Ô rapaz (piada interna)

É duro reconhecer, tentei amenizar, resisti até onde pude, mas não dá mais para negar que mais uma fase da minha vida social acabou. Fases da vida social de todos iniciam e terminam todos os dias e, na verdade, azar de quem não possui tais inícios e términos e passam pelo mundo na mesmice.

Mas não é porque as mudanças são naturais e até desejáveis que elas não são difíceis. Mudar de cidade, de emprego, de amigos, implica em centenas de coisas. Uma delas é a tolerância. Você está começando praticamente do zero, possui alguns amigos no novo hábitat, mas ele continua sendo majoritariamente hostil. O grupo com o qual você estava acostumado e passou anos da sua vida involuntariamente selecionando, de repente se desfaz e você precisa estar predisposto a fazer novas amizades.

Em nome da tal tolerância e do convite dos novos amigos, sua diversão também muda. Nunca me imaginei, por exemplo, assistindo um desses shows gratuitos para milhares de pessoas em praça pública. Com apenas alguns dias em terra nova, lá estava eu encharcado em meio a um temporal amazônico no Parque do Ipiranga, esperando por uma banda que não gosto e pior: sem poder falar mal ou xingar, já que até onde a vista alcançava, eles estavam lá, os fãs xiitas do tal Sarapatel do Estômago Queimado ou seja lá como chamam aquele som feito para o urbanóide médio achar que está contribuindo socialmente com o país gostando de música de regiões miseráveis.

Bem, mas este texto não trata de música ruim e nem de tipos paulistanos preconceituosos às avessas, estou escrevendo para dizer a falta filha da puta que os meus amigos fazem.

Esse final de semana em especial eles fizeram muita falta. Os comentários ácidos nas mesas de bar, as teorias absurdas, as piadas que só nós entendemos, os xingamentos preconceituosos gratuitos, as confusões na hora de calcular as contas e definir os sabores das pizzas, as cantorias em supermercados e lojas de conveniência, as soluções para todos os problemas do mundo desfiadas entre uma e outra suposição pretensiosa.

Panelinha, grupinho, turma, galera, bando de vagabundos ou “aqueles imbecis”. Qualquer coisa que nos defina como parte de um mesmo grupo já nos deixa satisfeitos, simplesmente porque queremos ser reconhecidos como caras que podem se mandar à merda mutuamente e achar tudo isso muito bacana.

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7 Responses to “Ô rapaz (piada interna)”


  1. 1 Sara março 27, 2006 às 9:00 pm

    Fica assim, não. Tenho certeza que a segunda parte dessa história vai ser muito mais animada. São Paulo tem muito a ensinar e, save como é: o melhor aprendizado é mesmo aquele que vem depois de momentos difíceis. Bjão.

  2. 2 Luana março 28, 2006 às 4:02 pm

    Ô Rapaz…
    Acho que essa ta sendo a pior parte de tudo, né? :).
    Calma…muita calma. :).
    Te cuida ai, rapá! :)
    Sempre bem lembrado e comentado.
    Ah! minhas dúvidas ainda não acabaram. É que eu cai e tu, provavelmente, fostes papar.
    Bjks.

  3. 3 zefirino março 30, 2006 às 5:11 pm

    volta edoardo, teu lugar é aqui!!! fama, reconhecimento, vagina e algodão-doce te esperam!

  4. 4 Élidahttp://www.fascinadapeloinstante.blogspot.com março 30, 2006 às 7:34 pm

    Vai à merda seu viadinho. Beijos recheados de uma saudade filha da puta.

  5. 5 Natalia Brabohttp://nataliabrabo.blogspot.com abril 3, 2006 às 1:05 am

    “fama, reconhecimento, vagina e algodão-doce te esperam!”

    Doda e suas conquistas hermafroditas.

  6. 6 Rafaelhttp://www.ressacamoral.com abril 9, 2006 às 2:09 pm

    Ok

  7. 7 Paulo Guedeshttp://www.ressacamoral.com maio 25, 2006 às 1:10 pm

    ô, Dodinha, vai tomar no cu.


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