O quilo

Meio dia e alguma coisa. Após um quase interminável debate a respeito de qual restaurante escolher, a turma do escritório sai do prédio e anda umas quadras.

Não é muito difícil, ao entrar no restaurante, olhar a placa com os pratos do dia ou, ainda na fila e com o prato vazio, checar por alto as opções de alimento oferecidas na bancada. A falta de objetividade gera então a irritação da fila do bufê, principalmente para quem já entrou nela sabendo exatamente o que vai escolher.

Duas tiazonas à frente filosofam sobre a escolha do arroz comum ou integral. O engravatado retardado não consegue arrancar um quadrado da lasanha e briga homericamente com o queijo derretido. Já a universitária psicótica permanece 39 minutos na parte de saladas, catando todo tipo de verde que o olho humano consegue identificar, derramando ainda toda sorte de molhos em cima daquela mata. Tudo bem, tudo bem, a gente espera, não é mesmo? Ninguém está com fome ou pressa.

Agora chegou a hora de escolher. O que fazer quando vários tipos de alimentos apetecem seu paladar? Feijão preto e estrogonofe de frango podem dividir o mesmo prato separados apenas por uma tênue barreira de arroz? O belo (e saudável) salmão conviverá em paz com a mal passada (e gordurosa) picanha? Alguém, além do dono prato, tem alguma coisa ver com isso?

Parece que sim, pois finalmente à mesa entra em ação o torturante patrulhamento alimentício. Sempre haverá um inconveniente para questionar por que você não pegou um mísero vegetal (ou legume, pouco importa), avaliar a sua combinação de alimentos e comparar o peso/preço dos pratos de todos os presentes, fazendo comentários de baixo conteúdo humorístico com aqueles que comeram demais ou de menos.

É chato? Sim, mas o mais indicado é agüentar a pressão interna e balbuciar risadinhas de contentamento (rsrsrs, cara, você me pegou, heim?), pois o próximo patrulheiro de almoço no seu caminho pode ser o seu chefe, a gostosa do escritório ou pior, a chefe gostosa do seu escritório.

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2 Responses to “O quilo”


  1. 1 Rachel Juraski fevereiro 29, 2008 às 4:37 pm

    AHAHAHAHAHAHAHAHA

    SENSACIONAL!!

  2. 2 Cleu fevereiro 29, 2008 às 5:33 pm

    E o cara que se abunda sozinho na mesa p/ seis e ainda faz carão quando alguém pede licença p/ sentar? E a horripilante reserva de mesa com crachás? Outro dia ignorei os “magnéticos com cordãozinho” e sentei assim mesmo. Quando o dono chegou não tive dúvida: “Ah, já pode reservar mesa? Quero também. Com quem você falou? Com o gerente?”. É, sou encrenqueira. E adoro salada com strogonofe, feijoada e batata frita.

    Doda: bem lembrado Cleu, não sei se é impressão minha, mas noto que a reserva com crachás é mais comum no eixo itaim-vl.olímpia. aqui nos jardins a coisa me parece mais civilizada.


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