Sem dúvida o carro mais bacana já possuído pela minha família foi o Opala 78 da minha avó. Era daqueles 4 portas com banco da frente único, marcha ao lado do volante.
Aos domingos, na janela do passageiro ia a minha avó, no meio o meu avô e guiando estava o seu Sinval, motorista da família. No banco de trás, todos os netos possíveis para o tradicional sorvete na Tip-Top, aquela que ostentava o monumento ao sorvete desconhecido na sua esquina: uma casquinha em cimento, de uns três metros. No alto, a cor da bola de sorvete – também em cimento, bom frisar – variava de acordo com o humor dos pichadores.
Acomodada embaixo da portentosa bunda do seu Sinval, estava uma almofada de cor indefinida, mas que um dia acreditou ser azul calcinha. Entre os netos, o desafio era tentar roubar a descolorida almofada e torturar um outro neto, pressionando o estofado contra o rosto do rival. “Ahá, toma os peidos do seu Sinval!”.
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PobreWA tá comandando a quebrada.
E que belos pensamentos saem daqui.
fala sério que a fabrica de sorvete mais famosa da NZ chama-se TIP TOP. Acho que é um sinal, meu caro. É o fim dos tempos.
Doda: ei, a Tip Top paraense fechou tem uns bons 15 anos, será que os caras foram pra NZ e montaram a parada aí? Fim dos tempos, mesmo.
Não lembrava do sorvete de cimento. Poxa, ninguém tem uma foto desse sorvete não?
13 anos atrás, eu trabalhava como contato comercial de um veículo de comunicação e fui lá vender espaços publicitários, já que a sorveteria estava em franca decadência num mercado já dominado pela holding Cairu:
Eu: “boa tarde, eu queria falar com o proprietário?”
Atendente: “Senhora, não vai ser possível, pois ele morreu”
Agradeci, saí de fininho, msa não sem antes tomar um sorvete sabor “paz e amor”. Pouco tempo depois a sorveteria fechou….
Doda: poxa, que melancólico. Se bobear a mamãe tem foto da gente ao lado do sorvetão, é só fuçar.