Arquivo para Julho, 2009

Ariramba

Eram necessárias algumas uniformizadas horas me cervejalizando atrás do trio elétrico para que os 2 ou 3 quilômetros – a pé – na volta não fossem sentidos.

Exalando entorpecido amortecimento das orelhas às falanges dos dedos dos pés, já caminhava com avantajada confiança pela orla há pelo menos 30 minutos quando, na areia, revelou-se a distorcida imagem de amazônica musa sentada em fina canga, praticamente implorando uma paquera.

- E cadê o namorado?

- Tá ali na água, vindo pra cá.

- Ah, pode crer.

- Sai daqui agora, ele vai te bater.

Corri. Já era noite, passava das 20h no mínimo. Corri, corri pra caralho para o mar (mentira, a praia era de rio). Lá permaneci por 15, 20 minutos, trajando tênis, abadá, pochete e falta de vergonha típica da pós-adolescência mediana vivida por calouros de universidade particular.

Da água, observei melhor o casal. O cara não estava e não esteve em momento algum pensando em acertar a minha cara. E com a mente mais clara, percebi também que a moça jamais planejou possuir algum traço de beleza. O cheiro de engodo dominava a atmosfera.

Molhado, continuei a caminhada. 5 ou 10 reais tentavam manter seus átomos unidos dentro do aquário preso em minha cintura. Fui secando pelo caminho até a casa, onde dormi no chuveiro.

Jamais descobri como, mas consegui acordar na cama, toalha como vestimenta. O clinicamente insano e tresloucado Lôlo, protagonista da segunda temporada de daschunds (COFAP, Salsichas) da família decidiu brindar meu despertar com vigorosas lambidas faciais que, salvo engano, naquele meio sonhar do quase acordar, me pareciam casquinhas de sorvete sendo arremessadas duramente contra o meu rosto.

UFOs

Há uns dois anos que não são mais vistas por aqui as postagens-coletâneas fazendo troça com os termos de busca que trazem gente até este local. Parou de rolar porque é coisa de giárdia empolgada com blog e, na medida do possível, tenho empreendido severos esforços no sentido de abandonar a bundamolice.

Mesmo assim, não posso deixar de notar a fixação de certo grupo de usuários com as celebridades Maria Padilha, Fafá de Belém e Maria Zilda. Diariamente, pelo menos 10 malucos chegam aqui buscando pelas fotos das três tias peladas, nuas e sem roupa naquelas revistas masculinas que só conheço de ouvir falar, pois sou um palermão.

Aos domingos, o sucesso das paradas são as buscas e variações por “o que fazer em são paulo aos domingos”. Acho compreensível digitar “programação de cinema sp” ou “churrascarias em São Paulo”, mas quando não se tem a mínima direção de gosto, por que não sair de casa logo e adotar prontamente o primeiro programa indígena que se apresenta? O sujeito não tava fazendo nada mesmo, ué.

E mantendo grande atividade, temos “como montar uma banda”, o termo dos que jamais farão sucesso e, por isso mesmo, nos deixarão um pouco mais tranquilos no futuro (a menos que resolvam virar poetas).

[esta postagem só existiu para que a foto abaixo conseguisse exibir sua mensagem aos 33 milhões de leitores que acompanham este sítio]

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São Paulo, Vila Mariana, Rua Joaquim Távora. Foto de minha autoria, não a placa.

Bares que me lembro – Domani

Das diversamente fracassadas incursões ao mundo play (que inconscientemente jamais desejei).

Precisando impressionar, na primeira noite a escolha do local era certa. Traindo as altas intenções do estabalecimento, tira-gostos sofisticados que iam do provolone à milanesa ao filézinho (borrachudinho e nervoso) – decoração by folhas de alface murchas.

Clássico das noites belenenses, o chope mal tirado aguadinho badalava nas mesas e no dia seguinte, na cabeça de quem tomou, assim como as atrações musicais emulando a mais rasteira das MPBs, tudo com aquela pitada regionalista aparaensando a noite: entre Djavans e Calcanhotos, eram servidas doses de “Foi assim, como um resto de sol no mar” e “Uma leira, uma esteira, Uma beira de rio / Um cavalo no pasto, uma égua no cio”.

Pioneiro ao alocar uma grande embalagem de Listerine no banheiro, o Domani salvou inúmeros hálitos problemáticos ao longo de madrugadas, tornando mais agradável a experiência de uma primeira aproximação bocal entre casais prestes a se formar.

Depois de uma reforma, um aquário foi posicionado em destaque. Ótimo para que integrantes de mesas pouco entrosadas pudessem ter um bom ponto visual de escape para conseguir algum assunto puxável com seus pares.

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“Mossoró is a place to rock”, diz o amigão.

Copio deles

Liberdade é cagar e andar para a leitura de todos os clássicos ainda não lidos e, com o peso de uma pluma nas costas, declarar que suas maiores influências literarianas são:
- vira-latas que possuem espaços como esse aqui;
- umas fotinhos que escrevem frases de até 140 caracteres;
- placas, avisos e demais formatos populares de comunicação criados por autores com preocupações não muito diferentes das minhas.

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Falando em Liberdade, lá em Belém tem.

Até ouvir o clic

Não existe justiça ou injustiça no mundo.

Encaixe. Tudo pode ser resumido nisso.

A competência, vontade ou perspicácia em se preparar, dedicar ou perceber o momento de se encaixar na oportunidade determinam ou não a sua infelicidade presente ou futura.

Rola o alto risco de você não servir para encaixar em nada, mas por outro lado isso quer dizer que você é peça única e, quem sabe, pode construir um caminho em que os outros é que desejarão se encaixar em você (e sim, isso também se aplica ao duplo sentido da teoria).

Alguns têm facilidades extrapessoais de encaixe, mas reclamar, apesar de ser divertido, não tem lá grandes resultados.

Claro que essa conversa de varanda não deve ser levada a sério, mas você pode guardá-la no bolso para ler toda vez que pensar em encher algum saco alheio falando mal do fulano só porque ele ganha bem pra cacete.

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Feelings, nothing more than feelings.

Ó fragúndio bugalhostro

Poesia vogon na mesa de bar. Houve tempo de refletir com alguma demora sobre devorar ou não o meu próprio braço esquerdo como único modo de chegar ao final do monólogo. Consegui evitar tal recurso pensando em recordações diversas.

O dia mais distante alcançado em pensamento foi aquele em que, no colégio, um – até segunda ordem – peido transformou-se em considerável freada semipastosa na cueca. No ‘recreio’, fui-me encostando pelas paredes – fazendo o possível para que ninguém me visse de costas – até o banheiro para lá me desfazer da roupa de baixo e tentar amenizar o que havia de estrago na região com providenciais folhas de papel do tipo mais íntimo. Creio ter adiantado, pois não lembro de encarnações escolares posteriores para cima de mim com o tópico cagão. Voltei relativamente limpo para as duas últimas aulas, mas com o bicho solto dentro da calça e uma pequena área externa do tecido denunciando, por meio de uma mancha, que atividades ilegais ocorreram ali, por debaixo dos panos.

Voltei. A poesia Vogon ainda se prolongava à minha frente, mas já extinguindo sua luz e enfraquecida diante de minha impavidez. Ao final, vitória. De altíssimo custo.


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Is the law again

Toxina mortal se espalha pelo mundo. Desespero nas ruas. Sequência de imagens mostra jornais de diversas cidades repercutindo a cagada. Ao menos uma boa notícia: primeiras vítimas são repórteres de programas de cobertura jornalística engraçadinha. Governo pode preservar apenas parte da sociedade em um bunker em Araraquara. Os escolhidos? Somente quem escuta metaaaaaaaallllllyeah!

Mas quem precisa de

O instinto de autopreservação é o pai desse grande parceiro aí chamado Medo de Mudanças, um primo do Ódio ao Simples, vertente crítica intolerante às facilidades.

Mas o óbvio ulula, entregando que a maior parte dos enfezados defensores do Complicado são pessoas involuntariamente simples.


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Via Eduardo’s

Pra amanhã

Desde sempre a mentira é um dos grandes estilingues humanos. Sincera ou não, a mentira justifica, motiva e faz a roda girar.

Em propaganda, a maior delas talvez seja aquela que tenta fazer funcionários, clientes e fornecedores acreditarem que consumidores dormem e acordam com o único propósito de construir ou mandar pelos ares a reputação de marcas.

Esse tal comportamento implacável do público justifica madrugadas e finais de semana de trabalho insano em busca da finalização da campanha perfeita, aquela que apagará o incêndio definitivo, debelando a má vontade do consumidor para com determinado produto. Não, ninguém pode esperar até segunda ou sair antes das 20h.

Tudo cascata. O Negócio é que algumas dúzias aí ganham uma obesa grana por conta do teatrinho e continuam a vender ingressos para viciar o círculo.

Então o cara que vê o espetáculo de longe se encanta, passa a sonhar com o circo e coloca como objetivo de vida tornar-se um integrante da trupe. O sistema ganha mais um tijolinho obediente para a sua estrutura.

E o consumidor, teoricamente quem sustenta toda a pregação, tá lá alheio, como sempre buscando apenas 3 coisas: comer, rir e trepar.


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Já usei isso aqui?

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Dica para quem está revendo o seu papel no mercado de trabalho de forma voluntária ou não: se vai passar o dia em casa, não deixe a TV ligada em desenhos animados ou programas femininos de variedades. A sensação de vagabundeamento cresce e o vazio da inexistência profissional pode acabar preenchendo os espaços disponíveis de tristeza interior.

Acerte: canais de notícias são excelentes para compor o clima de que você está procurando – e não desesperado por – trabalho. CNN é ainda melhor, mostra que você está pensando em contexto global, mesmo que o seu maior esforço intelectual no próximo trampo seja discutir a rodada do campeonato ao lado da garrafa de café.

blog_rock_roll

É hoje e tal, né?

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