Novos e médios

Quando uma mente criativa faz algo novo, além de contribuir com o patrimônio intelectual da humanidade, presta um imenso favor à mediocridade da nossa espécie, pois ao mesmo tempo que inovou, também deu o caminho para a criação de uma fórmula.

Em um primeiro momento, a fórmula será utilizada por poucos e antenados, os agora também chamados de early adopters. Esses caras geralmente não estão mal intencionados, reconhecem a fonte da idéia e até contribuem com o aperfeiçoamento da mesma. Os problemas de verdade iniciam na terceira leva de usuários, os copiadores dos copiadores.

Começa então o desgaste e a massificação da fórmula. Daí pra frente é só contar os minutos até que surjam as primeiras atrocidades.

Na propaganda, as recém-nascidas ações virais, de guerrilha e de redes sociais on-line já estão nesse estágio. Multiplicando-se como spams de aumento peniano, temos por aí um mundo de virais que ninguém assiste, centenas de comunidades sem cadastrados e dezenas das já idiotizadas gincanas envie seu vídeo.

Esse processo de mediocrização de idéias já ocorre há séculos e em qualquer atividade humana. Não há problema nisso, faz parte da nossa evolução e, muitas vezes, os copiadores de boas idéias, com a experiência adquirida no ato de copiar, acabam se tornando criadores também.

O que impressiona é a miopia crônica da imensa maioria destes copiadores de fórmulas. Acostumados a consumir idéias prontas e acabadas, o copiador não aprendeu a observar, analisar e entender coisa nenhuma. Seja uma nova banda, um roteiro inteligente ou uma intervenção urbana.

E cá estamos afogados em Ivetes vendendo eletrônicos de slogan impronunciável para 95% das população brasileira e onipresentes Seltons oferecendo de celulares a contas bancárias. Comunicação inócua, mas com alto recall, artificialmente sustentado por veiculação insistente.

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2 Responses to “Novos e médios”


  1. 1 Ian. novembro 22, 2007 às 11:32 pm

    As gincanas de vídeo e tudo o que puder ser considerado ‘concurso cultural’ me irritam profundamente. O pior é ter de lidar com elas diariamente. É como aquela garota chata que você até topou comer só porque era gostosa.

    Diversão, customização, compartilhamento (parece coisa daqueles péssimos vídeos da Siamar), mas sem dar trabalho ao usuário (como criar um vídeo, por exemplo), essa parece ser uma fórmula bem útil ao público brasileiro.


  1. 1 Linkblog Pensar Enlouquece, Pense Nisso. Trackback em novembro 19, 2007 às 11:20 pm

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