Beach Boy

Quatro anos sem pisar em uma praia me fizeram esquecer o cheiro do mar e o caminhar na areia. Foi bom reencontrar as duas sensações.

A agonia que o calor me causa eu ainda lembrava, assim como o terrível atrito da areia com meus pés devido ao movimento das tiras de borracha das havaianas. Não, eu não ando de sandálias na areia, mas calço as mesmas quando saio da praia, ué.

Já conhecendo a fragilidade da minha coloração de pele, me entupi de filtro solar, conseguindo boa cobertura, apesar da odiosa oleosidade adquirida no rosto. Esqueci apenas de proteger do joelho pra baixo e a parte de cima dos calejados pés. Obviamente – mas não tão óbvio pra mim, amador que sou no assunto praia, saí com essas partes do meu corpo devidamente tostadas, queimadas e flambadas após as horas de exposição solar, mesmo parcialmente abrigado sob a sombra de um providencial guarda-sol.

Sem nenhuma intimidade com a água salgada, os esportes de verão e outras diversões típicas deste local chamado praia, optei por encher a cara de cerveja, atividade na qual tenho relativa desenvoltura.

Conforme tornava a AMBEV uma empresa mais rica, fui obrigado a fazer algo que todo mundo faz, mas que eu não lembrava mais que todo mundo fazia: o xixi no mar. Em minha inocência, achei que encontraria fileiras intermináveis de banheiros químicos à disposição dos bêbados que não pretendiam entrar em contato com o sal aquático, mas não: a única opção disponível para realizar meu download urinológico eram os domínios de Poseidon.

Apesar dos avisos dos amigos, insisti em entrar na água de óculos escuros. “Não vou mergulhar”, repeti algumas vezes. E lá fui.

Andei até que a água cobrisse minha cintura. Estava tudo tranqüilo, mesmo considerando aquele ambulante que vendia apitos que reproduziam os sons de um gato apanhando. Comecei a aliviar a bexiga com facilidade e a me divertir na água. Sei lá quantos anos eu não pulava ondas e isso estava voltando a me parecer algo legal. Até que me distraí um pouco e notei um volume de água consideravelmente maior se aproximando.

“Oba, essa é de mergulhar!”, comemorou um garoto de uns doze anos ao meu lado. Rapidamente percebi que um humilde salto meu não resolveria a questão com a onda de tamanho avantajado que chegava perto e, tomado por um espírito menino-do-Rio-calor-que-provoca-arrepio, pensei: “ah, é fácil, é só mergulhar no meio dessa merd…GLUB! GLEUBS! GALUB!”.

Tal qual uma Preta Gil pós-água sanitária, fui ao fundo, ralei o joelho, tive as pernas reviradas para o alto, mas levantei com graça e desenvoltura, antes mesmo que minha namorada, da areia, capturasse o vexatório momento e o guardasse para sempre em sua memória cômica.

Ao voltar à superfície, notei que o mundo estava mais claro e o sol exibia grande brilho e esplendor. “Puta merda, perdi os óculos”. Tentando disfarçar a perda, ainda olhei ao redor como quem não quer nada, mas o mar, esse trombadinha filho da mãe, levou meu belo par de lentes escuras, o par cuja compra foi testemunhada por Mussa, o brevis.

Mesmo com contratempos como esses, o feriadão foi divertido. Beaches, be prepared, i`m back (estou ótimo de trocadilhos).

Anúncios

2 Responses to “Beach Boy”


  1. 1 fran janeiro 29, 2008 às 7:31 am

    Isso meu caro, é pq vc ainda não viu a ribeirãopretana-morena-de-escritório-que-odeia-água-salgada tentando surfar nas ondas tsunâmicas da Zelândia. Vergonha pouca é bobagem.
    Acho tb que a ralada do joelho na areia é algo vexatório e mais… muito dolorido.
    Bjão!

    Doda: surfe…será que um dia chego nisso? Beijo, Fran :-)

  2. 2 flá fevereiro 6, 2008 às 11:37 pm

    tinha esquecido o quanto esse blog era bom! conseguiram te arrastar pra uma praia? o que te prometeram em troca? quanto te pagaram? definitivamente, deve ter sido uma ótima oferta. enquanto isso, ficarei aqui tentanto não imaginar as cenas descritas aqui em respeito a nossa amizade.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




Fitas pessoais e umas opiniões definitivas incertas. Qualquer coisa, dá um alô no doda.doda@gmail.com

@dodavilhena

Encontre

Arquivão


%d blogueiros gostam disto: