Dia médio

Damaso em São Paulo nunca é uma boa notícia para o meu fígado, mas os donos dos botecos augustolinos adoram. Como sempre, em algum momento da conversa, entre os comentários de baixo calão usuais, acabamos falando das nossas cidades, essas entre as quais vivemos (ele com bem mais cidades do que eu, já que adora se embrenhar em buracos tão distintos quanto Montevideo e Rio Branco [capital daquele estado que não existe]).

E hoje, com leve gostinho de corrimão de repartição pública na boca, acordei bem mais cedo que o normal a fim de buscar a minha nova Carteira Nacional de Habilitação no (sempre horroroso em qualquer estado) Detran.

Ao contrário do que o meu pessimismo público imaginava, o documento já estava lá prontinho, com a foto escrota impressa e tudo. Como resolvi a bobagem muito cedo, decidi ir pra agência a pé. O Detran fica ali na fronteira da Vila Mariana com o Ibirapuera e eu trabalho no vizinho Paraíso. A caminhada não exigiria habilidade (fora saber andar), apenas disposição.

Então foram 40 amenos minutos com as próprias pernas para tirar a ressaca. Teve o sobe e desce tradicional do relevo paulistano, uma parada em padoca genérica para o café e dois encontros com a 23 de maio pelo caminho.

A cidade não foi pensada para quem anda com os pés, foi feita para pneus apressados viverem parados. Isso explica muita coisa e um dia ainda passarei horas filosofando sobre as entrelinhas que pretensamente acredito que essa frase possui, mas por enquanto me conformo em concluir o quanto gosto daqui. E foi só um começo de dia ordinário e ainda agravado por uma ressaca. Tudo mais ou menos culpa do Damaso.

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2 Responses to “Dia médio”


  1. 1 Marcelo Damaso maio 16, 2008 às 12:38 pm

    Engraçado, também me danei a falar de San Pablo ontem quando cheguei.

  2. 2 Kandy maio 20, 2008 às 9:54 pm

    Sabe, eu não gostava daqui de SP. Nasci e cresci aqui, mas sempre com vontade de sair, de tanto aperto, poluição, essas coisas. mas ultimamente tenho viajado bastante a trabalho. E sinto uma saudade enorme de São Paulo. É uma loucura esta cidade, mas eu nunca fui tão paulistana quanto agora. É aqui onde me sinto em casa. Curiosamente segura. E é aqui que eu quero ficar. ;-)


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