Ai, amiga

Todo mundo a conhece, ela é a sofredora do escritório.

Sua vida é um livro aberto. A Cleide, da faxina, até conheceu os pais dela quando foi à sua casa no sábado, vender esmalte.

Todos sabem o nome do namorado da moça. Ela não tem vergonha de ir às lagrimas em público. Também, se tivesse seria complicado, pois o cara a faz chorar uma, duas, às vezes três vezes na semana, ali mesmo na firma, entre um telefonema e outro.

Invariavelmente ele é daqueles que não vale nada. Não chega nem a ser o tipo cafajeste divertido que tanto as cabrochas gostam. Faz mais a linha do fracassado-machista-cervejeiro-de-churrasco comum na classe média brasileira.

“Não, ele agora tá bem, sabe? Tá trabalhando lá na transportadora, acordando cedo, nem tá mais indo na bola de terça”.

Apostando sua vida em um relacionamento morno de cinco anos, o maior objetivo dela é casar com o rapaz. “Acho que no final do ano que vem, assim que ele formar”.

Enquanto o relógio não marca 18 horas, ela comenta com as colegas sobre o novo cabelo liso da Thaís Araújo, contando que pretende fazer o mesmo para assistir a apresentação da banda do primo – Contato Imediato – este final de semana, no bar do Murilo.

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1 Response to “Ai, amiga”


  1. 1 kel junho 8, 2008 às 7:16 pm

    gostei do modo como descreve pessoas, de um jeito meio indireto, porém claro de se entender.


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