Não se reprima, irmã

[Texto da minha irmã, Ana Paula, recebido ontem por e-mail. Posto aqui pelo bem do passado familiar]

Tributo a Rick Martin
Por Ana Paula Vilhena

Domingo à noite. Nada mais a fazer senão descansar as pernas depois de um dia de plena atividade com o filhão. Ligo a TV na esperança de encontrar um programinha bem água com açúcar na minha tosca programação a cabo. Eis que me deparo com ele, o herói das minhas tardes juvenis, o objeto dos meus gritos histéricos da infância: Rick Martin.

Passado o meu interesse por esses fenômenos criados para hipnotizar mentes infanto-juvenis em formação, eu nunca mais tinha me interessado pela vida deste belo mancebo.

A verdade é que aquele domingo foi no mínimo curioso, pois esbarrei duas vezes com a figura dele na tela. Mais cedo, num programa de TV, disseram que ele era dono de uma suntuosa mansão na Flórida. E agora, um show de Rick Martin no Chile me prendia a atenção em frente a outro programa.

Que corpão, hein! Na época do Menudo ele era tão franzino…E chacoalha pra cá, remexe pra lá. Fiu-fiu… Ué, mas parece que ele é gay, né? Sei lá, só sei que aos dez anos de idade, Rick Martin era o homem da minha vida.
[nota do autor do blog: mas que preconceito, gente! Ele não é gay, artista não tem essa coisa de sexo, vide Caê]

Eu tinha dois Fã Clubes. “Uma aventura chamada Menudo” e “Because of Menudo”. Colecionava todos os discos e fotos que saíam, gravava todas as entrevistas da TV num rádio-gravador porque, em 1983, ninguém tinha vídeo cassete em casa. E, pra fechar o kit-fanática, fui ao único show do grupo em Belém.
[NAB: qual era a diferença entre os dois Fã Clubes? O segundo só trocava informações em inglês?]

Aquele show marcou a minha vida. Primeiro porque foi a única vez que lembro da minha mãe ter faltado no trabalho por um motivo, digamos, banal (sim, ela pediu dispensa pra me levar ao show), segundo porque foi um acontecimento na Belém dos anos 80. Todas as atenções se voltaram para o Mangueirão naquele dia. Aliás, primeira e única vez que fui àquele estádio.
[NAB: Mangueirão é o apelido da maior praça esportiva da capital paraense e não uma piada de cunho sexual]

Levamos isopor cheio de sanduíches de queijo e presunto, sucos de vários sabores, toalha, papel higiênico. Foi um verdadeiro piquenique. Chegamos no estádio por volta das 14h e o show começaria somente depois das 20h. Aquilo pra mim era o auge da demonstração de amor por um ídolo.
[NAB: enquanto isso, eu era levado em filme dos Trapalhões no sábado e ganhava, no máximo, um saco de pipocas]

Enquanto aguardávamos a chegada dos nossos heróis, cantávamos todas as músicas e aproveitávamos pra aperfeiçoar o espanhol, língua que nunca fez a minha cabeça, mas que, àquela altura, era o meu idioma preferido.

Lembro muito pouco do show. A maior parte do tempo eu tentava arranjar uma posição para enxergar alguma coisa (e olha que estávamos em “cadeira de pista”). Até hoje guardo as maravilhosas fotografias que tirei, dos cabelos das milhares de mulheres que estavam em nossa frente. Dos Menudos, só vagas sombras lá no fundo. Se tivessem mandando os sósias dos moleques nem teríamos notado.
[NAB: conhecendo o modus operandi do empresariado paraense, eram sósias, com certeza]

Mesmo assim, o show foi o assunto do resto do ano no colégio.

Pois bem, voltando ao meu fim de noite, Rick Martin me fez lembrar das noites de domingo dos anos 80, quando o SBT exibia um programa do Menudo que eu não perdia por nada. Saudades da inocência que hoje nem eu, nem o meu amigo Rick, temos mais.
[NAB: será que ele teve um dia?]

Tô me sentindo íntima dele, acho até que vou telefonar pra contar que soube da bela mansão na Flórida e me convidar logo. Afinal, que ex-menudete confessa faz um tributo desses numa noite de domingo?
[NAB: aposto que um monte]

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8 Responses to “Não se reprima, irmã”


  1. 1 Irmã setembro 4, 2007 às 6:46 pm

    Esclarecimento importantíssimo sobre a diferença entre os dois fã-clubes: “because of Menudo” era o fã-clube das amigas do colégio, tentamos organizar um grupo cover do Menudo, mas os únicos meninos da nossa sala que topariam esse vexame, eram feios e magrelos demais para tanto. Aí desistimos. Já o “uma aventura chamada Menudo” era um fã-clube que extrapolava fronteiras, que eu me inscrevi vendo uma notinhas nos classificados da revista Contigo. Gente, eu adoro relembrar essas coisas toscas que eu fiz na infância. Espera só pra ver quando eu resolver escrever que dancei o flashback “It’s a miracle” num programa de TV…

  2. 2 Emanuel setembro 4, 2007 às 7:19 pm

    Putz, eu fui nesse show do Menudo aqui em Belém, mas só lembro de ter ficado na cadeira e ter tomado umas 3 garrafas de guaraná cerpa.

  3. 3 Lilica setembro 6, 2007 às 12:54 pm

    Nossa…eu amava os Menudos!..rs
    Bons e saudosos tempos!

  4. 4 Millie setembro 6, 2007 às 4:26 pm

    No meu tempo era os New Kids on the Block!!! Me chicoteia!!!

  5. 5 Wilson Cremonese setembro 6, 2007 às 4:36 pm

    Garoto, garoto.
    Ah, Doda, quem tu queres enganar? Esse texto é teu. Inventastes a existência de uma irmã para confessar teu amor platônico pelo Rick Martin. Mas, tudo bem, o cara é bonito. Qualé, século XXI! Ele é um pedação mesmo. Quem não pegaria? Isso não deixa ninguém menos heterossexual. Vai me dizer que tu dispensarias o Santoro?
    Abraço.

  6. 6 Apoena Augusto setembro 9, 2007 às 10:56 pm

    Aposto que, na ocasião, você calçava um tênis conga branco e, além dos sandubas que sua mãe fez, de sobremesa, ainda caiu de boca num Dip’n’Lik ou um suculento Ice Pop!

  7. 7 Irmã setembro 11, 2007 às 6:30 pm

    Do conga eu realmente não lembro, mas da camiseta cor-de-rosa com estampa “I love Menudo”, da máquina de estampar camisetas da Mesbla, dessa eu nunca vou esquecer!

  8. 8 Paulo abril 9, 2010 às 9:03 pm

    Eu tinha uns 8 anos nessa epoca… Sem frescura nenhuma!!! tempos bons. Não sou gay!!! Mas os caras eram bonitos. Saudades dos anos 80 e da minha infancia.


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  • o pessoal dá bola demais pra esse PIB 2 hours ago
  • sem falar que ele deve ter 1 ou 2 apartamentos já alugando, daí cê tira 3 hours ago
  • Quem tá bem é o Messi porque além do salário de jogador abriu um restaurante e deve estar fazendo uma boa grana 3 hours ago
  • Nando Rick é um aposentado bem de grana, poderia passar a manhã na padaria falando da rodada de ontem, depois dar uma volta com o cachorro 5 hours ago
  • Respeito muito quem consegue ser chato por foto 15 hours ago

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