Archive for the 'Opiniões' Category

Aí não, né

Caras de 30 e poucos anos, crescidos no Mega Drive e com medo de terem seus Nike Air Max roubados na volta do curso de inglês, agora estão vindo com aquele papinho de “essa molecada de hoje em dia não sabe mais o que é tal coisa” em referência a um tempo de travessuras supostamente rurais que teriam vivenciado.

Você foi marcado no álbum Almocinho Delícia

A cultura do consumo sofisticado ganhou nos últimos anos novas ferramentas para potencializar sua maior característica: a afirmação da personalidade do consumidor por meio da exposição da compra aos seus pares.

Smartphones e recursos bunda-moles de redes sociais agora permitem exibição instantânea do caríssimo prato pedido no restaurante da moda, uma bela foto do desajeitado livro da Taschen que jamais será folheado ou o comentário despretensioso a respeito do agradável esforço despejado na modalidade esportiva mais hypada da semana.

Beleza, já havíamos percebido o crescimento do fenômeno e, mentalmente ou pelas costas, já estávamos na função de xingamento mental dos praticantes de tal arte. O que motiva minha indignação atual é perceber um movimento ainda silencioso, mais ou menos involuntário, mas não menos perigoso de moemização do país.

Com os novos trocados pingando na conta nos últimos tempos, a classe C passou a tomar iogurte e parcelar celtas em 13 anos, quem era ou chegou na classe B só fala de Buenos Aires e, para a galera A, que já fazia tudo isso e muito mais com maior destreza, restou o sagrado objetivo de higienizar com filtros anti-pobreza cada metro quadrado por onde caminham, enchendo de madeira e metal as fachadas de estabelecimentos cada vez mais batizados com “erias” ao final de seus nomes.

É a eclosão do termo e da cultura Coxinha que todos estamos presenciando, a ponta da pirâmide mostrando a força da grana que ergue e destrói coisas cafonas, é a minha total perda de rumo do assunto inicialmente tratado nesta observação textual, tudo motivado por uma insana mescla de escárnio, ódio e falso desdém contra tudo isso que eventualmente está aí.

Dropping a name

As leis da modernidade estabeleceram que, de tempos em tempos, deve surgir o nome de um multi artista do tipo que está em todas.

Ele é músico, sua banda fez relativo sucesso em círculos indies intelectualizados no começo dos anos 00. Andou sumido por uns tempos, escreveu o roteiro de uma animação bombada em parceria com um ilustrador fodão ex-Marvel, lançou um livro que já está em adaptação para o cinema (com direção de Spike Jonze), a trilha do próximo GTA terá a sua curadoria e, semana passada, fotos suas em balada homérica – protagonizando animados amassos com Sasha Grey & Amigas – estamparam populares sites gringos de fofoca.

O nome dele estará em oito de cada dez compartilhamentos de item no google reader, ao menos dois posts semanais do hypado blog daquele jornalista serão dedicados ao cara, o novo projeto musical do maluco está sendo cotado para vir ao Terra e suas frases no twitter já decoram slides de apresentações de mídias sociais do mundo todo.

Você precisa manjar o cara, citá-lo apaixonadamente para leigos, de forma corriqueira e pedante entre descolados arrogantes, de maneira exclusiva e bem formatada para o seu chefe.

Se esse messias não aparecer ou você quiser bancar o próprio, algumas sugestões de nome:

– Rent Fez Haz (um quê étnico, pronunciável em qualquer língua, árabe ou judeu? um pouco dos dois);

– Limbo (misterioso, simples,impactante);

– Left 4Right (mais que um nome, um manifesto);

– Force Estevez (novos tempos, uma nova cultura, américa ampla, visão global);

– Lars J. Ulrich (quase homônimo de um astro do rock para conferir aura de revolta, contestação, ritmo e loucura).

Clima ninguém me curte

Rola uma divisão artística em São Paulo com gosto por retratar o tão propagado lado desumano da urbe, um choramingo tonto sobre a falta de amor dos cidadãos, a frieza das relações, a indiferença e o vazio de tudo e mais um pouco, como se o ser humano possuísse um histórico de paz, amor e distribuição de flores estragado somente nas últimas décadas pelo crescimento doidão dos grandes centros.

Na verdade é um movimento comum em qualquer cidade maiorzinha, o velho sentimento de solidão na multidão tantas vezes já escrito, encenado, filmado e cantado, talvez mais perceptível em SP pelo gigantismo proporcional dessa cena local de artistas e também pela maior exposição que esse tipo de retrato cultural recebe por aqui.

É interessante como a manifestação artística, egocêntrica por definição, tenta empurrar para todos essa realidade infeliz que diagnosticou. O suposto problema da afetividade anêmica seria então meu, seu, da cidade. Causamos e sofremos essa parada toda, a culpa é nossa e não do amigo aí que concluiu por nós que o mundo anda uma bela de uma merda.

Pode manifestar esse bundamolismo na boa, véio, o chato é que esse papo acaba ganhando um público feminino considerável e isso dificulta muito a vida de quem não caiu na conversa.

Mas beleza, as forças do bem ainda possuem o humor ao seu lado.

Error

Qualquer movimento que você faça na vida ou na internet está evidenciando um ridículo seu para algum tipo de público, saiba lidar com isso e beleza, economize uma grana em terapia e auto indulgências bobocas dessas que se proliferam por aí em formato de frozen yogurt.

Sobreviveriam em uma treta nuclear e tal

O Homem agride o planeta e a natureza se vinga enviando baratas ao seu encontro justamente quando você está acompanhado de uma mulher e precisa demonstrar aquela indiferença corajosa frente à fêmea, a frieza que o levará a exterminar o inseto assassino em um único, certeiro e contido pisão, orando silenciosamente ao seu deus para que a besta alada não resolva empreender um vôo hostil rumo à sua cara, atitude que provocará manifestação de escândalo da sua parte, resultando até mesmo em um constrangedor gritinho pederasta.

Nota de férias

Nós, como povo, não somos de refinar, planejar, fazer direitinho para durar muito. Nosso talento é voltado para o efêmero, principalmente o ligado ao entretenimento. Daí somos bons em carnaval e televisão, mas péssimos em asfalto ou arquitetura.

E quanto menos dinheiro correndo no local, mais os extremos se evidenciam. Então cultivamos em Belém esse imenso orgulho por abrigar a maior manifestação católica do Brasil, mesmo que apenas 10% da cidade seja conectada à rede regular de esgoto.

O curioso é notar como esse certo desleixo se espalha em todos os aspectos do cotidiano, da maturidade de relacionamentos à competência para que se consiga vender uma simples cerveja gelada em uma festa.

E cerveja é um tema muito, mas muito relevante para mim. Não trabalho com destilados, vinhos ou qualquer outro tipo de bebida. Só bebo cerveja. Logo, realmente me chateia o fato de há duas noites eu só conseguir beber Cerpas (Premium, Gold e Tijuca) que parecem ter sido armazenadas nas fofas dobrinhas de Wilza Carla.

Deus, como é uma merda a Cerpa. A sorte da marca é existir tanto bunda-mole no sudeste do país colocando um status nessa porcaria e topando pagar 5 contos no supermercado por isso.


Fitas pessoais e umas opiniões definitivas incertas. Qualquer coisa, dá um alô no doda.doda@gmail.com

@dodavilhena

Encontre

Arquivão


%d blogueiros gostam disto: