olhos.
Era o homem que havia tomado as rédeas definitivas do próprio destino subjugando os mecanismos burocráticos em nome da liberdade. O ocorrido era a derradeira batalha pela conquista da vida adulta.
Venceu o formulário, expurgou de si os resíduos de bundamolice que em tempos passados o fizeram temer fila de banco ou não ter a mínima idéia de como funcionava a aprovação de cadastro para uma compra parcelada.
Sem perceber, recebeu também o silencioso aviso oficial do sistema. “Ei, te engoli, otário”.
Distraído, estava em busca de todas as respostas. Não sabia, por exemplo, onde diabos foram parar todas as galinhas do mundo, já que para qualquer lugar que se olhe as coisas hoje em dia são sempre “de frango”.
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Feijoada malfunction
Disse Gabriel em Peixe Aquário, do livro Diário Noturno*:
“Eu sou o oceano
atlético e atlântico
pacífico e romântico (…)Sou índico infinito
indicado pro amorEu sei, eu sal, eu sou.”
Falemos sério, não é um gênio dos versos publicitários?
Isso é o que complica o cenário artístico brasileiro, tem muito publicitário fazendo.
*Li os versos em uma Caras (a revista), em uma seção chamada “Foco”, que me parece selecionar petardos literários semanais para a massa leitora.
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Sem dúvida o carro mais bacana já possuído pela minha família foi o Opala 78 da minha avó. Era daqueles 4 portas com banco da frente único, marcha ao lado do volante.
Aos domingos, na janela do passageiro ia a minha avó, no meio o meu avô e guiando estava o seu Sinval, motorista da família. No banco de trás, todos os netos possíveis para o tradicional sorvete na Tip-Top, aquela que ostentava o monumento ao sorvete desconhecido na sua esquina: uma casquinha em cimento, de uns três metros. No alto, a cor da bola de sorvete – também em cimento, bom frisar – variava de acordo com o humor dos pichadores.
Acomodada embaixo da portentosa bunda do seu Sinval, estava uma almofada de cor indefinida, mas que um dia acreditou ser azul calcinha. Entre os netos, o desafio era tentar roubar a descolorida almofada e torturar um outro neto, pressionando o estofado contra o rosto do rival. “Ahá, toma os peidos do seu Sinval!”.
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PobreWA tá comandando a quebrada.
E que belos pensamentos saem daqui.
Garotos, garotos.
Namorei uma moça, Marilena, que trabalhava no circo e, entre outras coisas, fazia o número da Monga. Mas, por causa de direitos autorais, o ato dela chamava-se “Samira, a Mulher Macaca”. Era um espetáculo e tanto. Isso até o dia em que o Grand Circo Babatinha Foi se apresentar em Mossoró e o povo de lá levou tudo muito a sério. Espancaram Marilena e o moço que se vestia de macaca e ainda fizeram churrasco com o elefante.
Abraços.
Esse foi Cremô, ainda agora, em uma lista de e-mail que ninguém conhece ou participa.
Para analisar comportamento na internet não precisamos de proclamados evangelistas almofadinhas, precisamos apenas de quem saiba analisar comportamento, só isso.
O que uma comunidade on-line consegue em minutos hoje, já acontecia há seculos no mundo desconectado, mas em velocidade e intensidade compatíveis com cada época.
O abnegado esforço para contribuir visando apenas ganhar status perante outros membros, a colaboração mútua entre os participantes para alcançar objetivos em comum e assim gabar-se do resultado frente a outro grupo qualquer, as piadas e melindres entre veteranos e novatos, as picuinhas dos que se levam a sério demais e, por fim, a exploração comercial/financeira do produto intelectual coletivo feita pelos elementos de posição hierárquica mais elevada daquele meio.
Tudo já acontecia antes, dos monges copistas medievais aos cientistas militares da segunda guerra, passando pela troca de dicas domésticas entre gerações de donas-de-casa.
Por isso, antes de escutar qualquer caga-regra, é bom saber o que ele manja de História.
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Ainda existem as Rosquinhas Mabel, mas seu sabor atual não é o mesmo que guardo na memória.
O calor dos meus adolescentes dias de metaleiro era praticamente igual ao do mundo atual, mas não me recordo do provável aroma de mucura frita que se formava abaixo da zona axilar das grossas camisetas pretas silkadas vestidas por mim.
Isso quer dizer que as grandes merdas do presente serão lembradas como pequenas delícias no futuro e, pequenas bostas atuais, um dia serão esquecidas em nome de belas recordações.
Óbvio que esse pensamento só é válido para os casos relatados acima e, mesmo assim, com ressalvas à falta de sentido e devidas concessões ao desconexo.
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3- A viagem ao Rio de Janeiro em que esqueci minha prancha de natação em casa. Minha avó, que fazia tudo por mim, comprou um isopor enorme e mandou um homem cortar em forma de prancha. Os cantos soltavam pequenos flocos que sujaram bastante a piscina do hotel e me deixavam envergonhado perante as outras crianças. Anos depois, vendo as fotos, descobri que não estávamos no Rio de Janeiro, mas em Santarém, no Pará.
Lá do Godinho, esse pequeno gênio, 9 momentos mais marcantes de todas as viagens que ele já fez na vida.
Jogar o iPod no shuffle e passar uma hora dentro do busão observando a cidade se movimentar é como zapear ao vivo entre clipes.
A cena da bandeira do São Paulo ao lado da barraca de plástico preto do mendigo não ganha absolutamente nenhum significado com Beverly Hills do Weezer ao fundo. Já a frase “Kebre a rotina mas não se kebre” – na parede da oficina – conjugada com Moneytalks do AC/DC pode até ganhar sentido, reflita. Hey little girl, you want it all / The furs, the diamonds, the paintings on the wall / Come on, come on, lovin’ for the money / Come on , come on, listen to the money talks.
Por tudo isso, continuo sem entender (e fazer um “tadinho” mental com biquinho imaginário) as pessoas que se emocionam com comercial institucional de banco ou operadora de telefonia. Basta colocar fones de ouvido e olhar para uma praça em dia de sol que você faz o seu próprio filme (e sem querer vender nada a você mesmo).
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Olá, se você chegou aqui pelo google buscando por “tuiter”, parabéns, você é um asno.

Mas eu to rindo pra cacete.

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