Lua na casa 12

“Porque você sabe, eu sou de escorpião com ascendente em áries, aí já viu, né?”

São doze os signos na configuração zodiacal mais popular no ocidente, não é isso? Então são também doze conjuntos de características que alguém precisa assimilar para entender uma frase como a das aspas mais ali em cima e, como se isso não fosse o suficiente, ainda tem a invenção do tal ascendente, ou seja, além de conhecer doze personalidades, ainda é necessário entender alguma coisa do tipo de barafunda que pode sair das centenas de combinações possíveis entre toda essa patacoada.

Aí o papo do ascendente vira combustível para os ardorosos defensores da astrologia justificarem suas crenças.

O sujeito fala “ó, eu sou de peixes, mas pelo que já me disseram, não tenho nada a ver com a descrição do signo, então nem ligo muito pra isso” e o astrólogo amador logo retruca, “ah, mas deve ser por causa do seu ascendente, por isso você não se reconhece como de peixes, você sabe a hora do seu nascimento?”.

Porra, se o ascendente muda toda a configuração da parada, pra que diabos serve o tal do primeiro signo que lhe é dado conforme o dia que você nasceu? O amante da astrologia provavelmente tem uma masturbação teórica para refutar esse questionamento, mas a resposta é simples.

A conversa sobre influências da lua, do sol, do ascendente, do mapa, dos planetas e das tais casas em que os signos costumam se meter foram picaretagens acrescentadas com o tempo, conforme alguém fazia uma pergunta melhor embasada a respeito de qualquer coisa.

Foi mais ou menos o mesmo processo criativo que levou a igreja católica a subdividir o inferno em círculos ou os muçulmanos a calcular o número exato de virgens à espera dos enfezadinhos-bomba lá em cima.

Só peço que não me amolem.

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3 Responses to “Lua na casa 12”


  1. 1 Pedro junho 12, 2008 às 7:54 pm

    Eu já sou mais prático, não peço nada.
    Mando tomar no cu.

  2. 2 Marcelo Damaso junho 13, 2008 às 3:06 pm

    Esse teu humor é tipico de quem é de peixes com ascendente em virgens. Demonstra um caráter corrosivo, de verdades que machucam numa primeira proferida, e são verdadeiros socos no estômago da sociedade européia. Um dedo na ferida do capitalismo.

  3. 3 Rodrigo Lupatini junho 16, 2008 às 12:16 pm

    “masturbação teórica”

    Essa é boa! Achei que só o pai de um amigo é que dizia isso.
    Como o velho do meu amigo diz:

    “Para com essa masturbação mental!”
    HAHAHAHA.

    Show o post.


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