Chatice tolerante

Admiro a paciência das pessoas. Fico impressionado com a naturalidade de alguns em encarar a chatice alheia. Minha tolerância com gente que considero chata é baixíssima. Não sou mal educado ou estúpido, mas tento abreviar a conversa o mais rapidamente possível, limitando-me a concordar com tudo o que está sendo dito ou encenando simpáticos sorrisos visando uma fuga.

Acredito que não existem chatos absolutos, mas sim tipos de chatices que encaixam ou não com o que você tolera. Isso explica porque mesmo os mais insuportáveis malas conseguem fazer amigos. O segredo é achar as pessoas certas para tolerar suas chatices ou, o que costumo fazer, evitar expor seu lado chato a quem não tem nada a ver com isso.

No último domingo, por exemplo, metade das pessoas que conheço em São Paulo planejavam ir para um tal festival de jazz ao ar livre que um bar costuma promover anualmente em Moema. Boa parte dos meus amigos estaria lá, a música certamente seria audível, o tempo estava bom, teria bebida e comida. Diversão garantida.

Menos pra mim. Muita gente reunida nunca pode ser agradável. É apertado, quente (inclusive a cerveja), você não consegue se mexer na hora que quer ou como quer, é barulhento, algum filho de uma égua pode furtar seu celular, um inconveniente qualquer pode mexer com a sua namorada e ela mesma, a sua namorada, pode resolver mexer com um inconveniente qualquer, vai saber.

A maioria das pessoas talvez releve esses “pequenos” aborrecimentos em nome da diversão. Eu não. Ao menos não para festivais de Jazz, gênero que me agrada, mas que conheço tanto quanto a Polca (a maior contribuição cultural dada pela Polônia ao mundo depois de João Paulo, o segundo).

Mais uma vez, poupei várias paciências, inclusive a minha. Nos finais de semana me reservo o direito de não tolerar chatices, já que, em tese, tenho o poder de escolha sobre o que agüentar ou não. Diferentemente do ambiente corporativo e suas adjacências, onde, para garantir meus caraminguás mensais, sou obrigado a comportar em minha bolsa escrotal chatos e chatices dos mais variados estilos.

Rápido PS: gosta de futebol? Então saca o texto do Léo sobre o a tragicômica situação atual do maior rival do melhor time do norte (prestes a cair no mesmo buraco).

Rápido PS2: toda vez que escrevo um “Rápido PS2” penso em fazer uma piada com o Playstation 2 (para você, leitora, PS2 é a sigla pela qual o videogame [o Playstation 2] é conhecido).

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3 Responses to “Chatice tolerante”


  1. 1 Sarah agosto 30, 2007 às 11:44 am

    “Para você Leitor(a)”?

    Assim, chamando mulheres de ignorantes no que se diz respeito a consoles?

    Rá!

  2. 2 bloda agosto 30, 2007 às 12:59 pm

    por que eu tinha certeza que esse comentário seria feito exatamente por essa sarah, heim?

  3. 3 Cris agosto 31, 2007 às 10:53 am

    Esse negócio de chatice tem muito a ver com o chato legal e o chato chato…realmente festival de jazz ao ar livre não deve ser dos mais “inspiradores”, porém pelo valor que era cobrado no bar, para os “pobres mortais” como eu, até que pode ser tolerante, ou chato, ou legal!, depende se a nossa chatice do dia tá inspirada ou não!


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