Eterna reclamação que não faz diferença

Na semana que passou o Rick Bonadio baixou o sarrafo na cena independente nacional (li a parada por indicação em post do Matias).

Nenhuma surpresa. Bonadio produziu Mamonas, CPM 22, Charlie Brown, NX Zero e mais uma pá de coisas que, mesmo que você tenha curtido em um passado que renega, o “bom gosto estabelecido” considera como ruim. Nada contra o que o cara faz, ele apenas produz música para um universo infanto-juvenil distante do meu. É mercado. Pode ser uma droga (e eu acho uma droga. Crianças e adolescentes podem, sem problemas, escutar Ramones e serem muito mais felizes), mas não dá pra esperar que ele não defenda o seu próprio negócio. Se poderia ser mais esperto e ficar ligado em referências que a rotulada cena indie pode fornecer para o trabalho dele é uma outra discussão.

O fato é que Bonadio é mais uma prova de que você não precisa ser um profundo conhecedor da matéria (no caso dele, a música) para ser extremamente bem sucedido no que se propõe a fazer.

É como na propaganda.

Quem é de fora da área ou não muito ligado em entrelinhas, muitas vezes tem na cabeça aquela imagem do publicitário como um cara descoladinho, ligado em tudo de novo que está acontecendo no mundo e que arrota tendências como blogueiros arrotam asneiras.

Não. A maioria é tão comum quanto todo mundo. Muitos inclusive ouvem as músicas que Bonadio produz.

São profissionais que dominaram técnicas que o mercado, por um motivo ou por outro, paga e, muitas vezes, paga bem. Não há nada de errado nisso.

O que mata, como sempre, é a pretensão.

É sabão em pó, não é filosofia. Arte você faz em muitos lugares, mas não em anúncio. Tendência você cria lançando originalidade, não emulando uma idéia do Banksy em 30 segundos na TV e posando de inventor de alguma coisa.

Bonadios, reverberem à vontade, ganhem suas bufunfas. Só não pensem que vocês fazem mais que isso porque aí enche o saco.

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4 Responses to “Eterna reclamação que não faz diferença”


  1. 1 William outubro 4, 2008 às 6:55 pm

    Apoiado.

    Nem preciso comentar mais nada além disso.

    Sem contar que é um saco você (no caso eu) ter que ficar ouvindo essas coisas o dia inteiro porque sua irmã ainda não saiu dá fase “toca qualquer porcaria que o vocalista seja bonitinho que eu apaixono”

    ai fico eu aqui do lado, ouvindo por entre a parede fina NX Zero, Fresno, Strike e outra besteiradas mais que ja sabemos.

  2. 2 Lucas outubro 5, 2008 às 5:00 pm

    William, que pesadelo.

  3. 3 Vivi outubro 6, 2008 às 7:05 pm

    cara..uma banda de amigos meus foi “entrevistada” por ele…ele disse q de cara eles precisariam dar um jeito no cabelo e fazer tratamento anti acne…ja diz muito, nao?

    by the way, eles nao toparam…continuam batalhando na cena indie e continuam pobres…

    abç…

    Doda: mas mesmo na cena indie aconselha a galera a dar esse tapa no cabelo e acabar com as espinhas, de repente podem ganhar mais groupies, hehehehe

  4. 4 Eduardo Wagner outubro 7, 2008 às 5:04 pm

    No filme Quase Famosos, o personagem principal ao conversar com seu mentor, que é inspirado no jornalista Lester Bangs, este fala, que eles, as gravadora, ainda iriam acabar com a música.
    E é o que vemos acontecendo hoje, o que vale são as metas de ganhos e estratégias definidas pelos engomadinhos que estão no controle das produtoras. Talento pra quê, se é possível criar qualquer coisa pra se ganhar dinheiro: http://idealismodebuteco.wordpress.com/2008/09/27/como-se-cria-uma-pop-star-sexy/

    Doda: Edu, não acredito que elas acabaram ou acabariam com a música, hoje os Bonadios e afins são apenas o resto de uma estrutura que as mudanças de tecnologia e comportamento tornaram obsoletas. Se ainda existe ou se no passado tiveram tempos de ouro, isso acontecia por questão de mercado, se lançavam e lançam lixo cultural até hoje é porque tem gente pra consumir esse lixo. Mas sempre foi assim, a imensa maioria das pessoas, em qualquer tempo e época, consomem lixo. A ganância das gravadoras foi apenas o interesse da vez, no futuro teremos outras picaretagens explorando o gosto médio com outros métodos.


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