Archive for the 'Continhos' Category

Tcharam!

São Paulo, 2028. Após uma guerra mundial ter dizimado quase a totalidade dos fumantes e héteros que faziam sexo oral sem frescura em seus parceiros, a cidade é dominada por gangues de ciclistas, corredores e pessoas que apreciam viver e compartilhar experiências gastrônomicas diferenciadas nas redes sociais.

Neste cenário de horror e falta de esperança, surge um homem capaz de lutar contra a frescura opressora. Sim, um campeão do povo, intrépido libertador, inimigo número um das coisinhas, um corajoso exemplar da raça que…não, ele preferiu voltar ao sofá e tirar mais uma pestana.

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14:15

O avançar da madrugada e o aumento da admiração pela moça, já dizia a velha cerveja consumida em quantidade tranquilamente classificada como industrial.

Fenômeno conhecido, lindo de ser vivido, mais ainda quando o carinho entre as partes já existe, mas não havia experimentado uma lubrificação satisfatória feita pelo nobre goró.

De repente, a vista trôpega enxerga detalhes ignorados até então. Pontas desiguais nos cabelos, a pinta no pescoço pedindo uma cafungada e um dos olhos levemente curvado pelo álcool – tornando perfeita a mínima falta de simetria daquele rosto que teve a ousadia de se tornar ainda mais lindo no intervalo de uma ida ao banheiro.

Daí, já embarcado no ônibus rumo aos clichês da desilusão, pensamentos conjecturam o futuro daquele amor. Desde o desejo de uma iniciativa dela que determine vigorosos amassos interativos nos próximos minutos, passando pelos meses seguintes, período dedicado ao sexo nórdico e aprimoramentos conjuntos do casal, com ambos topando abrir mão de seus defeitos a fim de construir uma eterna união estável, chegando então à terceira fase de imaginação ingênua: o morar junto acompanhados de cachorro e gato.

No mais, o desfecho alcançou os níveis esperados para a situação. Algo balanceado entre o bom e o ruim, mas justamente o contrário, configurando-se como nem uma coisa e nem outra. Tudo bem alinhado ao indefinido, com notas variando do incerto ao duvidoso.

Ave de novo

Um imperador muito louco (High Roman, EUA 2011)

Josh (Jonah Hill) é filho de um renomado físico ganhador do Prêmio Nobel e que secretamente conseguiu desenvolver o protótipo de uma máquina do tempo. Ele e seus dois melhores amigos – o estudioso Sean (Michael Cera) e o malucão Anthony (Sam Huntington), após uma noite de muita cerveja, resolvem experimentar o invento e acabam no meio de uma importante batalha entre romanos e gauleses.

Por acidente, Anthony acaba derrubando Júlio César (Seth Rogen) de seu cavalo justamente quando centenas de gauleses ensandecidos corriam em sua direção. Para não deixar César inconsciente à mercê dos inimigos, os três acabam trazendo-o desacordado para o presente com a ideia de devolvê-lo logo depois ao campo de batalha.

O problema é que a máquina do tempo sofreu sérios danos na viagem e agora Josh precisará esconder o futuro imperador Júlio César em seu quarto até que alguém arrume a geringonça.

Sempre preocupado, Sean lembra os amigos que, caso Júlio César volte à consciência antes de retornar aos tempos do império romano, as conseqüências para o curso da História seriam totalmente imprevisíveis. Anthony então tem a brilhante ideia de manter o futuro imperador sob efeito de drogas até que a máquina seja reparada.

Enquanto isso, Kathy (Emma Stone), a grande paixão de Josh, dá a entender pela internet que finalmente transará com ele na festa de Halloween de um amigo. Apesar dos veementes protestos de Sean, os três acabam indo à festa e carregam com eles um Júlio César já completamente entregue aos psicotrópicos.

[enchi o saco de continuar, mas o resto é bem previsível, você sabe]

Aquela do gengivão

Futuro próximo. Regina Casé tomba na estrada que liga Boga do Figueiredo (BA) a Traque Forte (PB), colocando fim à sua própria vida e convertendo em farinha dois calangos que voltavam da balada pelo meio da pista. O presidente Romário, em decisão de saúde pública, solicita à Receita Federal um cálculo atualizado de quanto as próximas 18 gerações de descendentes da artista devem em dinheiro ao país por ter suportado o descarrego de sua obra todos esses anos. O montante arrecadado será aplicado no prolongamento do rio Amazonas até São Paulo e em uma política eficaz de extermínio dos comediantes stand up, praga que se prolifera nas ruas das grandes cidades graças, principalmente, aos ninhos feitos nas caixas de ar condicionado dos prédios.

Dããnn

Empunhando a mesma pretensão já utilizada com fracasso nas batalhas para levar o meu samba aos fundos do seu quintal, caminho novamente e sem rumo pelas desertas pradarias da incompetência.

Busco forma de, nestas mal niveladas linhas, descrever a mecânica que a audição da sua voz dispara nessa mal estruturada escola de teatro amador por mim chamada de cérebro.

Já ouvi outras vozes, na verdade muitas, porque como você já deve ter notado, quase todo mundo possui uma e, infelizmente e diariamente, esse todo mundo cultiva carinhosamente o ato de lançar o som de suas palavras ao vento abalando paciências, provocando dores físicas e influindo até mesmo na problemática gástrica.

Mas não a sua voz, não esse tom de pronúncia peculiar capaz de esculpir a mais detalhada das simpatias na madeira deste imenso carvalho, plantado em homenagem a você no mais bem localizado jardim deste coração aqui, sempre todo seu, princesa do meu mercadinho.

Passe no caixa e peça o seu desconto, apareça trajando essa voz como calcinha.

Moedinha

Naquela máquina havia coca zero. A máquina roubou um real meu, dizia ela e pior, dizia o outro, “só tem coca zero”.

Não, tem bavária, alguém lembrou. Rá, vou beber então, é o que me resta, disse a moça fazendo graça no almoço.

Mas só havia coca zero, mesmo, naquela máquina em que a moça de calça branca estacionava seu corpo e dizia com algum silêncio, “ei, tentem advinhar o modelo da minha calcinha, estou de calça branca, calça branca é pra isso, pra mostrar a bunda e dar uma pinta sobre a calcinha que estou usando, repara como as laterais são fininhas, é fio dental essa porra, eu sou gostosa, posso usar essa merda sem que nenhuma gordura fique saltando, sou tão foda que provoco essas caídas daqui vindo pegar um refrigerante da máquina, fazendo cara de triste inclusive porque só tem coca zero e eu tomaria fácil alguma porra cheia de açúcar, mas só tem coca zero aqui e a máquina ainda me rouba um real, caralho, mas tudo bem, enquanto você olha babando pra essa capa da boa forma eu tenho uma porra dum corpo aqui que pode trepar de luz acesa, bando de otária.”

Espíritos bebem cachaça de verdade?

O governo sabe de tudo e prepara um gigantesco bunker secreto para salvar uma pequena parcela da sociedade da catástrofe que se avizinha.

Um dia, quando for novamente seguro voltar à luz do sol e recomeçar a falsificar carteirinhas de meia-entrada, os sobreviventes repovoarão nossa terra com pessoas que posicionam camas tubulares ao lado de estantes em MDF.

Estude bastante para figurar entre os eleitos ou desenvolva uma habilidade exclusiva imprescindível como, por exemplo, o talento para discernir geeks true de geeks posers, associando este dom à capacidade de absorver lições de vida a partir de um montinho de bosta.

No mais, é importante defender a descriminalização do “Jesto de Amor”, porque colher de “você vai colher o que plantou” é a mesma coisa que “colher de sopa”.

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Fitas pessoais e umas opiniões definitivas incertas. Qualquer coisa, dá um alô no doda.doda@gmail.com

@dodavilhena

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