Os meses

Tenho boa memória, desde pequeno. Lembro coisas de quando eu tinha três anos.

Não sei se por condicionamento de passar a vida toda me gabando dessa boa memória, mas passei a armazenar esses flashes de 3, 4 ou 5 anos em detalhes. Talvez nem lembre deles de verdade, pode ser apenas esse tal condicionamento. De qualquer maneira, acho um absurdo esquecê-los.

Seria um desrespeito comigo mesmo não lembrar das férias em família de 82 (seria 83?) em Fortaleza ou a mesma família reunida, em uma noite de julho de 84, assistindo a abertura dos jogos de Los Angeles em uma casinha na vila, alugada para o verão paraense lá em Mosqueiro.

Nisso a contagem do tempo em meses ajuda muito. Existem períodos do ano muito melhores que outros.

Por exemplo, do fim de dezembro ao fim de março as antenas devem permancer constantemente ligadas para as boas lembranças. É a melhor época de qualquer ano. Lá em Belém é tempo de chuva forte, todo dia, às vezes o dia todo. E nossa, como eu gostava desses dias. O calor dá uma trégua, todos engatam uma segunda marcha e a vida segue mais lenta e galhofeira em um tipo de preparação para a pauleira que fatalmente virá na sequencia.

Então juntando a minha boa memória com os meses, meu trabalho de armazenamento é amplamente facilitado. Tipo, agosto de 2002. Na ressaca da copa, eu estava na mais funda das fossas por causa de um término e tentando tocar uma empresa que abri tempos antes com dois grandes amigos. Setembro de 1998? Fácil, era o auge da vagabundagem universitária de classe média: sem emprego (e sem planos de ter um), era sair das aulas para os bares e passar madrugadas “fazendo trabalhos” com câmera digital que pesava 2 quilos e torcendo para o Pentium 166 do Renato não dar pau enquanto o Corel Draw abria pesados arquivos de 4 mega.

Bem, mas a nostalgia do momento diz respeito a meses que estavam aqui agorinha mesmo. Justamente o janeiro, fevereiro e março desse 2008 que a primavera paulistana se encarregou de levar pra longe.

Logo eles voltam, não há outubro ou novembro que não acabe depois de rápidos 30 ou 31 dias. E dezembro, francamente, não é bem um mês e sim uma transição. Dia 15 ele costuma acabar e geralmente ninguém se importa com isso.

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1 Response to “Os meses”


  1. 1 MartaTrama outubro 27, 2008 às 8:31 pm

    Você lembra coisas de quando tinha 3 anos porque você é muito novinho ainda!

    cutchi, cutchi…


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