Hypes digitais que encheram minha paciência

(originalmente escrito para o pomposo Ressaca Moral, mas como as coisas lá andam feias – tecnicamente falando, posto primeiro aqui para encher a linguiça) 

Second Life
A invenção mais idiota da internet em todos os tempos é tão inútil que ninguém consegue definir para que diabos isso serve sem ter de utilizar pelo menos 10 palavras. Por exemplo, o MSN serve pra que? Comer gente, matar trabalho, falar mal do chefe, marcar uma farra. Veja só, foram 4 funções diferentes, úteis e definidas com no máximo 4 palavras cada uma, sendo que a função principal – comer gente – utiliza apenas duas e você pode simplificar ainda mais falando apenas um termo: fuder (ou foder ou ainda fudê).

Agora tente definir o Second Life ou apenas citar um objetivo útil – veja bem, ÚTIL – desse negócio bizarro, meio jogo, meio rede de relacionamento, meio The Sims, meio simulador de vida, meio gerador de pautas inúteis para jornalistas preguiçosos. “Ah, mas o Second Life é tudo isso e muito mais!”. É mesmo? Já experimentou baixar o programa, criar um personagem e dar uma volta por lá? A primeira vez pode até ser interessante – “olha, dá pra fumar maconha, comprar uma Ferrari e comer uma sueca” – beleza, mas depois de 3 dias “jogando” sem objetivo algum e realizando tarefas aparentemente divertidas, você percebe que está bancando o palhaço ou, simplesmente, perdendo tempo. Bem, deve existir algum tipo de gente que se excita comprando a versão virtual do ursinho Knut ou vendo um monte de pixels simulando sexo (prefiro alugar um filme da Sylvia Saint ou convencer uma amiga a se exibir na webcam).

ARG
Os Alternate Reality Game representam a mais nova tentativa publicitária de arrancar trocados dos adolescentes desocupados de classe média alta. Esse público é o único que tem paciência, tempo e espaço cerebral vazio suficiente para ocupar com essa patacoada. As maléficas corporações capitalistas desvirtuam os jovens, que ao invés de empregarem seu tempo na busca de pornografia saudável ou na quebra de códigos de programas, dedicam-se a buscar pistas em sites falsos, desvendar sinais idiotas pintados em muros ou mensagens subliminares em vídeos virais, tudo para resolver uma trama absurda que, no frigir dos ovos, quer apenas convencer o moleque a comprar uma lata de guaraná.

iPhone
Desde que Steve Jobs, o George Lucas dos computadores (isto não é um elogio) anunciou a traquitana que mistura celular, mp3 e vídeo player em um mesmo aparelho que você terá medo de usar no Brasil, não se fala de outra coisa em sites, blogs, revistas e jornais de bairro com distribuição gratuita. Quanto vai custar? Qual o tamanho? Vai chegar no Brasil? É verdade que cabem 3 bilhões de músicas? É só passar o dedo na tela, é? Se eu enfiar no cu de alguém o que acontece?

A verdade é que eu, você, qualquer grande figura histórica, nunca, jamais precisamos dessa porcaria. Napoleão botou no rabo da Europa toda sem frescuras de telas sensíveis ao toque, Da Vinci bolou o helicóptero em pleno século XVI sem nunca ter ouvido falar de iTunes, Odair José vendeu milhões de discos em uma época onde os telefones públicos ainda eram movidos na ficha. iPhone pra que?

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5 Responses to “Hypes digitais que encheram minha paciência”


  1. 1 Madeleine junho 28, 2007 às 5:58 pm

    Coincidência; acabei de ler uma matéria na Folha sobre SL dizendo que tá “falindo”. Acho uma palhaçada desde sempre. Tô com o Geraldo: “Se eu pudesse ter outra vida? Eu queria ser um pássaro!”
    ;-)

  2. 2 Tylon junho 28, 2007 às 6:58 pm

    Chuchu, o Ressaca já tá uma beleza.

  3. 3 Emanuel Júnior junho 30, 2007 às 10:12 am

    Ei, filho, atualizei o Blog. Passa lá ;)

  4. 4 Rodrigo Lupatini julho 2, 2007 às 5:08 pm

    Apesar de ser um dos que estão na esperança do Iphone chegar no Brasil, não posso deixar de concordar com a idéia que você mandou.

    Mas já pensou se Napoleão, Da Vinci, Odair José e outros, tivessem acesso a informação como temos hoje?

    Tem esse ponto também.

  5. 5 Monsieur Coçard julho 5, 2007 às 3:28 am

    Pois é.. muitas das coisas que criam são criadas para que depois se possam “criar” consumidores… eles desenvolvem um porra duma cinta que te dá uns choques e daí dizem que tu vai ficar mais musculoso que o schuarwrewyqjneger, mas todo domingo por exemplo no programa do celso potinholi tem uma mina que usa isso e a mais de dois anos e tá com a barriga lisa… já era prele estar com a barriga mais desenhada que quadro de artista plástico… enfim: inutilidades de primeira…

    abraços


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