Já ouvi antes

Referência, plágio, cópia, citação. A definição das fronteiras varia de acordo com o criador.

Particularmente, acho que nada substitui a sinceridade. Se quero usar, prefiro entrar em contato com quem fez, explicar a idéia, negociar direitos, contratar o autor. Por aí;

Mas então vamos lá, nova campanha da Tilibra, entrou no ar esses dias:

E agora Young Folks, hit de Peter, Bjorn & John, de 2006.

É uma bandinha indie dessas que se reproduzem como Gremlins em contato com água. Aposto que os direitos da música não sairiam lá tão caros, mas enfim.

E aqui uma outra coincidência sonora bem antiga, mas que pouca gente reparou: abaixo segue a abertura do segundo filme em que o governador da Califórnia interpreta um robô fortão do futuro. Ouça com atenção o tema.

Agora concentre na audição da trilha que normalmente o Itaú coloca de fundo em todos os seus comerciais institucionais.

Talvez eu esteja errado, mas uma marca perde credibilidade junto ao consumidor caso o mesmo a reconheça como, digamos, não muito original na hora de comunicar alguma coisa, não?

Pois é, essa opinião parece ser de fácil aceitação, o problema é que a prática não confirma nada disso. Aliás, nessa mesma prática, pouca gente percebe essas pequenas mentiras que as empresas costumam nos contar ou, quando percebem, não ligam e continuam comprando ou mantendo seus comportamentos de consumo.

Por exemplo, lembra uns anos atrás quando o Merthiolate foi retirado das prateleiras pelo Ministério da Saúde por simplesmente ser inócuo? Então, o laboratório fez uma nova fórmula e o produto voltou às farmácias da esquina. A propaganda de relançamento alardeava, por meio de um confiável José Wilker, que agora o produto “não arde mais”.

Beleza, então passaram anos vendendo um troço que doía pra cacete quando sua mãe aplicava à força no ralado do seu joelho (e que não servia pra nada, só ardia) e agora voltam dizendo nas entrelinhas o seguinte “que ficou tudo bacana e nem arde mais, pode comprar”?.

É a mesma cara de pau do McDonald’s ao destacar nas fritas o selinho “0% de Gordura Trans”. Pô, mas um tempinho atrás tinha a droga da trans lá e eles vendiam aquilo com o maior sorriso de palhaço do mundo.

Não seria mais sincero informar esse tipo de coisa de maneira mais formal e não como uma suposta vantagem do produto? Então quem comprava antes era o que, trouxa? Opa, acho que chegamos no ponto e…qual era o raio do assunto, mesmo?

Anúncios

4 Responses to “Já ouvi antes”


  1. 1 rafael fevereiro 15, 2008 às 12:48 pm

    No primeiro exemplo o plágio descarado é horrível, mas no do Itaú eu ri pra cacete, não achei nada a ver, só com muita força de vontade, sério.

    Mais bonito fez o Bradesco usando Bittersweet Symphony na íntegra, (http://www.youtube.com/watch?v=Tymx9wrz6cM). Acredito que as moedinhas chegaram direitinho pro Verve e, claro, pros Stones.

    Doda: ouve o final do Itaú. nesse caso não foi um plágio, mas “referência”, não tão grave quanto o primeiro, claro.

  2. 2 Mario Amaya fevereiro 15, 2008 às 4:23 pm

    E a peça da Claro usando uma música do Polyphonic Spree? Viu essa?
    A canção tem uma melodia alegre e um coral animado, mas preste atenção: a letra fala de desespero, depressão, drogas e morte. Genial!

    Ultimamente, tenho me irritado com a campanha da Fiat usando uma música de fundo instrumental bem boboca, que é um clone da usada na campanha da Apple com o “homem Mac” e o “homem PC”.

    Doda: pô, essa da Claro não era a que usava “light and day”? ela dizia “follow the day, follow the day and reach for the sun”, não? não lembro do resto, mas não sabia que era deprê, drogas and death evil metal down the hill. vou caçar a letra :-)

  3. 3 Irmã fevereiro 15, 2008 às 4:53 pm

    Acho que essas “meras coincidências” são quase como as coincidências de idéias nas propagandas que a gente assiste. A velha história do “nada se cria, tudo se copia”. Pior mesmo é usar um “We are the champions” num comercial de colégio sem pagar um centavo de direitos autorais pra família Queen.

    Doda: ah, o underground publicitário paraense é campeão nisso. recentemente teve o caso da faculdade (acho) que usou uma foto do bill gates em um anúncio.

  4. 4 Rodrigo Lupatini fevereiro 15, 2008 às 5:46 pm

    E o que dizer dos anúncios revista da Sky e do IG?

    Ambos usando pixelart. Nossa, esse eu cheguei a ver os dois em uma mesma revista.
    Não digo pelo pixelart, mas sim o conceito que foi usado.

    E ai, são duas contas grandes atendidas por agências grandes.
    Ai é plágio ou é genialidade?
    Ou estupidez minha, afinal o Ig é da Sky ou vice-versa e eu não sei disso.

    :P


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




Fitas pessoais e umas opiniões definitivas incertas. Qualquer coisa, dá um alô no doda.doda@gmail.com

@dodavilhena

Encontre

Arquivão


%d blogueiros gostam disto: