Observações paulistanas

Esquisito chegar em São Paulo no calor. Muito calor mesmo, mas sem a umidade equatorial de Belém que faz as pessoas suarem como maratonistas. Aqui faz mais sentido você comentar sobre o clima, já que existem consideráveis mudanças entre as estações, fazendo com que o assunto renda mais. Não entendo porque em Belém ainda se comenta “nossa, que calor” ou “só chuva hoje, né?”, já que estas são as duas únicas opções climáticas disponíveis desde que a cidade foi fundada.

Curioso também notar as diferenças entre cidades nas nomenclaturas de ruas e logradouros (logradouro é uma palavra que não deveria morrer, adoro usar: logradouro, logradouro, logradouro!). Por exemplo, o Pará nunca emplacou algum brigadeiro famoso na marinha, porque em Belém não temos ruas com nome de doce: aqui tem Brigadeiro Luís Antonio pra lá, Brigadeiro Faria Lima pra cá e outros menos famosos.

Em uma cidade com sei lá quantas mil ruas, nomeá-las definitivamente não é tarefa fácil. O estoque da datas comemorativas e vultos históricos é limitado, bem menor do que o necessário para São Paulo. Daí ocorrem coisas interessantes como ruas chamadas simplesmente de “Olga” ou “Jorge”. Você mora onde? Na rua Olga. Olga Benário? Não, só Olga.

Duas espécies que proliferam como coelhos em São Paulo são os japoneses e motoboys, mas até o momento ainda não vi um motoboy japonês. Talvez os motoboys entregadores de comida chinesa sejam japoneses.

Outra especialidade paulistana são os posers. Olhando para qualquer lugar eles estão lá. Góticos, indies, punks, clubbers, qualquer tribo. São tantas pessoas querendo posar de alguma coisa que ainda não sei como não existem empresas de consultorias especializadas em criação e venda de atitude. Quem sabe não inicio este negócio por aqui.

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3 Responses to “Observações paulistanas”


  1. 1 karla nazarethhttp://www.cacildacacilda.blogspot.com janeiro 24, 2006 às 1:36 pm

    não faça nada que envergonhe a classe. té parece. boa sorte ai! :P

  2. 2 Paulohttp://www.ressacamoral.com janeiro 24, 2006 às 7:55 pm

    Aqui tem a Brigadeiro Protásio, bobinho.

  3. 3 Natalia Brabohttp://nataliabrabo.blogspot.com janeiro 25, 2006 às 2:13 am

    “Não entendo porque em Belém ainda se comenta “nossa, que calor” ou “só chuva hoje, né?”, já que estas são as duas únicas opções climáticas disponíveis desde que a cidade foi fundada.”

    Ahn? Quer dizer que antes da fundação da cidade no fatídico século XVII, Belém ou melhor, a área correspondente gozava de inverno/verão/primavera/outuno?

    “Por exemplo, o Pará nunca emplacou algum brigadeiro famoso na marinha, porque em Belém não temos ruas com nome de doce: aqui tem Brigadeiro Luís Antonio pra lá, Brigadeiro Faria Lima pra cá e outros menos famosos.”

    Na verdade é justo e necessário esclarecer uma coisa. O Bairro do Umarizal é repleto de nomes ligados à Guarda da Cidade, só que não tem os títulos na frente. Todos foram revoltosos do 14 de Abril de 1835, ou seja, passaram a ser os libertários. Agora, faz parte de uma política iniciada ainda na década de 30 apagar os nomes de Brigadeiros que eram por sinal heróis de guerra, mas “repressores” do povo. Hoje nós teríamos provavelmente um bairro chamado Brigadeiro Soares de Andréa, principal repressor da cabanagem, mas Edmilson Rodrigues, o prefeito cabano, acabaria logo com essa sacagem. É… simbologia, saca?

    Bjs, Doda.

    Curta São Paulo.


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