Arquivo para Maio, 2009

Grandes highlights da minha faculdade

- Na primeira aula de Introdução à Informática, professor pega objeto em frente ao computador e sentencia de uma vez por todas para a turma: “isto é um mouse”. Na prova bimestral, a primeira questão (valendo dois pontos) pedia que o aluno demonstrasse na prática que ele sabia entrar na rede da faculdade (digitando login e senha próprios) e, após isso, digitar no DOS o comando que o levaria ao lendário mundo do Windows 3.1 (o ano era 1998, bom lembrar).

- Em uma prova de Inglês II (4º ano do curso), que podia ser realizada em trios, devíamos escolher um entre três parágrafos de um texto infantil e responder (em português) 5 perguntas (também em português) de interpretação sobre o parágrafo escolhido.

- Naquela quinta prova do ano, realizada especialmente para salvar alunos que não atingiram a média mínima exigida pela faculdade nas quatro primeiras avaliações, certa vez consegui (nas entrelinhas) dois pontos extras porque a professora sugeriu que eu emprestasse a ela – “sem esperanças” – um livro raro que só eu na turma possuía. Emprestei, mas não sinto orgulho disso.

Serve mesmo

A fórmula que Pérsio havia encontrado para geração de energia alternativa era no mínimo gloriosa.

Seu conversor capturava o esforço intelectual inútil empregado em trabalhos de conclusão de curso, teses e monografias de alunos de universidades particulares (graduação e pós) e transformava em combustível para um tipo específico de ônibus urbano.

Faltava resolver o que fazer com o resultado da queima desse combustível: textos fortemente opinativos de autores oleosamente desconhecidos, todos assinados por Miguel Falabella e repassados em várias direções pela Deise (por coincidência, pós-graduanda de uma universidade particular).

(aliás, semana passada, Deise se meteu em discussão de bar justamente por causa de um dos textos. O amigo Melo discordava com alguma veemência da tese sobre busca da felicidade e manutenção de amizades defendida em uma mensagem repassada. Deise se irritou e finalizou o debate fraseando com ódio: “quem é você pra discutir com o MIGUEL FALABELLA?!”)

Enquanto não arruma uma solução, Pérsio decidiu ficar rico protagonizando palestras motivacionais para empresas. Ele planeja realizar algo absolutamente dispensável – uma peregrinação de patins por todas as ruas e avenidas brasileiras chamadas Getúlio Vargas – para depois construir metáforas que liguem seu feito ao cotidiano de quem passa o dia em um escritório falando sobre programas de TV.

carinhas

Um Ricardo

Investido pelo status máximo conferido ao público consumidor do qual fazia parte (Homens 25-35, classes AB, moradores de grandes cidades), fazia questão de demonstrar para a garota da vez toda a sua intimidade com o Garçon. A intenção era exibir poder à moça, deixando claro que frequentar aquele ambiente de caríssimo mau gosto era uma rotina.

Para descontrair a conversa e ao mesmo tempo dar um toque de consumidor-cidadão à imagem, ele adorava contar das vezes em que colocava as atendentes de telemarketing em seu devido lugar, caprichando na imitação dos gerúndios e glamourizando suas próprias falas, as mesmas que estavam prestes a demolir as bases do capitalismo contemporâneo.

Já para mostrar esperteza e seu lado descolado, puxava a carteirinha de meia-entrada falsa. Ria sozinho lendo o curso universitário impresso ali, um tal Administração de Conteúdo para Novas Mídias. Em tom de ótima piada, listava também o nome dos falsos cursos dos amigos. Arrematava dizendo não concordar com nada daquilo, mas que se todos faziam, ele mesmo não ia ficar de fora, “né”?

Na saída, ameaçou não pagar o estacionamento por notar um arranhão no Tucson, mas foi convencido por ela de que a marca podia estar ali antes. Logo à frente, no cruzamento, pensou que o adolescente malabarista poderia estar armado, resolveu então ajudar o garoto com duas moedas de 1.

warriors

Daqui.

Djalma Dutra

Coletivo-rei da minha vida. Me levava ao torturante colégio, aulas e cursos vespertinos sobressalentes – dos frescos e boiológicos inglês e vôlei aos viris e fracassados basquete e violão. Transportava-me também à sagrada meca da jogatina dos 8, 16 e 32 bit na Belém dos anos 90, a Soft Game. Casa dos tios, fliperama, shopping e sorveteria, até sumir pra lá dos confins da Municipalidade.

Nele, sofri com a partida do meu G-Shok ciudadlestino que tomou o bolso de um larápio portador de objeto cortante, episódio também conhecido como Meu Primeiro Assalto. Esperando pelo Dutra na calçada, ainda vacilei em um vale-refeição para outro malandro, desta vez equipado somente com um tom ameaçador de voz. E finalmente, ainda no ramo da violência urbana, perdi (playboy®) para ágeis mãos malacas um par de óculos, já meio catimbados pela vida é verdade, mas ainda assim, bens próprios sobre os quais terceiros não detinham direitos legais.

Djalma, o primeiro a possuir botões substituindo as inalcançáveis cordinhas.

Dutra, ousado quando colocou assentos frente-a-frente, tornando a viagem dos ocupantes destas posições uma espécie de conversa entre amigos na sala-de-estar (mas sem a parte da intimidade).

Ah, DD, hoje posso até levantar o braço direito para outros maiores, melhores e que aceitam Bilhete Único, mas é em ti que penso – primeiro da minha vida – quando lembro o quão prazeroso é andar de ônibus. Um dia, no bate-pronto final de uma entrevista de emprego, responderei teu nome quando a pergunta for “sonho”.

Esquizô

Crianças, espadas crispadas!
Esperem, cretáceos estranhos!
Cristais, espelhem crisântemos!

Especifique, Cristina. Espontaneamente.
Cristãos, esperem. Criando.

Espatife, critique, espinafre.
Craft.


irmaos

Só no automático

Havia depositado na caixa de sugestões uma pormenorizada teoria explicando em ginecológicos detalhes a obsessão nipônica por criar robôs semelhantes ao homem. Esperava apenas que a diretoria lesse.

Tamanho o seu interesse no assunto, produzia uma expressão de horror ao pensar, diariamente, onde toda essa bosta iria parar.

Raciocinava que, por enquanto, eram apenas cópias chinesas de japoneses insossos, mas um dia poderiam ser urbaninhos de dreads dos que andam com o narguile pra cima e pra baixo e, na primeira oportunidade, atocham o troço na mesa do bar. “Esse é de uva com eucalipto e romã, é uma delícia, prova”

Diospiro

Jamais havia comido um caqui até os 30 anos porque não conseguia conceber que uma fruta pudesse parecer um tomate.

Mas provei e gostei. Hoje traço caquis pela manhã, com gosto. Caso possa, comerei caquis até o fim dos meus tempos. Se um dia estiver na presidência de um país, serei capaz de arrumar falsas acusações contra outra nação para legitimar uma ordem de invasão contra a mesma, tudo para controlar a produção mundial de caquis.

Já com mulheres funcionou de maneira um pouco diferente. Comi a primeira após uns 15 anos de vida, mas antes disso eu já concebia (bastante e de forma eloquente) que me agradaria imensamente devorar uma assim que o porteiro anunciasse que a oportunidade estava na recepção e gostaria de subir.

Mas obviamente, as situações são incomparáveis, já que o caqui pode ser comido com casca.

Carlos

Apenas três artistas brasileiros utilizando Carlos como segundo nome alcançaram as iluminadas glórias que a ribalta proporciona.

São eles Roberto, Erasmo e Danni Carlos.

Um pessimista diria “já deu, três é demais”.

Mas o otimista, claro, considera que “ser Carlos não é problema, o problema é ser Carlos e chato”.

Por isso, Jussiê Carlos. Inédito e exclusivo, assim ele pretende se apresentar.

O primeiro cantor popular colaborativo do Brasil, Jussiê Carlos.

What Are You Doing, Jussiê? Quem você conhece, Jussiê?

Vamos nessa, entre no Jussiê para aumentar a circunferência do seu círculo social.

Me add no Jussiê, compatilhe as fotos dos seus trabalhos em argila no Jussiê e aumente sua renda trabalhando de casa.

Parabéns, você é o Carlos de número 1.000.000,00 a clicar no meu Jussiê.

religulous_blog

Assim que der, veja Religulous.


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