Clichês paraenses em sampa*

Como você talvez saiba, nasci e fui criado em Belém, no Pará (aquele estado grandão ao lado do Amazonas, no norte, não no nordeste, sua anta), mas atualmente moro em São Paulo, sim, na capitár.

Sou apenas mais um entre milhares de conterrâneos que vivem por aqui. A cada seis meses alguns voltam para a terrinha quente, outros muitos chegam pra ficar. Todos passam por problemas parecidos aqui na metrópole e vivenciam, também, experiências/situações/micos bem semelhantes.

– Contar com raiva ou orgulho disfarçado que foi confundido com carioca por causa do sotaque.
– Contar com raiva ou orgulho ferido que foi confundido com nordestino por causa do sotaque.
– Reclamar que a farofa paulistana não presta.
– Mostrar grande empolgação vestindo roupas de frio.
– Fingir que não está empolgado vestindo roupas de frio.
– Comentar que “poxa, bem que podia fazer um friozinho desse em Belém, né?”.
– Ficar impressionadíssimo e saltitar de felicidade ao encontrar por acaso outro paraense na rua.
– Fingir que não viu um outro paraense na rua ao perceber, após alguns meses, que encontrar paraense em São Paulo é tão comum quanto ficar preso em um engarrafamento.
– Dizer que se sente mais seguro em São Paulo do que em Belém.
– Dizer que se sente mais seguro em Belém do que em São Paulo.
– Perguntar para os amigos paraenses se eles estão sabendo “que esse final de semana tem promoção de passagens a 50 centavos da Gol/TAM/Ibiripoca Airlines pra Belém”.
– Almoçar domingo na Liberdade achando que é um programa super paulistano.
– Passar a tarde de sábado na Praça Benedito Calixto achando que é um programa super paulistano.
– Fingir pressa no metrô só pra “entrar no clima da cidade”, mesmo que as suas atividades em São Paulo se resumam a porra nenhuma.
– Ficar puto quando um paulistano demonstra ignorância sobre o Pará, mesmo que o próprio paraense não faça idéia do que aconteceu em 9 de julho ou quem é o atual prefeito da capital.
– Andar em bando com outros paraenses e, também, com paraenses dos quais jamais seria amigo em Belém nas condições normais de temperatura e pressão.
– Cantar trecho de Vós Sois o Lírio Mimoso como piadinha sempre que está no meio de uma multidão (desde que esteja com outros paraenses, do contrário a piada não faz sentido).
– Contar vantagem para os amigos paraenses quando finalmente consegue beijar/comer/namorar uma paulistana.
– Achar que está freqüentando o fino da gastronomia da cidade ao jantar no Outback, Friday’s ou America.
– Passar horas explicando com entusiasmo a culinária paraense para paulistanos.
– Passar horas explicando com entusiasmo o sotaque, as gírias e os regionalismos paraenses para paulistanos.
– Passar horas explicando com entusiasmo o que é o Círio de Nazaré para paulistanos.
– Passar horas não percebendo que a maioria dos paulistanos não está interessado em explicação alguma.

*Lista em constante atualização. Sugestões nos comentários.

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20 Responses to “Clichês paraenses em sampa*”


  1. 1 Paulo Guedes março 14, 2008 às 8:21 am

    – contar para os amigos paraenses como é fácil e rápido “chegar em qualquer lugar de metrô”

    – ficar empolgado ao encontrar gente famosa na rua

    – encontrar alguém com a blusa do remo e gritar “LEÃÃO” a 30 metros de distância

    – encontrar alguém com a blusa do paysandu e gritar “PAPÃÃO” a 30 metros de distância

    – ficar chateado porque todo mundo ignorou o grito

    – comentar que o açaí de são paulo não presta sem nunca ter experimentado

    – ensinar aos paraenses-novos-paulistanos que “aqui não pode falar arreda”

    – repetir que “achava ruim quando pagava um real pro flanelinha” toda vez que desembolsa 15 reais num estacionamento

  2. 2 Pedro março 14, 2008 às 9:28 am

    Pô, comer uma paulista nem é tão difícil assim. Com o tanto de viado e corinthiano que tem aí, a mulherada tá desesperada, matando cachorro a grito.

    Se eu já comi, qualquer um come.

    Doda: Pedro, comer é relativamente fácil, a listagem do clichê é porque esse “desafio” é colocado como uma espécie de rito de passagem subliminar entre boa parte da paraensada. Ah, e além dos corinthianos tem os sãopaulinos dominuindo a concorrência por aqui.

  3. 3 Pedrox março 14, 2008 às 10:02 am

    NO FUTEBOL

    – Sair de casa com a camisa do (Paysandu/Remo/Tuna) e torcer para ser reconhecido.
    – Contar vantagem para um amigo paulistano de uma vitória do (Paysandu/Remo/Tuna) contra qualquer time paulista, mesmo que esse triunfo tenha acontecido há mais de 10 anos atrás e nunca mais tenha se repetido.
    – Tentar a qualquer custo aparecer no fundo de alguma filmagem de qualquer programa de veiculação nacional com a bandeira do (Paysandu/Remo/Tuna) só para fazer média e encher de orgulho os amigos paraenses que moram no Pará.

  4. 4 Rafael março 14, 2008 às 2:34 pm

    – Dançar brega/tecnobrega com um estranho orgulho original e com o claro intuito de ser observado
    – Falar ‘ÉÉGUA’ apenas em ambientes cheirando a tucupi
    – Ficar parecido com a Joelma

  5. 5 Achados do Dia março 14, 2008 às 2:47 pm

    – Contar com raiva ou orgulho disfarçado que foi confundido com gaúcho por causa do “tu”, mas reforçar que no nosso caso conjugamos os verbos corretamente, embora muitos assassinem com “tu fizesse”, ” tu falasse”, ” tu comesse”.

    – Falar com saudosismo dos sorvetes da Cairu e indicar aos recém-chegados ou paulistanos que na Feira Moderna tem os deliciosos sabores da referida sorveteria.

    – Ter em casa e sempre trazer mais isopores a cada ida à Belém.

  6. 6 Paulo Guedes março 15, 2008 às 9:18 am

    – aprender a falar “padoca” e “vila madá” e chamar são-paulino de viado para acelerar a adaptação

    Doda: Paulo, já chega de comentários, ok?

  7. 7 Adnaldo março 16, 2008 às 11:36 am

    grande doda sempre com otimo comentarios sobre a vida tem varios comportamento que eu percebo quando morei ai em sp, um deles eh o de levanta a mao pra cima como se fosse ora pra nossa senhora toda veis que o onibus para isso é comum otra que me lmebro, eh tipo quado vc passa e alguem te diz onde tu vai e tu falar eras!!! eh isso ai doda continui sempre com seu belo blog muitas pessoas lei e comentao

  8. 8 Wilson Cremonese março 17, 2008 às 3:39 pm

    – Comentar que nos hotéis só se serve Cerpa e mostrar orgulho disso, mesmo a cerveja sendo uma merda.

    – Na primeira semana em SP ir para um bar reduto de paraenses, dançar carimbó e encher a cara de Cerpa, cerveja que já foi citada anteriormente como sendo uma merda.

    – Pagar mico participando da mini procissão do Círio que dá a volta num quarteirão qualquer aí quando poderia justamente aproveitar o fato de estar bem longe de Belém na época do Círio.

    – Insistir para que os paulistanos provem sorvetes de cupuaçu, bacuri, açaí e taperebá quando eles gostam mais de suas frutas nativas: chocolate, baunilha, morango e framboesa.

    – Ir no supermercado e pedir meio quilo de picadinho. O vendedor pergunta “carne moída?” e você respode: “é, essa merda aí mesmo”.

  9. 10 Vitor Zener março 18, 2008 às 7:31 pm

    Contar relatos de que quando estava em São Paulo. Passou por um momento de discriminação ao ser perguntado de que tribo tu fazes parte. E tu na mesma hora responde:

    DA TRIBO DA TUA MÃE!!!!!

    10 entre 10 paraenses já contaram essa história!!!

    Doda: Vitor, essa eu acho que muitos desejam que aconteça para externar alguma revolta, mas na prática nunca presenciei ou soube de nada do tipo, falo por experiência própria e também por todos os amigos que convivem por aqui, mas enfim, caso ocorra, fica a sugestão de resposta.

  10. 11 Ian. março 20, 2008 às 8:53 am

    Rachei.

    Eu, como marido de paraense, e convivendo com muitos paraenses desde então, posso corroborar com muitas das citações acima.

    A do açaí é ótima. Minha sogra recentemente experimentou o açaí daqui e gostou. Mas os paulistanos também morrem de nojinho pelo açaí de lá. E os dois, paraenses e paulistanos, perdem um tempo desnecessário quando o tesão é gostar dos dois.

    abraços, Doda.

  11. 12 Angelica março 23, 2008 às 9:59 pm

    quase naum deixo post pq percebi que so homen posta aqui
    muito bom a lista
    talves quando eu for pro Para eu
    me empolgue em naum usar roupa de frio
    em naum ficar parada no transito
    e naum ter que ir comer na liberdade domingo!
    abraco
    =)

    Doda: bem observado, Angelica. Será que só tenho leitores homens? Argh.

  12. 13 redoma2 março 27, 2008 às 10:21 pm

    – Falar com orgulho e narizinho empinado ao paulistano do Mackenzie que tu és do Pará e estudas na “Ushp”.

    – Dizer naturalmente que não, não fizeste cursinho em SP, quando ele te olhar meio assustado e inquirir detalhes da tua formação escolar.

    – Uma história que eu conto muito e, juro, uns três ou quatro já caíram sem demonstrar sombra de dúvida: dizer que morei numa tribo até os 7 anos de idade, que fui resgatada por um grupo de pesquisadores da UFPA e civilizada a partir de então. Sério, eles caem, e tão facilmente que já até perdeu a graça fazer a piada.

    – Que mais? Putz, não sei, mas todos os comentários acima são completamente reais! Uma vez eu parei uma tiazona na rua porque ela tava com uma camisa do Círio, rsrsrsrs.

    A gente paga mico mas é que a saudade é grandona e essa cidade quase tão grande quanto.
    Adorei o post e o blog! Não te conheço, mas se é paraense tá valendo!

  13. 14 Paula medeiros abril 6, 2008 às 7:34 am

    O mais impressionante é como isso se adapta a França/Brasil.
    Eu passo e vejo exatamente isso, aqui com brasileiros… acho que vou acabr escrevendo um texto desses pra teres uma ideia de como funciona iguallll!
    bisous.

  14. 15 Miner outubro 7, 2008 às 3:26 pm

    Olá Doda,

    Sou paraense com passaporte paulista desde meus 6 anos de idade. Nunca tive oportunidade de retornar para a minha terra natal, vontade não me falta, vamos ver , qq hora dessas … Gostaria muito de conhecer Alter do Chão, vi fotos e o lugar é incrível. Como a minha mãe faleceu perdi o contato com os paraenses.
    Quanto aos clichês, queria acrescentar alguma coisa que meu primo, quando nos visitava, falava e que morria de vergonha – tipo “pai d´egua”. Na verdade nunca entendí o significado dessa gíria. Por falar nisso, encontrei alguns paraenses durante a Exposição que ocorreu aqui em SP no mês de setembro na FIESP sobre o Círio de Nazaré. Provavelmente no proximo dia 12/10 irei no Cirio de Nazaré paulistano na Basilica de Nossa Sra. de Fatima.
    Abraços

  15. 16 Emanuel outubro 7, 2008 às 4:59 pm

    O que mais irrita é a soberba de paraense por estar morando em SP.

  16. 17 Flávio Augusto outubro 14, 2008 às 2:13 pm

    MINHA FAMÍLIA MORA EM SAMPA E DEIXAMOS NOSSA QUERIDA CIDADE DE BELÉM E ATUALMENTE MATAMOS NOSSA SAUDADE COM MUITA COMIDA TÍPICA , CERPA E CARIMBÓ.VENHA PARA ESSA CONFRATERNIZAÇÃO.

    Doda: FLÁVIO, OBRIGADO PELO COMENTÁRIO, MAS A CERPA EU TO PASSANDO, AINDA MAIS EM CAPS.

  17. 18 EDUARDO SENA dezembro 23, 2008 às 7:09 am

    ONDE TEM COMIDA TÍPICA PARAESNE EM SÃO PAULO PARA MATAR A SAUDADE. ONDE COMPRAR?

    Doda: eu vendo comida paraense, tenho até pato vivo. Procura a minha mercearia na Rua Oscar Alho, 666, Vila Nova Patolina, Zona Norte.

  18. 19 Mariana julho 18, 2012 às 12:58 pm

    Doda, a minha dúvida é: quais desses micos NÃO cometeste?

  19. 20 Mariana julho 18, 2012 às 1:04 pm

    Hahahahaha!!! Só agora que vi que esse post é de 2008!!!!


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