Pixels, mullets e viagens

Lá nos oitentões jogar videogame exigia muita imaginação. A arte da embalagem era fundamental para que sua mente acreditasse que aqueles quadrados porcamente coloridos na tela eram um jogador de futebol ou um carro de corrida.

Nessa época de escassez de pixels, um comercial de TV para anunciar produtos do gênero precisava esquecer o produto e jogar o foco na pretensa experiência de diversão que o mesmo traria. Aí saía isso aí:

Já no começo dos 90, o NES era o videogame líder de mercado no mundo, mas a Sega – com o Genesis, começava a incomodar o reinado da Nintendo, por sua vez já preparando os últimos detalhes do lançamento do seu console de 4ª geração, o Super NES. A indústria dos jogos eletrônicos ainda estava longe de bater a da música e nem sonhava em superar a do cinema.

As empresas de jogos, grande parte dominadas em seus cargos diretivos por geeks da área de TI, ainda não possuíam propaganda criativa, inovadora, impactante e todo aquele quaquaraquaquá. As verbas de comunicação também não eram lá grande coisa e, por cultura corporativa típica de um negócio no qual a concorrência ainda não pegou fogo pra valer, os dirigentes da indústria tropeçavam bastante na hora de conversar com o consumidor.

Veja com seus próprios olhos.

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Anúncios de 1991 da produtora Renovation para o jogo Gaiares (que eu achava uma merda) do console Genesis (conhecido no Brasil e no Japão como Mega Drive, cara leitora que não entende absolutamente nada do assunto).

O jovem que estrela o anúncio…er…bem, assim, eu não sei, tipo…você já deve ter formulado uma opinião sobre os mullets, mas repare também no bigodinho rasteiro ostentado pelo rapaz. Isso é o que acontece quando os caras do marketing se metem em propaganda.

Anúncios retirados deste link. Dá uma olhada na parada, tem mais um monte de porcarias.

E lá pelo meio daquela década a Sony entra no mercado chutando o balde com o Playstation. A tecnologia avança e deixa os jogos cada vez mais complexos, o leque de jogadores é ampliado, a brincadeira começa a atingir a casa dos bilhões. A concorrência teve que se virar para chegar na Sony, famosa mundialmente por sua comunicação vanguardinha que todo ano leva uns leões em Cannes. Os anos 2000 não permitem Mullets.

Playstation 2 - Soldier
Esse é foda. Clica que amplia.

E pra fechar, filme da época da campanha de lançamento do Playstation 3. Na atual geração prefiro a comunicação da Microsoft pro Xbox 360, mas esse da Sony ilustra bem o nível de viagem da turma.

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1 Response to “Pixels, mullets e viagens”


  1. 1 Pedro outubro 6, 2007 às 8:14 am

    É, cara, não é de estranhar que o povo do video games live fosse formado em grande parte por sujeitos que pareciam saídos de uma versão mais punk rock de A Vingança dos Nerds.

    Esse mullets style aí tá cobrando seu preço 20 anos depois…


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