Djalma Dutra

Coletivo-rei da minha vida. Me levava ao torturante colégio, aulas e cursos vespertinos sobressalentes – dos frescos e boiológicos inglês e vôlei aos viris e fracassados basquete e violão. Transportava-me também à sagrada meca da jogatina dos 8, 16 e 32 bit na Belém dos anos 90, a Soft Game. Casa dos tios, fliperama, shopping e sorveteria, até sumir pra lá dos confins da Municipalidade.

Nele, sofri com a partida do meu G-Shok ciudadlestino que tomou o bolso de um larápio portador de objeto cortante, episódio também conhecido como Meu Primeiro Assalto. Esperando pelo Dutra na calçada, ainda vacilei em um vale-refeição para outro malandro, desta vez equipado somente com um tom ameaçador de voz. E finalmente, ainda no ramo da violência urbana, perdi (playboy®) para ágeis mãos malacas um par de óculos, já meio catimbados pela vida é verdade, mas ainda assim, bens próprios sobre os quais terceiros não detinham direitos legais.

Djalma, o primeiro a possuir botões substituindo as inalcançáveis cordinhas.

Dutra, ousado quando colocou assentos frente-a-frente, tornando a viagem dos ocupantes destas posições uma espécie de conversa entre amigos na sala-de-estar (mas sem a parte da intimidade).

Ah, DD, hoje posso até levantar o braço direito para outros maiores, melhores e que aceitam Bilhete Único, mas é em ti que penso – primeiro da minha vida – quando lembro o quão prazeroso é andar de ônibus. Um dia, no bate-pronto final de uma entrevista de emprego, responderei teu nome quando a pergunta for “sonho”.

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11 Responses to “Djalma Dutra”


  1. 1 Waleiska maio 13, 2009 às 4:46 pm

    Isso é que é nostalgia…
    Acho que NUNCA direi o mesmo o Distrito Industrial. Por razões óbvias, é claro…

  2. 2 Lucas maio 14, 2009 às 4:46 am

    Esse é o melhor vídeo já postado, quiçá o melhor do YT, me arrisco a dizer.

  3. 3 Carol maio 14, 2009 às 9:31 am

    O meu equivalente ao DD é o Pedreira Nazaré. Confesso que bate uma nostalgia quando passo em frente ao Tribunal de Contas, na Quintino. Mas assim como a Waleiska, nunca poderei dizer que sinto saudades dele.
    Por razões óbvias, é claro… [2]

  4. 4 Helio maio 14, 2009 às 12:03 pm

    O E. Marex também era modernão. Um novo conceito em transporte coletivo.

  5. 5 Irmã maio 17, 2009 às 11:26 am

    Legal também era o Guamá Universidade. 2 da tarde, aquele calor arruinante e ainda dava pra cantarolar os bregas da fita cassete que o motora colocava: “ainda me lembro da nossa lua-de-mel e do papel que você me fez/ainda me lembro, não houve lua-de-mel, e vc me deixou sozinho naquele motel”

  6. 7 Menezes maio 19, 2009 às 5:43 pm

    Cara, agora sim POSTEI lá sobre a nova camiseta.

    Abração! ehehehe.

    Também estou limpo há algum tempo, mas essa parece valer a pena.

  7. 8 Marcelo Damaso maio 20, 2009 às 10:14 am

    Eu adorava ter que pegar o Djalma Dutra. Mas só dava quando eu estava na casa da minha avó, em Nazaré, e pegava o DD ali na Generalíssimo para ir ao Shopping do centro da cidade – outrora chamado Iguatemi. As cadeiras de frente um pro outro eram puro constrangimento.

  8. 9 leonardoaquino maio 22, 2009 às 5:22 pm

    O teu Djalma Dutra é o meu Castanheira-Presidente Vargas. O coletivo tinha TV e lá por 97 ou 98 era uma das linhas que tinha os carros bi-articulados, a.k.a “sanfonas”.

  9. 10 Camila maio 25, 2009 às 3:01 pm

    Até os 12 anos eu achava que D. Dutra era Doutor Dutra. Não fui uma adolescente sabida :(

  10. 11 Tylon maio 28, 2009 às 4:53 pm

    Não só pegava o DD como morava na Djalma Dutra.
    Supere essa, Edoardo.


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