Cêódois

– Amigo, rua Pedro de Toledo com Rubem Berta, por favor.

– Esse ônibus aí pára exatamente lá.

– Eu sei, faço o trajeto todo dia, mas hoje to atrasado, vamo lá?

– No meu táxi o senhor vai gastar uns 12 reais, de ônibus sai por 2,30, pense bem, vai levar só uns 15 minutos a mais.

– Não to entendendo, você não quer ganhar dinheiro?

– O senhor sabe o quanto de gás carbônico vamos deixar de jogar na atmosfera caso o senhor vá de ônibus?

– Mas o ônibus também solta gás carbônico e muito mais que o seu táxi, vamos logo pelo amor de deus ou vou pegar outro carro!

– Aí é que está, o ônibus polui mais que o meu táxi, concordo, mas ele leva muito mais gente e, além disso, ele sempre faz esse trajeto, está programado para poluir mais ou menos a mesma coisa diariamente, já o meu táxi está com o motor desligado e somente poluirá um pouco mais o ar nesta manhã caso o senhor insista em não ir de ônibus.

– Mas que saco, vou pegar outro táxi, passe bem.

– Ah, não vai não, ninguém aqui na praça vai topar fazer essa corrida suja e sem sentido, entre no coletivo ou vá a pé!

– Mas que loucura! Claro que algum outro vai me levar…você aí, por favor, quero chegar na Pedro de Toledo com a Rubem…

– Berta? Já leu o itinerário do ônibus? Ô Jurandir, seu ônibus passa na Pedro de Toledo com a Rubem…

– Berta? Claro que sim, tem um ponto bem na esqui…

– Chega, vou a pé!

– Mas não era o senhor que estava atrasado?

– Era, mas agora chega, vou respirar um pouco de gás carbônico em paz…ei, o que é isso? Me larguem! Socorro, polícia!

– Qual o problema aqui?

– O senhor aqui queria ir no meu táxi ali na Pedro de Toledo com a Rubem Berta…acredita nisso, sargento?

– E por que o cidadão não quis ir de ônibus com o Jurandir?

– Policial, esse cara…

– Ele tem nome cidadão, é Claudiomiro…

– Ok, policial, o senhor Claudiomiro…

– Cidadão, eu também tenho nome, ta aqui na farda…

– Ok, ok, Sargento Oliveira, eu estava, aliás, estou muito atrasado e pedi que o senhor Claudiomiro, dono do táxi, me levasse até um endereço…

– …que o senhor poderia chegar de ônibus economizando dinheiro e contribuindo para tirar ao menos um carro do trânsito…

– …ai Jesus, certo, mas eu precisava chegar mais rápido, enfim, isso não importa mais, quando eu decidi ir a pé ele, os outros taxistas e o motorista do ônibus me agarraram e queriam me forçar a entrar no ônibus! Fui agredido!

– Isso é verdade pessoal?

– É sim!

– Fonseca, algema o cidadão aqui e leva pra viatura…

– Mas como assim?! Eu não fiz nada! Esses caras é que são doidos, pelo amor de Deus!

– Bom trabalho pessoal, em que mundo o cidadão aí vive, heim Claudiomiro?

– Pois é, imagina só…

– Oliveira, e o Verdão?

– Ah rapaz, esse meu time…

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Fitas pessoais e umas opiniões definitivas incertas. Qualquer coisa, dá um alô no doda.doda@gmail.com

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