Mais aventura

A noite apresentava uma lista de tarefas aparentemente simples: um edredom e uma trouxinha de cuecas precisavam ir à máquina para lavagem e, para o jantar, um bloco simples de miojo deveria ser mergulhado na água fervente para posterior satisfação da fome.

Então enquanto a água fervia, tratei de encaixar as peças de tecido na máquina.

É difícil acomodar um edredom de casal em um aparelho projetado para quatro quilos de roupa, mas quem gosta de uma vida sem desafios, não gosta de viver.

Devido à fraca memória da minha brava diarista, que sempre não atenta para o fechamento da torneira ao fim da utilização da lavadora, a mesma já encontrava-se meio cheia no meu turno de trabalho. Logo, o edredom e a trouxa de cuecas molharam-se antes mesmo do início do ciclo.

O terror então exibiu sua face mais vil. Já com tudo trancafiado no aparelho, constatei a falta de presença de uma mísera grama de sabão em pó na residência.

A prudência e as mínimas noções de limpeza recomendavam assim o esvaziamento do eletrodoméstico e secagem do seu conteúdo têxtil, já completamente encharcado. A lavagem completa precisaria ser adiada até a próxima noite.

Mas em raro lampejo de genialidade, meu campo de visão, militarmente treinado em horas à frente do Xbox, captou uma barra de sabão postada em uma quina do tanque. Ao mesmo tempo, relacionei o produto ao ralador de legumes encostado no armário de panelas há cerca de 26 anos.

Imediatamente, providenciei o ralamento de metade da barra no receptor de sabão em pó da máquina. Ficou bonitinho, mas não lembrei de tirar foto porque a água do miojo fervia impaciente esperando pelo mesmo. Deixei a máquina se virar.

Após o delicioso jantar e uma reflexão pessoal a respeito de como eu faria para acordar ou não às seis da manhã a fim de sofrer uma caminhada de 40 minutos pelo parque da Aclimação, voltei à minha diminuta área de serviço para fiscalizar o entrosamento da máquina com o sabão em pó artesanal que ocupava seu interior.

A surpresa é que não havia espuma. A quantidade de sabão esfarinhada revelou-se insuficiente para dar conta do recado. Dessa maneira, o outrora promissor projeto barra ralada convertia-se na maior hecatombe doméstica do apartamento desde a tentativa de utilizar um travesseiro roubado de avião como lustra móveis.

Avaliação final: 4 sinais irônicos de joinha feitos pelo vizinho que ouve música eletrônica nas manhãs de Sábado de 5 possíveis.

Manja ali no canto direito.

2 Responses to “Mais aventura”


  1. 1 Pirajuí maio 18, 2010 às 6:29 pm

    se eu falar q essa banca não fica perto d casa eu vou estar bem é do mentindo

  2. 2 Bu junho 7, 2010 às 11:48 pm

    hahahah! fazia tempo. adoro esse seu tom. bom te ver,


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Fitas pessoais e umas opiniões definitivas incertas. Qualquer coisa, dá um alô no doda.doda@gmail.com

@dodavilhena

  • não dá mais pra escutar black keys sem pensar que é banda de patricindies e mauricindies 1 day ago
  • você prefere A PRIORI ou A POSTERIORI 1 day ago
  • comprei um tênis em uma LOJA FÍSICA como no tempo em que DONDON jogava no ANDARAÍ. 1 day ago
  • isso a gente combate sabe como? com in-for-ma-ção 1 day ago
  • GENTE!! agora eu quero ler as listas de melhores livros de vcs em 20161' 2 days ago

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