Corporativos, comerciais ou pessoais 2

Superada a questão “que cara o nosso blog vai ter”, o grande desafio de um blog comercial é o seu conteúdo.
A grande maioria das iniciativas, principalmente no Brasil, ainda resultam em conteúdo desinteressante e muitas vezes equivocado, comunicando irrelevâncias para o povo errado.

Voltando ao próprio blog da Triton comentado anteriormente, olha só o título do post que estava publicado na hora em que acessei a primeira vez: “Você conhece a Mallu Magalhães?”. Pô, claro que conheço! Eu, a torcida do Botafogo, do Bangu e acho até que a do Liverpool. A menina é o hype da semana passada, ou melhor, do mês passado, aliás, já é quase do ano passado. Em outro post, logo acima da Mallu (ei, sem trocadilhos, ela é menor), o The Blackcatwalk fala da “Moda de Camisetas”, mostrando o legal, mas batidíssimo clipe do Justice e zzzzz…opa, continuando, então, é mais um blog de “tendências” e “coisas pop-cool”? Putz, o problema é que qualquer jovem de 20-30 anos que passe as suas 2 horas diárias na web (e estou chutando baixo, o público-alvo [argh!] da marca navega muito mais tempo que isso por dia) pode citar de cabeça pelo menos três blogs “independentes” nos quais lê esse tipo de informação muito antes que a mídia tradicional as noticie, sem falar nas redes sociais das quais esse jovem faz parte que não param de bombardeá-lo com links e referências.

A verdade é que nem todo mundo precisa de um blog e não é qualquer um que tem algo interessante pra falar, mas se mesmo assim a marca deseja abrir esse canal com o público, é importante buscar alguma coisa diferente e útil para comunicar.

Saca a Mahindra, fabricante de tratores? Claro que não. Pois é, mas eles fizeram um blog e nele não falam sobre as últimas do mundo rural ou sobre a nova colheitadeira AutoFarmer X120. Entregaram a bagaça na mão do Joel Combs, um típico funcionário de fazendas altamente mecanizadas do interior dos EUA. Ele tem 32 anos e três filhos (constantemente citados no blog). Em seus textos, conta o seu dia-a-dia como operador de máquinas (ele dirige um trator Mahindra), relatando situações e problemas comuns que enfrenta. A marca patrocinadora do blog aparece sutilmente, praticamente uma coadjuvante da vida no campo, posicionando-se como uma parceira sempre a postos para facilitar as tarefas para as quais é chamada, mas sem cagar-regra ou filtrar conteúdo (ao menos aparentemente).

É uma idéia simples e fala direto com o consumidor, na mesma língua, praticamente uma conversa de bar. Se tem audiência ou é um sucesso eu não sei, mas os posts tem em média mais de 20 comentários, atestando que existe uma comunidade ativa girando em torno do blog.

Mas não é apenas a relevância do discurso que importa no blog comercial. A liberdade (pelo menos aparente) em poder falar o que quiser nesse mesmo discurso também é fundamental.

Eu já editei um “blog corporativo” (inclusive parte do parágrafo aí de cima sobre o blog da Mahindra foi tirado de lá) e o processo todo de pesquisa, redação, aprovação e postagem era bem burocrático. É comum nesses casos haver dois, três ou até quatro níveis de aprovação para um simples post.

Não se pode tocar em certos assuntos, deve-se evitar palavras, digamos, mais fortes e, em alguns casos, até mesmo respostas de comentários precisam de aprovação (e os próprios comentários, claro, são moderados). Perde-se muito em agilidade, informação, opinião e identidade.

Se é pra amarrar tanto, melhor desistir do blog ou colocar o próprio presidente da empresa escrevendo (e isso pode ser bem legal).

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