Pequenos constrangimentos cotidianos

Estou olhando o cardápio. Já reparei em você na outra mesa, fique na sua, por favor. Não, não! Droga, você me notou. Calma, finja que não me viu, sem sorrisos, não…não acene! Tarde demais, assim que acabar seu almoço você virá até aqui falar comigo. Lógico que não será um prazer. Não lembro seu maldito nome e nem de onde nos conhecemos. Sim, sei que fomos apresentados em algum lugar, mas ou não fui com a sua cara ou achei você chato ou não identifiquei em você nenhum tipo de serventia em facilitar meu acesso a mulher e/ou dinheiro em futuro próximo. Apesar de não fazer a mínima idéia de quem você é, imagino que uma das suas características é a discrição. Só isso explica como você consegue passar pela vida de alguém sem deixar um mínimo rastro de lembrança. Seu, seu…imbecil, filho de uma ronquifuça! Quem você pensa que é para me colocar em uma situação constrangedora como essa? Heim?! Responda, desgraçado! Eu aqui, almoçando tranqüilamente, pagando razoavelmente caro por isso e você, saído do nada, esquina com lugar nenhum, me coloca nessa clássica posição de ser obrigado a falar com alguém cuja recordação me é tão vaga que chega a ser inexistente. Ah, não! E não é que você está vindo mesmo na minha direção? E esse sorriso no rosto? A tal etiqueta social me obrigará a reproduzir um igual, quer dizer, parecido, já que meus dentes apresentam melhor estado de conservação do que os seus e…

– Fala, Doda! Tudo bem?

– Faaaaala cara, pô, tudo ótimo…

– E o pessoal?

– Ah, não tenho falado muito com…

– Quem é essa? Oi, tudo bem, prazer…então, e no trampo?

(merda, ele podia ao menos ter dito o nome agora ou quem sabe ir embora, que tipo de pessoa se apresenta pra outra sem dizer o nome? Começo a entender porque não gravei nada sobre esse cara)

– Ah, estamos com um projeto novo agora, é um fogão com acesso wireless à internet, antes de cozinhar você pode baixar a receita e enquanto mexe a panela pode ler seus e-mails, tudo por comando de voz.

– Mas você não era de uma agência?

– Sim, uma agência de fogões, nós ajudamos fogões desempregados a se recolocar em uma nova cozinha ou acender a carreira dos apagados, rá, sacou?

– Ah, entendi…bem, então falou, manda um abraço lá pra galera.

– Pode deixar, mando sim.

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4 Responses to “Pequenos constrangimentos cotidianos”


  1. 1 Iuri julho 12, 2007 às 2:54 pm

    egua… nunca mais falo contigo na praça do carmo…
    =O

  2. 2 bloda julho 12, 2007 às 3:46 pm

    AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

    PORRA, NÃO FOI TU!

  3. 3 Iuri julho 13, 2007 às 8:51 am

    mesmo assim… vai que de repente tu resolves fazer um post sobre um bêbado que te aplicou uma gravata na frente dos teus amigos…

    =P


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