Falta um título

Não gosto de shows, gosto dos meus amigos.

Como o Godinho disse e eu concordo: hoje também não vejo mais sentido em olhar de longe uns 4 ou 5 caras tocando músicas que escuto a hora que eu quero.

Tem a paulada do preço do ingresso inteiro. O desgaste de ir, chegar, entrar. A fila e o preço da cerveja, a aventura da ida ao banheiro. Os inevitáveis tumultos e perigos da saída e, se chover, ainda tem a lama.

Mas, se o acaso reunir algumas condições agradáveis, recoloco tranquilamente o meu saco à disposição de um show. No sábado foi o que rolou.

Até acho Killers bacaninha, mas com as faculdades mentais em ordem, jamais encararia essa roubada que é a Chácara do Jóquei.

Fomos lá eu e Kaysa, amiga que eu não via há mais de 1 ano e dona de uma cobertura duplex na Vieira Souto do meu coração há uns 15.

Perdidos nas conversas domésticas, saímos uma hora atrasados. A chuva estrumpicava São Paulo, transformando em piada o eixão Rebouças-Eusébio Matoso-Francisco Morato. Uma hora dentro do táxi. Muito bom, era pouco pra todo o assunto acumulado.

Logo na descida do veículo, fomos assaltados pelo cara da capa de chuva em 20 contos, 10 por cada uma.

Inicia-se a busca pela mal sinalizada entrada principal. Erramos de rua, corremos. Já era possível ouvir o florido Brandon iniciar o show, pouco depois das 20h, com a nojenta Human e, depois de uma qualquer que não identifiquei, emendar o farofão Somebody Told Me.

Continuávamos a correr em meio ao temporal, desviando da lama nas inexistentes calçadas da Vila Sônia, tentando ultrapassar os milhares de outros portadores de ingresso também atrasados.

No meio da correria, sorri. Percebi que a diminuição de cigarros promovida por mim e a política de andar mais para chegar ao trampo surtiu resultados: meu fôlego melhorou. Já corríamos há 10 minutos e eu tava lá, lindão e atlético, exibindo minhas formas de Pikachu para a elite feminina dos arredores.

Finalmente, a Entrada. Ingresso rasgado na mão, lama, muita lama. Pé inteiro dentro da lama, “malditos vietcongues”.

Show rolando, hits em sequência que graças ao bom deus eu não conheço, mas perfeitos para casais bunda-mole chamar de seus.

O palco lembrava muito a cafonalha de 2007 (quando a banda tocou com 27 horas de atraso no pior festival de todas as eras), mas agora os telões ganharam um upgrade com mais imagens de karaokê. No conjunto, o ambiente remete a um bar do circuito Itaim/Moema: palmeirinhas e luzes indiretas acompanhando almofadinhas.

Essa pegada Sapucaí funciona muito bem para a grandiosidade brego-musical da rajada antes do bis: Read My Mind, Mr. Brightside e All These Things That I’ve Done, momento em que a lama pula quase à altura do meu copo (preenchido por uma absurda Itaipava de 5 contos).

Intervalinho de uns 5 minutos e o preço mutante da cerveja adquire o formato de 6 reais.

O grupo volta com Jenny Was A Friend Of Mine e encerra de vez com a melancolia de When You Were Young. Lembro de uma amiga que gostava muito da banda e foi embora sem se despedir, no já distante 2008. Penso em outra distância triste, mais recente. E fim do show.

A volta foi trabalhosa, mas tranquila. Uns 15 minutos andando, um ônibus, uma imensa vontade de mijar, um Habib’s salvador, 3 chopes, 3 Heinekens e umas 59 piadas internas que resistem ao tempo.

Na contabilidade final, quase não percebi que houve um show no meio da nossa noite.

Esses eu curto ir.

</p

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3 Responses to “Falta um título”


  1. 1 Helio novembro 26, 2009 às 7:42 am

    Sempre tem que ter um chato nos comentários, né?
    Então, o show do festival foi em 2007. E eu estava lá.

  2. 3 Emerson Abreu novembro 26, 2009 às 5:56 pm

    Eu era um dos “os milhares de outros portadores de ingresso também atrasados” que chegaram correndo depois da terceira música :P

    O que salvou a noite foi ver uma fã chorar e esmurrar o muro porque já estavam cantando “Somebody Told Me” e ela ainda estava na fila =D

    Antes da entrada eu achei que o estacionamento (dentro do quintal de uma casa no meio da lama) que me custou 50 contos tinha sido a facada da noite. Depois, na saída, vendo o policial multar todos os carros que os “flanelinhas” tinham deixado na rua, eu até que me senti vingado :)

    Alegria de pobre…


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