Don’t save the cheerleader

Heroes – O episódio final da primeira temporada foi ao ar segunda passada nos EUA. Baixei na terça, mas só tive tempo de assistir no sábado. Me senti um panaca. Esperei ansiosamente 22 episódios pelo final, divulguei a série para dezenas de pessoas, emprestei DVDs com os primeiros episódios pra um monte de amigos e conhecidos e tudo isso para que os roteiristas me aprontem um dos finais mais ridículos de alguma coisa que já presenciei. Se você ainda não viu pare de ler imediatamente aqui porque vou entregar um monte de coisas.

Hiro – Os buracos no roteiro do personagem mais popular da série começaram desde o episódio 20. Ele pula 5 anos no futuro, se encontra com ele mesmo (e o continuum espaço-tempo não sofre nenhum tipo de colapso) e descobre que não conseguiu evitar a tal explosão, beleza. Ele volta até o presente, encontra o pai (que se revela um mestre samurai) e aprende com seu genitor, em cerca de uma hora, a ser um Pelé da espada, ok, ainda estamos engolindo a forçada de barra até aqui. Então o japa vai atrás do terrível Sylar, pois na revista em quadrinhos que prevê o futuro, ele, Hiro, é quem mete a espada no cara (mas pera lá, se a revista pintada pelo Isaac já previa isso – Hiro enfiando a espada no Sylar – como é que 5 anos no futuro o evento da bomba poderia ter acontecido e Sylar ainda estar vivo naquela realidade?). Lembrando que o poder de Hiro é parar/viajar no espaço-tempo, certo? Então, por que diabos nesse último episódio, no momento em que ele encontra o Sylar pela primeira vez (quando foi salvar o amigo Ando), ele não pára tudo, enfia o sabre no rabo do cara e resolve a história? Ah, claro, ele é o japa, o mundo obviamente precisa ser salvo por americanos mais lá na frente.

Peter – Ele seria o homem-bomba segundo o estranho sonho que se repetia desde os primeiros episódios, certo? Beleza, mas aí o Sylar pegou o mesmo poder radiativo que ele, ou seja, qualquer um dos dois mais poderosos poderia ser o causador da explosão. Pergunta: ao final da temporada Peter já sabia como controlar razoavelmente todos os poderes que absorveu durante a série, por que o poder da radiatividade ele não era capaz de dominar suficientemente bem a ponto de não explodir? Certo, digamos que ele não leu o manual desse poder, engolimos mais uma.

Nathan – O político safado revela-se o grande salvador da pátria no final de tudo com a solução mais idiota que um roteirista da série poderia ter pensado. Vamos lá: Peter bobalhão não consegue controlar o poder radiativo, ele havia combinado com Claire (mais tarde também com o Bennet), que em caso de explosão, ela (ou ele, Bennet) deveria dar um tiro nele que o apagaria, evitando assim que ele explodisse por não saber controlar o tal poder radiativo. Como ele, Peter, já havia absolvido o poder de regeneração da Claire, uma simples bala não ia matar o cara, né? Então por que diabos a Claire chorava como uma samambaia desmiolada na hora em que precisava atirar nele? O cara ia voltar do mesmo jeito, ora bolas. Como a titubeante Claire não consegue atirar no próprio tio, surge o papai biológico Nathan, o voador redimido, que para evitar a morte de milhões de pessoas voa com o irmão Peter para o espaço, assim a explosão atômica acontece nos céus e não no centro de Nova York, mas…mas…Peter também tinha o poder de voar, por que ele mesmo não pensou nisso – voar para o espaço da puta que pariu e explodir longe de Manhattan? Então calma lá, vamos recapitular: a frase de TV mais imbecil de todos os tempos “save the Cheeleader (a Claire), save the World (esse mesmo aí que você vive)” no final não queria dizer nada e foi simplesmente um artifício para vender camisetas para nerds? É, porque afinal, ter salvado a Claire não adiantou merda nenhuma, já que ela não salvou o mundo (pois não atirou no Peter na hora dele explodir) e o Sylar, mesmo depois de ter uma espada atravessada no meio do corpo, escapou vivo (!) por um bueiro. Ora, segundo o que o roteiro nos fazia crer, Sylar não poderia roubar o poder de Claire (regenerar qualquer tipo de ferimento no próprio corpo) do contrário ele se tornaria indestrutível. Ele, Sylar, realmente não conseguiu o poder, então como diabos ele sobrevive a uma enfiada de espada samurai no meio do tórax? Ou seja, se Sylar escapou de qualquer maneira e Claire não evitou a explosão de Peter, qual era o objetivo de “salvar a cheerleader para salvar o mundo”?

Outros furos podem ser apontados no último episódio, mas deixo os comentários para os blogs especializados em conteúdo nerd. Sempre fui avesso a acompanhar séries como Arquivo X, Lost, Battle Star Galactica e Heroes justamente porque me sentia um imbecil tamanha a debilidade/nerdice das tramas. Heroes parecia diferente, não era uma história simplesmente para nerds, mas uma parada de ação rápida, roteiro que parecia conseguir gerir de maneira competente as dezenas de personagens e tramas, sempre revelando fatos importantes em cada episódio, evitando a eterna enrolação e lenga-lenga de Lost.

Eu acompanhava religiosamente três séries (The Office, Rome e Heroes), tenho agora dois lugares vagos para a próxima leva de temporadas, já que Rome não terá continuidade após o término da segunda temporada e Heroes…bem, deixa pra lá.

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4 Responses to “Don’t save the cheerleader”


  1. 1 Iuri maio 29, 2007 às 4:13 pm

    Egua, pode crer… exatamente como eu me senti no final de heroes… Muitos furos e atuações horríveis!
    E eu tava apostando em heroes pra ser algo diferente justamente de Lost que fica naquele chove-não-molha eterno, e te digo: o fim da 3a temporada de Lost simplesmente vale por todos os episódios.
    Queres uma sugestão? Baixa DEXTER. Uma temporada, 12 capitulos e um final dukaralho.

  2. 2 Aloizio maio 29, 2007 às 5:37 pm

    Rapaz, me decepcionei um pouco com o final de heroes, de fato nao era o que eu esperava depois de assistir todos os 22 episódios anteriores, esperava um final muito bom, mas ainda acredito que a série continue boa…

    espero que eles expliquem esses furos, ou façam remendos para que a série nao vá por água abaixo!

    abraço!

  3. 3 Jayson julho 5, 2007 às 1:58 pm

    O que eles quiseram dizer com o “Save the cheerleader, save the world” quer dizer que se o Sylar pegasse os poderes dela ele seria invencível e ninguém o tocaria.
    Algumas coisas vc disse porque não prestou atenção em tudo.

  4. 4 bloda julho 5, 2007 às 3:18 pm

    Jayson,
    ou seria você que não leu direito o que escrevi?


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