Móveis Coloniais de Acaju

Em um post não muito distante, pensei em falar de top 5 shows bons que vi nos últimos tempos em Sampa, mas ainda não bateu uma vontade de escrever com afinco a respeito. Los Pirata, Jumbo Elektro, Matanza, BidêouBalde, foram vários muito bons, mas o melhor de todos eu vi na última sexta, 23 de março, no mesmo Inferno onde rolaram os Autoramas, previamente comentados aqui.

Os Móveis Coloniais de Acaju não são apenas uma banda de nome sensacional, são provavelmente A banda mais sensacional do tal atual novo cenário do rock(?) brasileiro. O disco eu já tinha baixado (é, eu baixo mesmo, não compro mais e tenho argumentos pra horas de discussão, portanto, se quiser discordar venha bem armado) e achava muito bom o Ska-Rock dos brasilienses, mas o show…bem, nada do que eu disser aqui vai passar perto do que a banda ao vivo consegue transmitir.

O vocalista André Gozáles – Sósia do Selvagem Cor-de-Rosa, é dono de uma sincera voz canalha que me lembra o tom de mal sucedidas cantadas noturnas que, se não conquistam a mulher, no mínimo arrancam-lhe um sorriso, mas estou falando bobagem, escute o cara cantando e tire suas conclusões se ele é ou não muito melhor que qualquer vocalista de bandinhas weezer-jovem guarda-beatles que assolam medianamente o rock brazuca.

Sabendo que provavelmente seriam ofuscados pela inusitada variedade capilar de Gonzáles, os outros 10 (!) integrantes da banda precisavam de recursos cênicos para não sumir no palco. A solução encontrada foi se mexer: o naipe de metais, que geralmente fica lá no fundão balançando os instrumentos da esquerda pra direita, desrespeita a careta convenção não-verbal e sai pulando, correndo e zombeteando pelos sejam lá quantos cantos o palco possuir. No caso, o do Inferno era bem pequeno para o tamanho da banda. Em certas horas me parecia que algum deles seria cuspido no meio da platéia devido à movimentação frenética on stage.

No meio do show você não conseguirá prestar atenção em nenhuma das letras, dançar será sua primeira preocupação, mas em casa, ouça demoradamente alguns trechos: você conclui que além de ser foda no som e no palco, os desgraçados também sabem escrever e, como observou o amigo Gustavo Rodrigues – que estava comigo, a permanência de uma banda como os Móveis no “underground” é a prova de como os executivos de gravadora não estão nem aí pro que você escuta e realmente merecem tudo que está acontecendo com suas empresas. Os Móveis poderiam tocar em qualquer rádio, é o tipo de disco que até sua mãe pode gostar sem se ofender, são letras boas, divertidas – sem pretensões poéticas lenino-baleirozísticas, sem a chata depressão sonora barbuda carioca, sem o cosmopolitismo atrasado de muitas bandas paulistanas.

Banda do cacete, cerveja gelada, grande turma de amigos. Algo estava errado, noite perfeita demais não existe. Ah, claro, uma hora e meia de fila para pagar o cartão de consumo. Atendimento ruim, lento e de má vontade. O lugar estava lotado e isso é inevitável? Putz, desculpa, mas o problema não é meu. Nunca mais volto nessa porcaria, a não ser pelos Móveis.

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1 Response to “Móveis Coloniais de Acaju”


  1. 1 Leandro março 28, 2007 às 8:04 pm

    Fala cara! Se eu soubesse que eles vinham tocar no Inferno, eu ia com certeza. Vi o show deles no Curitiba Rock Festival do ano passado e adorei. Os caras desceram do palco e armaram uma roda no meio da platéia! Foi muito bom…

    Fui ao Inferno semana restrasada ver Vanguart. Achei a casa bem legal, não peguei fila para pagar. Mas naquele dia estava beeem vazio. O esquema é ir pagar quando perceber que a banda está acabando o show. :)

    abs
    leandro


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