Menos de dois contos

Alcancei meu direito a cela especial em uma entidade privada de ensino, dessas semelhantes aos comércios de bairro, mas ao invés de biscoitos de polvilho e refrigerantes de marcas obscuras, vende diplomas.

Apesar de toda pretensão, amadorismo e permissão de cigarro nos corredores e salas de aula da instituição, nem tudo foi negativo nos 4 anos mal passados ali dentro.

Naquela universidade conheci a coxinha enquanto salgado e sublime forma de satisfação de prazeres pessoais.

A chamada “cantina de baixo” guardava o segredo: uma coxinha do tamanho de uma maçã adulta com fina parede interna de massa, ricamente recheada com o melhor do frango desfiado cultivado na região norte do Brasil.

E conferindo um charme especial de tesouro escondido à sua iguaria, a birosca responsável pelas vendas não era facilmente encontrável. A Cantina de Baixo escondia-se entre árvores e bancos de cimento (fartamente utilizados para amassos físicos entre alunos) em uma espécie de parquinho atrás do ginásio esportivo. Seu horário de funcionamento era somente até às 20h, tornando ainda mais difícil cruzar os interesses entre vontade e disponibilidade.

Com dois anos ou pouco mais de curso rolando, o terceirizado da cantina mudou e as coxinhas-maçã tomaram rumo desconhecido.

Meu desempenho acadêmico piorou, passei a faltar mais e perdi o bonde da turma. Não que tenha feito diferença, pois conseguir reprovar em alguma coisa em uma instituição como essa exige muito talento e disposição, duas paradas com as quais não trabalho.

Além do lamento por um prazer perdido em algum passado distante, este episódio nos mostra o poder da coxinha enquanto lembrança, suplantando os fantásticos conhecimentos transmitidos em agradáveis aulas de disciplinas como Metodologia Científica e Teoria da Comunicação.

Abs.

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3 Responses to “Menos de dois contos”


  1. 1 Mr.Frog fevereiro 28, 2011 às 4:18 pm

    Óia lá, o Crocodilo Dundee tomando cerveja!

  2. 2 Karla Nazareth fevereiro 28, 2011 às 5:42 pm

    Nunca soube dessa cantina ai. Devo ser de de outra era.

  3. 3 bueno março 2, 2011 às 1:40 pm

    Um uso muito sábio da reduzida profundidade de campo pra destacar um pormenor de um assunto. Sem falar na deliciosa combinação de cores. Boa definição e foco brilhante! Excelente macro!!


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  • gente é simples: pegue a coisa que vc mais gosta na vida e entenda muito bem dela a ponto de ter gente que pague pra vc entender dessa coisa 27 minutes ago
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